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Os erros de cálculo dos ditadores

Matéria publicada em 24 de abril de 2018, 07:01 horas

 


O ataque químico na Síria e a retaliação Norte-americana

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Síria: E os mísseis voaram de novo

Síria: E os mísseis voaram de novo

Na semana passada o regime do ditador Bashar al-Assad voltou a usar armas químicas na guerra civil da Síria. E o presidente norte-americano Donald Trump, que não perde tempo, mandou outra chuva de mísseis contra o país do oriente médio. Os russos, aliados da Síria, dizem que o ataque químico nunca aconteceu. Mas fizeram de tudo para dificultar o acesso dos inspetores da ONU a cidade atingida. Como aconteceu no caso do Boeing da Malásia, derrubado por um míssil russo sobre a Ucrânia.
O uso de armas químicas na Síria me lembra de outros erros de calculo cometidos por outros ditadores na era moderna. O mais famoso foi a invasão das ilhas Malvinas por tropas da Argentina em 1982. As ilhas do Atlântico Sul, que os ingleses chamam de Falklands, ficam a milhares de quilômetros da Inglaterra. E a junta militar argentina achou que os ingleses iam aceitar a invasão de braços cruzados.
Não passou pela cabeça dos generais e almirantes argentinos uma avaliação do comportamento da primeira ministra britânica Margareth Tatcher. Conhecida entre seus compatriotas como “a dama de ferro”. Tatcher não deixou barato, enviou uma poderosa frota naval, tirou da reserva seus bombardeiros Vulcan de longo alcance e mais de mil argentinos morreram por causa deste erro.
Só no afundamento do cruzador argentino General Belgrano, torpedeado pelo submarino nuclear HMS Conqueror, morreram 323 tripulantes. No final as Malvinas voltaram a ser Falklands e a ditadura militar argentina desmoronou. Outro ditador que cometeu um erro de avaliação foi o finado Saddam Hussein. Com o país endividado pela longa guerra contra o vizinho Irã, Hussein resolveu invadir o Kuwait em 1992. O Kuwait não tinha nem exército e parecia uma presa fácil.
Mas Saddam não levou em contra que o pequeno país vizinho tinha um acordo de proteção com os Estados Unidos. Governados na época pelo ex-piloto militar George Bush. Além disso, a invasão do Kuwait colocava em perigo a Arábia Saudita, outra aliada e fornecedora de petróleo para os americanos. E o que aconteceu com os argentinos se repetiu em maior escala com os iraquianos. Não só os americanos expulsaram os iraquianos do Kuwait como reduziram o Iraque a um monte de ruínas. Até hoje o Iraque ainda não se recuperou das duas guerras contra os Estados Unidos, a primeira em 1991 e a segunda em 2001.
A segunda invasão americana do Iraque teve como pretexto a existência de supostos arsenais de armas químicas. Esses gases e substâncias tóxicas começaram a ser usados durante a Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918. Seu efeito foi tão devastador que essas armas foram proibidas por tratados internacionais. Mas continuaram a ser usadas, principalmente no Oriente Médio.
Saddam Husein usou gases tóxicos contra os iranianos na guerra Irã-Iraque. E lançou o gás mostarda contra os curdos do norte do país. Na atual guerra da Síria já se registraram dois ataques químicos. Totalmente desnecessários já que o regime Síria está ganhando a guerra e reconquistou quase todo o território em poder dos rebeldes. O temido Estado Islâmico foi aniquilado com a ajuda dos bombardeios americanos e russos. Os outros rebeldes estão encurralados em uma região pequena.
Se fosse esperto Bashar al-Assad deixaria a guerra seguir seu curso. Donald Trump não quer envolver os americanos numa grande intervenção na Síria. Ele se limita a jogar uns mísseis aqui e ali, só para manter sua posição contra o uso das armas químicas. E os russos do Vladimir Putin deviam conter Assad. Porque suas ações só aumentam o isolamento do seu país. E uma Rússia pequena e isolada é ótima para a potencia emergente dos chineses.

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 

3 comentários

  1. HAHAHAHA!!!!!!! ESSE COXINHA SABE-TUDO DESCOBRIU QUE FORAM USADAS ARMAS QUÍMICAS, ALGO QUE NEM A AGÊNCIA DA ONU TEVE CONDIÇÕES DE CONFIRMAR…

    • Seria bom ele se reportar à ONU, para dar seu depoimento, conclusivo, sobre armas químicas, em prol da humanidade kkkkkkkkkkkkk
      É cada uma q aparece…………..

  2. Quem também errou nos cálculos foi a protoditadura do PT, que comprou o Congresso Nacional, aparelhou o Estado brasileiro, se infiltrou no meio artístico, na mídia, universidades, redações dos jornais, etc; criou um megaesquema de corrupção jamais visto na história para financiar suas campanhas e de seus aliados; e acreditou que governaria o Brasil para sempre. Mas não contava com as redes sociais, que mobilizaram os cidadãos de bem na luta contra o golpe petista; e com a Operação Lava Jato, que revelou o esquema. Ditadores sempre cometem algum erro de cálculo. Sorte nossa.
    P.S.: E agora começa a gritaria petista: coxinha, golpista, “mas e o Aécio?”, “prenderam o Lula sem provas”, mimimimimi…

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