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O tempo perdido

Matéria publicada em 29 de junho de 2018, 08:22 horas

 


Perdemos horas de nossas vidas em transportes obsoletos

Quando se fala em eficiência e competividade, o Brasil ocupa uma das piores posições no cenário mundial. Estamos em penúltimo lugar no que se refere à eficiência energética, na 60ª posição em competitividade e no último lugar no que se refere à infraestrutura dos transportes. Os produtores de soja, só para citar um exemplo, perdem milhões de reais todo o ano tentando transportar sua produção em carretas, através de estradas esburacadas e sem asfaltamento. Dinheiro que não seria perdido, por exemplo, se houvesse uma ferrovia, daquelas antigas, convencionais, para escoar essa produção.

Nós, cidadãos comuns, que não somos fazendeiros nem produtores de coisa alguma perdemos semanas de nossas vidas indo e voltando do trabalho em meios de transporte obsoletos, lentos e ineficazes. Eu já comentei várias vezes, aqui nessa coluna, sobre o trem elétrico que ia de Pinheiral a Volta Redonda em 15 minutos e foi substituído por um sistema de ônibus, que leva 45 minutos para percorrer a mesma distancia de dez quilômetros, pulando por cima de 33 quebra molas. Os nossos prefeitos não se preocupam com isso, eles estão tranquilos, desfilando em seus carrões e nunca tiveram que esperar em pé num ponto por um ônibus lotado que leva até uma hora para passar.

É outro resultado da corrupção que torna os sistemas de transporte brasileiros antiquados e ineficientes. Veja o caso da ferrovia Norte-Sul, inaugurada pela presidente Dilma Rousseff em 2014 e que até hoje está abandonada, foi outra obra superfaturada e mal construída que não serviu para nada. Tudo isso afeta a eficiência do nosso país e ajuda a nos colocar naquela 60ª posição no ranking da competitividade mundial.

Tomemos o caso de um típico trabalhador brasileiro. O sujeito leva até duas horas para ir de casa até o local de trabalho em ônibus superlotados. Quando finalmente chega ao trabalho, para começar sua atividade diária, o sujeito já está cansado, esgotado. E nunca vai produzir tanto quanto um operário japonês ou norte-americano. Os países do primeiro mundo, aqueles que investem em modernidade e alta tecnologia, já estão implementando sistemas de transporte que parecem ter saído de um filme de ficção científica.

Como é o caso das cápsulas à vácuo do Hiperloop, dos Estados Unidos ou os maglevs e monotrilhos da Europa e da América do Norte. Nos Estados Unidos um dos primeiros sistemas de transporte por monotrilho suspenso foi inaugurado em 1962 na cidade de Seattle e funciona até hoje. No Japão e no Canadá é um meio de transporte comum nas grandes cidades. Não para em sinais de transito, é totalmente automático e o usuário só precisa escolher a estação onde quer descer num mapa eletrônico e apertar um botão.

No Brasil existe um sistema experimental na Linha 15 do metrô de São Paulo, mas ainda não atingiu a capacidade operacional dos sistemas asiáticos ou norte-americanos. No Rio de Janeiro, a Copa do Mundo de 2014 trouxe uma alternativa aos ônibus e metrôs. O VLT, uma versão moderna dos antigos bondes. Hoje, quatro anos depois, uma parte das linhas foi abandonada e as estações viraram refúgio de usuários de drogas e traficantes.

Enquanto o Brasil se arrasta e retrocede, o mundo avança. O que se reflete em todos os aspectos, na educação, na segurança, na saúde. Vide o papel deplorável apresentado pelos torcedores brasileiros na atual Copa do Mundo, hostilizando e assediando mulheres nas praças de Moscou. Uma consequência pura e simples da falta de educação brasileira.

