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O mundo não é justo

Matéria publicada em 1 de dezembro de 2017, 11:35 horas

 


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O mundo não é justo, veja que uns nascem baleia, já outros krill. O que dizer do avestruz, o maior pássaro de que se tem notícia e um colibri-abelha, o menor do mundo, com menos de seis centímetros?

E se trouxermos as comparações para o lado humano, não vai faltar assunto. Preto e branco, rico e pobre. Imagine um jogador de basquete com seus mais de dois metros e uma simpática anã… de circo. Tudo parece ser discrepância mundo afora.

O que é o politicamente correto e o que não é? Será mesmo que o mundo não é justo?

A meu ver não existe raça negra ou branca, mas sim raça humana e desumana. A que ama e a que odeia. A justiça e a injustiça andam pelas ruas no dia a dia, ao nosso lado, reflexo inegável do capitalismo e que muitos acabaram por dar o sobrenome de “Selvagem”. Muitos dirão capitalismo é reflexo da democracia.

É bom que se diga que capitalismo é uma coisa e democracia é outra. Democracia é para muitos a ditadura da maioria sobre a minoria. Já capitalismo é a liberdade que cada pessoa irá dispor para poder decidir o que fazer com o resultado obtido com o seu trabalho, seja ele de que natureza for. Mas, reza a lenda que há controvérsias. A unanimidade é burra, dizia o jornalista e escritor Nelson Rodrigues.

Lembro do personagem Calvin da série de tirinhas que sempre repetia a frase: “O mundo não é justo, eu sei, mas por que ele nunca é injusto a meu favor?”.

E muitas vezes é isso que queremos, que algo esteja a nosso favor, de preferência o mundo, coisas que sejam vantajosas para mim e para os meus.

O mundo pode até não ser justo na medida em que desejamos, mas não sabemos da existência de outro melhor, sendo assim, não temos como trocar. Temos na verdade que usufruir de tudo, da melhor maneira possível. Algumas coisas conseguimos resolver com equilíbrio, tirando de letra, já outras são mais complexas e requer um maior cuidado, uma administração mais detalhada.

Nem tudo são flores e até nelas sempre repletas de beleza, encontramos espinhos pontiagudos e traiçoeiros.

Problemas

Problemas existem desde que o mundo é mundo, faz parte do pacote, todos têm a sua cota. Ele pode acontecer com qualquer um. É nessa hora que temos que usar o nosso cinto de mil e uma utilidades, sacar da manga a carta que vai nos levar à vitória, aquela que irá nos ajudar a contornar o problema, nos acendendo a luz da solução. Lembre-se, tudo é contornável.

Nós humanos vivemos a buscar justiça terrena e misericórdia divina e nem sempre achamos na dose exata que necessitamos e aí temos que suar a camisa, quebrarmos a cabeça (no sentido figurado) e partimos para enfrentar de peito aberto os problemas, ao invés de praguejar ou ficar chorando pelos cantos.

Temos que saber que a injustiça existe, e é necessário neutralizá-la. Se existe injustiça na Justiça, daí a chamarmos de cega, imagina aqui fora, na rua?

A justiça dos homens está muito distante da justiça divina. O saldo devedor não é nem um pouco pequeno.

Assistimos o mundo crescer, mais e mais pessoas nascem a cada dia, mas ele, o povo, continua acomodado em suas conveniências, sentado no seu trono de insensatez, haja vista que governos mandatários que se acham donos, literalmente, do mundo fazem o que querem levando o povo à fome, à miséria e à morte.

Vivemos intensamente o hoje, o agora, já o amanhã, o futuro foi entregue nas mãos de Deus. A velocidade de tudo nos sufoca, a informação atravessa o mundo em segundos, dispensando muitas vezes o jornal que a trará no dia seguinte. Nessa confusão de fatos o certo virou errado e o errado virou certo, muitas das vezes não conseguimos fazer a troca e embarcamos na canoa furada.

As grandes civilizações conheceram de perto a decadência quando viram cair por terra a moral e os costumes, o pudor e o respeito. O prazer pelo mal feito, algo muito típico de sociedades que deturpam o real sentido de justiça, o que é a lei, a democracia e, por conseguinte, a liberdade.

Me ocorre agora uma frase histórica de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chegará a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

A realidade que vivemos hoje é totalmente diferente da vivida por Rui Barbosa, um homem que foi político, diplomata, advogado e jurista brasileiro, falecido em 1923. A realidade atual é bem pior do que a daquela época, onde também existiam políticos corruptos, safadezas de toda ordem e esperteza de todos os calibres, mas as figuras eleitas que podiam e deviam olhar o povo não eram movidas por uma ganância desenfreada, como a que vemos nos dia de hoje.

“A igualdade pode ser um direito, mas não há poder sobre a Terra capaz de a tornar um fato”. Uma frase de Honoré de Balzac que muito nos faz pensar sobre o mundo em que vivemos. Para algumas coisas o céu é o limite, mas para a ganância jamais.

 

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

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