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O espaço, o tempo e a moda

Matéria publicada em 26 de junho de 2018, 07:01 horas

 


Seres humanos do futuro podem voltar a viver como os índios da América

Futuro: Nuas nas estrelas?

Imaginar o futuro sempre foi muito difícil, mas faz um sucesso tremendo. Vide a popularidade de todos esses filmes futuristas, da Guerra nas Estrelas aos Incríveis. A ficção científica costuma partir do presente para imaginar o mundo de amanhã. Olhando ao nosso redor podemos perceber tendências e avaliar tecnologias promissoras, que podem fazer parte do dia a dia daqui a dez ou cinquenta anos. Nem sempre os autores acertam. Vide “Os Jetsons” e outros sucessos futuristas do passado, que apostavam num mundo de robôs e carros voadores para o século 21.

Como escritor de ficção científica, com vários títulos publicados, posso dizer, com certeza, que a coisa mais difícil de imaginar é a roupa, o vestuário. Nos anos de 1960 a serie “Jornada nas Estrelas” colocou suas atrizes usando uns saiotes curtíssimos. Porque na época a minissaia estava na moda, e o figurinista do seriado William “Ware The is” apostou que no futuro as saias iam continuar ficando cada vez mais curtas.

Dez anos depois, o seriado britânico Space 1999 colocou todo o elenco vestindo aquelas calças boca de sino, que eram moda em 1975. E o figurinista, Rudy Genreinch, nem parou para pensar que aquilo era uma moda passageira que ia parecer ridícula no futuro. Esses seriados “futuristas” do século passado nunca imaginaram que a roupa mais popular do século 21 ia ser a velha calça jeans do tempo do faroeste. E o que dizer das camisetas e shorts usadas pelas tripulantes da Estação Espacial Internacional. Elas fazem o escafandro espacial da Valentina, a primeira mulher no espaço, parecer pré-histórico.

Mini: O traje de Startrek

No futuro, quando homens e mulheres embarcaram em jornadas nas estrelas reais, a roupa vai ser um problema sério. Uma viagem às estrelas vai levar décadas e uma roupa comum não dura mais do que alguns anos. No espaço não existem shopping centers e lojas para renovar o guarda roupa, levar quilos e quilos de roupa ou tecidos numa nave espacial representaria um peso proibitivo.

Num dos últimos congressos de astronáutica ,a astrônoma Jill Tarter sugeriu que os viajantes estelares do futuro se vistam com hologramas, ou não usem roupa nenhuma. O que representaria uma reviravolta curiosa. Homens e mulheres de um futuro distante andando nus como os índios que viviam no Brasil antes do descobrimento. Índios astronautas e equipados com implantes cibernéticos de comunicação e monitoramento.

Uma ideia fantasiosa, mas quem pode imaginar o que nos aguarda nos infinitos caminhos do tempo? Talvez a humanidade vire uma raça de ciborgues, associada às máquinas que tanto ama. Ou talvez se torne superada pelos robôs que estão se tornando mais inteligentes do que nós. Não importa se tem uma coisa mutável e imprevisível é a moda. O que as pessoas vão vestir no futuro, se é que vão vestir alguma coisa.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, ficaram escandalizados com a nudez dos nossos índios e trataram de vesti-los e catequiza-los. Se Cabral e seus homens desembarcassem agora, em 2018, numa de nossas praias iam achar que a cultura indígena prevalecera no final, diante dos minúsculos biquínis e sungas dos brasileiros “do futuro”. Esse caráter mutante e imprevisível da moda é que faz essa mania moderna das tatuagens ser uma anti moda. Porque é fácil de fazer e difícil de desfazer. A tatuagem viola o quesito fundamental de qualquer moda, a de ser descartável.

Pessoalmente acho que fazer desenhos no corpo de uma mulher bonita é como pixar uma escultura de Rodin. É sujar uma obra de arte, mas é moda e elas se marcam e se pintam para sempre como os índios Maori da Nova Guiné e quem sabe a tatuagem não é a solução para o dilema da Jill Tartes e seus viajantes siderais. Só o futuro dirá.

 

4 comentários

  1. Nunca vi jornalista expor opinião assim.
    Machista e misógino.
    É uma vergonha ter um jornal em minha cidade onde matérias tendenciosas ainda circulem dessa forma!
    VERGONHA!

  2. Que doideira kkkkkkkkkk

  3. As modas mudam, a cultura muda, tudo muda!
    Só não muda a Palavra de Deus!
    O que falar daqueles que querem mudar a Palavra de Deus, como os esquerdistas, dizendo que Lula pode roubar, pois é o ‘pai dos pobres’ ?!
    Como diria o ex-Senador Mão Santa: “A ignorância é audaciosa!”…

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