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O asteroide Florence e suas luas

Matéria publicada em 21 de setembro de 2017, 14:14 horas

 


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No dia 1º de setembro o asteroide Florence passou a sete milhões de quilômetros da Terra e os astrônomos do observatório Goldstone aproveitaram para fazer imagens com o radar. A sondagem revelou que Florence, com 4,5 quilômetros de diâmetro, tem duas luas com tamanhos entre 100 e 300 metros de largura. As observações confirmaram que o asteroide é quase esférico e gira com um período de 2,4 horas. Ou seja, o dia na sua superfície só dura duas horas e meia. Mais de 60 asteroides possuem luas, geralmente blocos de pedra que se soltaram de sua superfície e ficaram girando ao seu redor. Uma lua é qualquer corpo menor que orbite um planeta ou asteroide.

Na semana passada a sonda espacial Cassini terminou sua missão de 13 anos no planeta Saturno. Desde que chegou lá a nave robô fez muitas descobertas. Revelando a existência de rios e mares de metano na lua Titã, vulcões de gelo em Encelado e as ondas que percorrem os anéis do planeta. Com o combustível acabando a agência espacial Nasa resolveu destruir a nave na atmosfera de Saturno. Para evitar sua queda nas luas Mimas e Encelado, onde pode existir algum tipo de vida.

Depois de passar várias vezes no espaço entre os anéis e a atmosfera de Saturno, a Cassini mergulhou no planeta na quinta-feira passada e foi desintegrada pelo calor. Foi uma oportunidade única de estudar Saturno, suas luas e seus anéis, já que não existe nenhuma outra missão programada para aquela região. Atualmente a agência espacial americana tem uma sonda, a Juno, orbitando o planeta Júpiter, e outra, a Dawn, explorando o cinturão dos asteroides.

Até hoje os Estados Unidos são o único país que conseguiu explorar o sistema solar exterior. A União Soviética e sua herdeira, a Rússia, nunca conseguiu ir além de Vênus e Marte. A maioria das sondas que os russos enviaram para Marte se perdeu antes de chegar lá. Como a missão Fobos de 1989 que lançou duas naves para Marte, uma se perdeu por erro de navegação e a outra deixou de funcionar assim que entrou em órbita de Marte.

A agência espacial europeia Esa teve mais sorte e conseguiu enviar sondas para se encontrarem com dois cometas, o Halley e o Gerasymenko. Mas fracassou em duas tentativas de pousar um robô na superfície de Marte. Coisa que a Nasa americana já fez inúmeras vezes. Além de Marte fica o sistema solar exterior, território exclusivo dos americanos. Que enviaram para lá naves com inteligência artificial que conseguem se guiar e executar suas tarefas sozinhas, em necessidade de comandos da Terra.

A primeira missão da Nasa aos planetas externos foram as sondas Pioneer F e G, lançadas no início da década de 1970. Que passaram rapidamente por Júpiter e Saturno e provaram que o cinturão de asteroides não era uma barreira perigosa para as naves espaciais. Depois das Pioneer a Nasa aproveitou um raro alinhamento dos planetas para enviar as naves Voyager 1 e 2 em uma grande excursão pelos planetas gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. A missão começou em 1977 e atualmente as duas naves continuam a enviar mensagens de um ponto além de Plutão.

Plutão foi visitado pela New Horizones em 2015 e a nave continua funcionando. Ela está sendo direcionada para visitar outros mundos gelados do chamado cinturão de Kuiper. Esses robôs da Nasa provaram que o sistema solar pode ser explorado com naves pequenas, automatizadas, sem a necessidade de enviar astronautas em missões com anos de duração. No passado, quando os robôs não eram confiáveis, os cientistas acreditavam que seria necessário mandar astronautas junto com eles. Como no filme “2001: Uma odisseia no espaço”. Mas a tecnologia avançou muito desde os anos de 1960 e a exploração do sistema solar prossegue sem riscos para os seres humanos.

Final: A Cassini se desintegrou nas nuvens de Saturno

Final: A Cassini se desintegrou nas nuvens de Saturno

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. É um dilema muito grande escolher onde investir os recursos, se em missões tripuladas ou várias missões não tripuladas. Das primeiras depende nosso futuro no espaço, mas as últimas nos revelam fatos fantásticos e são bem mais baratas. Em um mundo de recursos escassos, devemos escolher o tempo todo.

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