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O ataque dos hackers e a Coreia do Norte

Matéria publicada em 19 de maio de 2017, 07:00 horas

 


Infecção pode ser obra do grupo coreano Lazarus; vírus ‘WannaCry’ criptografa todas as informações contidas no computador

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Na sexta-feira passada o mundo presenciou um ataque cibernético sem precedentes. Mais de 300 mil computadores em todos os continentes foram atacados pelo vírus “WannaCry”. Ele criptografa todas as informações contidas no computador e exige um resgate a ser pago na moeda virtual conhecida como bitcoin. O ataque foi outra daquelas previsões da ficção científica que viraram realidade, mas não foi tão grave quanto se pensava. Os computadores infectados usavam versões antigas do programa Windows, que não tinham recebido atualização.

O meu computador passou incólume pela tempestade cibernética que varreu o planeta, afinal, minha cópia do Windows recebeu uma atualização há pouco mais de 15 dias. Passado o susto procuram-se os culpados. Sabe-se que os hackers usaram uma ferramenta de espionagem eletrônica, a Eternal Blue, desenvolvida pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Desde o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 que já sabemos que os serviços de espionagem dos Estados Unidos não são grande coisa. Depois da desmoralização da CIA agora é a NSA que deixa piratas da internet roubarem suas ferramentas de espionagem. O que levou o presidente russo Vladimir Putin a comparar o roubo do programa de espionagem a um sequestro de mísseis Tomahawke.

Acontece que a falha na segurança da NSA já era conhecida. E a Microsoft, fabricante do programa Windows, tinha disponibilizado uma atualização que torna o Windows imune a uma invasão pelo Eternal Blue. O problema é que muitos usuários pelo mundo afora utilizam cópias piratas do Windows, que não recebem atualizações. Ou então, como é o caso de órgãos do governo, utilizam versões antigas do programa que não são mais atualizadas. No Brasil o vírus afetou o INSS e na Inglaterra paralisou os sistemas de computadores de vários hospitais públicos.

Edward Snowden não escondia a sua satisfação por mais essa mancada dos serviços de espionagem americanos. Depois de identificar as ferramentas usadas no ataque agora se busca a origem. O lugar do planeta de onde foi lançado o vírus. E alguns indícios apontam para a Coreia do Norte, o país do ditador Kim Jong-un, que testou também um míssil de longo alcance no domingo passado.

Especialistas ingleses de segurança da informática acreditam que o ataque do Wanna Cry apresenta características de um grupo de hackers da Coreia do Norte, conhecido como Lazarus. Foi o Lazarus que invadiu os computadores da empresa Sony em 2014, em uma represália contra o filme “A entrevista” que satirizava Kim Jong-un. Em dezembro de 2014 o grupo coreano invadiu os arquivos da Sony e divulgou dados sobre os empregados da empresa além de liberar na internet dois filmes que se encontravam em fase final de produção. Em consequência do ataque e das ameaças coreanas, o filme “A entrevista” acabou sendo distribuído apenas em DVD.

Se grandes organizações de espionagem, como a NSA, não conseguem se proteger dos piratas da internet, o que podemos fazer nós, simples usuários comuns? A resposta é muita coisa. Se você tem algum arquivo importante guardado em seu computador faça sempre uma cópia e instale em um DVD ou em um disco rígido desconectado do computador. Assim você não perde nada em caso de um ataque de vírus.

Outro cuidado básico é não abrir e-mails estranhos com supostas mensagens de bancos ou de órgão do governo. Mensagens que pedem que você clique em algum endereço. Desconfie sempre e, na dúvida, nunca clique em nada. Uso há internet há vinte anos, sempre segui os cuidados básicos e nunca tive problemas com vírus.

Invasão: A tela de um computador infectado pelo WannaCry

Invasão: A tela de um computador infectado pelo WannaCry

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Na semana em que cai o que restava da máscara da dupla que representa o que de há de mais reacionário e retrógrado no país, o Donald Trump do Brejo nos brinda com mais um daqueles insossos textos ginasiais sobre notícia requentada.
    Pensando bem, em vez de falar de Temer e de Aécio, ou qualquer tema da política nacional, talvez seja melhor mesmo limitar-se aos corta-e-cola sobre mistérios das imensidões siderais, e sobre as atribulações do vibrante município-dormitório. Mas a culpa não é dele: ele votou no Aécio.

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