E nosso atraso se reflete até nos esportes, como o futebol. A predominância do futebol europeu em competições como a Copa do Mundo é um resultado do abismo crescente entre a Europa e a América Latina. Enquanto eles ficam cada vez mais ricos e eficientes nos arrastamos pelos quebra molas da vida.

por: Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br

5 comentários

  1. >>>>>>> A VIDA E UMA SUCESSAO DE ERROS COM POUCAS VERDADES

  2. O Brasil tem sim enormes deficiências, mas eu sempre tenho ressalvas quanto a esses rankings. Eles omitem a maior parte do mundo, principalmente a África, além de boa parte da Ásia e alguns países do Leste Europeu e da América Latina, fora que os órgãos estatísticos no Brasil são uns dos mais eficientes, independentes, modernos e bem aparelhados do mundo, ou seja, nossas sujeiras são mais “evidentes” que as da maioria dos outros países… Em suma, nos comparam basicamente com os países desenvolvidos, o que é um deleite para os “vira-latas” de plantão…

    Estava lendo um artigo esses dias onde dizia que o Brasil era “o terceiro pior colocado no mundo em proficiência matemática”. O “mundo” deles tinha apenas 36 países…

  3. CEM Reais para votar, SEM ferrovias depois

    Em 1876 tínhamos uma ferrovia de fazer inveja aos americanos e aos ingleses. Tenho aqui comigo o mapa que D. Pedro II mandou desenhar após consolidar o mapa do Brasil que conhecemos, menos o Estado do Acre. O Brasil Império, além de conquistar esta nação continental que tem o desenho do mapa do Brasil, construiu uma malha ferroviária com as sobras das exportações de café que os fazendeiros destinavam ao governo. (as fazendas mandavam dinheiro e não o imperador que tirava deles. É como se fosse hoje Volta Redonda ou outra cidade enviando as sobras de dinheiro, ou contribuição, para o governo. Favor não confundir Brasil Imperial com Brasil Colonial, pois são períodos COMPLETAMENTE distintos).

    A ferrovia transportava café do interior, de onde o Judas perdeu as botas, diretamente para os portos. Na nossa região para Angra, ou para o Rio (malha que o Calife sempre lembra). O café era transportado em lombos de burros até a estação, ou produtos da estação para as fazendas. A mesma operação podia ser feita hoje com os caminhões aos trens, se existisse.

    O Brasil era moderno antes de 1876 com a monarquia. A diferença hoje é a república que não constrói nada e ainda acaba com o que temos, isso desde 15 de novembro de 1889, com o golpe militar chefiado por Deodoro da Fonseca.

    Acabei de ler um cientista político que afirma que o problema do Brasil é ter SISTEMA presidencialista. Modalidade que aglutina muito poder nas mãos de um homem só, e o outro problema é a centralização dos impostos (e por isso o presidente usa para fazer barganhas nada justas. Algo lembra o Temer para se manter no posto diante de acusações? O Cabral/Pezão para aprovar as suas louquices? O Samuca oferecendo cargos para os vereadores não aprovarem as contas públicas do Neto? Ou para obter o apoio de 20 vereadores no início de governo?)

    Mas como colocar isso na cabeça do povo para mudar? Mudar uma sociedade leva gerações. Como levar essas informações a eles se a maioria está torcendo para o seu time, ou assistindo novelas, ou mergulhados nos jogos eletrônicos?

    Li ontem uma jornalista que falava sobre a copa e o sentimento de patriotismo de muitos povos. Lembrou ela que nós brasileiros somos patriotas somente em época de copa. Segundo ela, na verdade não temos direção do que queremos enquanto nação, somos um bando de gente.

    Eu considero uma guerra vencida por convencer apenas um amigo.

  4. Perfeita análise que mostra que o Brasil “não é um país sério” e que aquela promessa do Lula de fazer o trem-bala, que ia passar por Volta Redonda, era mais um projeto para a elite, que não servia aos interesses do povo, que precisa de trens de carga para transportar a produção agrícola e baratear a comida do dia a dia!
    Além do mais, todas as obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas foram roubadas, ou seja, o povo teve que pagar um valor duas e até três vezes maior que o valor justo, pois as empresas eram corruptas e as empresas idôneas foram proibidas de atuar, pois não eram amigas do rei!
    Na década de sessenta a pequena Coréia-do-Sul tinha o mesmo PIB do Brasil, contudo eles desde aquela época aplicaram muito dinheiro na educação e, hoje, o PIB deles é muitas vezes maior que o do Brasil! Aqui no Brasil a educação só é boa para a elite, contudo essa elite depois de formada se muda para Lisboa ou Orlando, pois não quer viver num país onde a maioria da população é mal educada!
    Como diria o jornalista Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”…

  5. Pagador de impostos

    E ainda estamos em queda livre, meu caro Calife. Tomara que o fundo do poço não esteja muito longe. Depois, quando atingirmos o fundo, teremos que nos virar para tentar sair de lá. Vai ser trabalhoooooooooooooooso pra caramba. E o custo será imenso.

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