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O céu é o limite

Matéria publicada em 12 de janeiro de 2018, 12:21 horas

 


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Nos idos de 1955 estreou em São Paulo pela extinta TV Tupi, comandado pelo falecido apresentador J. Silvestre, o programa de perguntas e respostas “O Céu é o Limite”. O primeiro do gênero no Brasil que chegou bater a marca dos 84 pontos de audiência, época em que havia apenas quatro emissoras no ar, diferente dos centenas de canais abertos e fechados que povoam atualmente as telas das nossas TVs.

O programa “O Céu é o Limite”, que recentemente voltou ao ar pela RedeTV, apresentado pelo seu vice-presidente Marcelo Carvalho, tenta trazer de volta o glamour de uma década onde o brasileiro pouco saía de casa, preferia ver televisão em preto e branco, uma novidade que encantava a todos. J. Silvestre a cada resposta correta levantava o dedo em direção ao céu e gritava com personalidade o bordão: “Absolutamente, certo.”

Este foi um programa que fez inúmeros milionários e que hoje ainda busca dar continuidade através da emissora paulista, RedeTV, ao seu velho sucesso.

E o nosso céu em que limite se situa? É fato que a vida não é um programa de auditório, iluminado pelo sol dos refletores que ao final de uma gravação se apagam para só se acender, talvez, no dia seguinte.

O nosso céu deve ser proporcional aos nossos sonhos e desejos, a nossa vontade de fazer e acontecer, de perseverar em prol de um objetivo que nos é caro e fundamental.

O programa “O Céu é o Limite” buscava provocar nos personagens que frequentavam por um tempo o palco da emissora, a força e a determinação nas respostas exatas, tentava extrair ao máximo de cada candidato, onde cada “Absolutamente, certo” do apresentador, significava mais dinheiro no bolso do concorrente, que ao final de algumas semanas poderia se tornar um novo milionário.

Conquista pessoal

Se o céu é o limite, comece conquistando a Terra ou faça melhor, a si mesmo. Essa conquista é fundamental, é através dela que iremos nos conhecer mais e melhor, que iremos domar nossos medos, conhecer nossos limites, administrar nossas paixões e nos entregar aos nossos amores.

O céu com certeza deve ser a porta para um novo estágio, para um novo começo, sempre! Quem tem medo de recomeçar, não sabe o valor da perseverança. Veja que todos os dias (re)começamos uma nova etapa, um novo estágio em nossas vidas. Uma rotina que pode ser boa e inteligente se soubermos administrá-la de forma coerente, sem cobranças e muito menos sem conformismos piegas.

A vida é um interminável desafio onde não cabe medo ou dúvidas. Ele existe, está acima de nós, mas não é algo inalcançável. Lá em cima cada astro segue o seu caminho passeando pelo infinito, talvez esperando de nós um olhar, um aceno ou um encontro. Tudo pode até parecer estranho, surreal, quase metafórico, porque olhar para cima por muito tempo incomoda. Buscar o topo nem sempre é tarefa das mais fáceis, simplesmente porque o fácil muitas vezes é etéreo e se desmancha no ar.

Reza a lenda que na vida temos pelo menos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, um sonho inalcançável e um amor perdido. Ok, apenas um item de cada, que talvez segundo nos diz a frase, ficarão sem solução, sem resposta. E os demais? Sabemos que não existem poucos itens na prateleira da vida, ela é vasta, nela estão infindas perguntas em busca de respostas, muitas delas sabemos exatamente onde encontrar, só depende de irmos até lá buscá-las.

O professor, escritor e pensador Osvaldo Della Giustina, disse em um dos seus livros que pensar dói e frisa que “existe uma só natureza humana, uma única essência humana”. O professor Della Giustina defende o passado inteligente que não envelhece, os direitos humanos e o refinamento do espírito. Alerta sobre a capacidade tecnológica da destruição do nosso planeta, mescla a advertência com a esperança contida na massa de consciência que contém a paz, o diálogo e a fraternidade.

Somada toda essa fala, para logo a seguir ser decodificada, simplesmente ele quer dizer que não estamos olhando o todo, mas apenas parte. Não estamos enxergando a floresta com suas infinitas árvores, mas apenas uma, isoladamente, ou seja: nós mesmos.

Seu o céu é mesmo o limite, então para que seja dado o impulso capaz de nós levar até lá, é necessário conhecer mais e melhor o nosso solo, o local onde estamos pisando, sua realidade e necessidade. E certamente antes dele, temos que nos conhecer, pois somos nós a nave que deverá ter a devida propulsão para nos fazer chegar a esse céu, que quanto mais alto, mais distante de nossa cabeça, irá tornar mais instigante o sonho, o desejo de conquista, para enfim alcançá-lo.

 

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

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