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Os fracassos e os sucessos do Japão

Matéria publicada em 6 de julho de 2018, 08:34 horas

 


Eliminação da copa e explosão de foguete não abalam o prestígio nipônico

Desastre: A explosão do pequeno Momo 2

Na última segunda-feira (02), como bem se recordam, a seleção japonesa foi eliminada da Copa do Mundo da Rússia. Dois dias antes o foguete japonês Momo 2 explodiu na plataforma de lançamento, colocando em dúvidas o futuro da empresa japonesa Interestellar Technologies, primeira empresa particular do Japão a lançar um foguete espacial no ano passado, que pretende entrar no negócio do transporte espacial.

Mas sua última tentativa terminou com uma explosão espetacular na plataforma de lançamento. Não é uma perda total. É bom lembrar que o programa espacial americano começou com um desastre semelhante, quando o foguete Vanguard explodiu em 1958. E dez anos depois eles estavam enviando homens para a Lua. Pior foi o Brasil, nosso foguete explodiu em 2003, matando 20 pessoas e nunca mais conseguiram fazer outro. Os japoneses devem analisar as causas do fracasso e tentar de novo daqui a uns dois meses. A dedicação e a persistência são uma marca do espírito nipônico.

Mesmo com a saída da Copa e a explosão do Momo 2, o Japão ainda tem muito o que comemorar. A Agência Espacial Japonesa, JAXA, segue de vento em popa e, na semana passada, conseguiu colocar uma sonda espacial, a Hayabusa 2 em cima do asteroide Ryugu. O que é uma façanha notável. Só a NASA americana e a ESA europeia já fizeram algo semelhante. A Hayabusa 2 é um robô sofisticadíssimo, movido por propulsores iônicos semelhantes aos usados pelos caças do Darth Vader em Guerra nas Estrelas.

O robô vai colher amostras da superfície do asteroide, em forma de diamante e deve voltar a Terra com elas, pousando no deserto australiano em 2020. E não é a primeira vez que a JAXA consegue uma façanha dessas. Em 2010 a Hayabusa 1, a primeira sonda iônica japonesa já tinha visitado o asteroide Itokawa.

Os foguetes da série Momo, como o que explodiu no sábado passado, são veículos pequenos, projetados para colocar satélites de pequeno porte na órbita da Terra. Eles têm dez metros de comprimento e pesam uma tonelada métrica. Já o Falcon 9, da empresa americana Space X, pesa 540 toneladas e tem 70 metros de comprimento. A vantagem do Momo japonês é que ele é mais barato e um lançamento custa em torno de 440 mil dólares. Em contraste com os 50 milhões de dólares de custo de um Falcon 9. Quando ele começar a funcionar será vantajoso para empresas que querem orbitar pequenos satélites de navegação.

O problema com o Momo 2 foi semelhante ao que destruiu o Vanguard americano em 1958. Uma pane nos motores do primeiro estágio logo após o lançamento. O que fez com o que o foguete desabasse na plataforma de lançamento, explodindo com a ruptura de seus tanques de combustível. O que os engenheiros da Interestellar terão que fazer será aperfeiçoar o projeto dos motores para evitar novas panes desse tipo.

É bom lembrar que o Japão já opera foguetes de grande porte, como o H-2A construído pela empresa Mitsubishi Corporation. Foi um H-2A que enviou ao espaço a sonda Akatsuki, que vai visitar o planeta Venus e a Hayabusa 2. É um foguete de médio porte, que só perde para o Falcon 9 americano porque seus estágios não são recuperáveis. Embora ainda esteja longe de ser uma potencia no futebol, o Japão é uma potencia tecnológica, desenvolvendo tecnologias de ponta na área da robótica e dos transportes.

Derrotados na copa os torcedores japoneses vão retornar para seu país e encontrar cidades imaculadamente limpas, meios de transporte super eficientes, segurança total e hospitais moderníssimos.

Já os brasileiros que foram à Rússia, que país eles vão encontrar quando voltarem da Copa? Nem é preciso descrever.

 

4 comentários

  1. Viva o Japão!! Limpar o ambiente (a própria sujeira) em estádios de futebol após o jogo é de uma civilidade extrema. Não é preciso falar mais nada.

  2. Sendo um país sério, a educação no Japão leva ao respeito dos professores e forma grandes empreendedores nas ciências e na indústria, no entanto, no Brasil se despreza a educação e o educador, logo só podemos formar bandidos e semi-analfabetos!

    Como diria o ex-Senador Mão Santa: “A ignorância é audaciosa!”….

  3. Calife, vc está demonstrando um certo complexo de vira-latas ao (tentar) justificar o fracasso japonês… Quer comparar o fracasso nipônico no lançamento de seu foguete a fato similar ocorrido nos EUA há mais de 60 anos, mas sem levar em conta todo o abismo técnico e científico existente nesse ínterim. Problemas podem sempre acontecer, mas a comparação é absurda, até porquê nos anos 50 ainda havia a questão do pioneirismo, tudo era novo, e o sucesso advém de insistências no método tentativa-erro…

    Quando ao Japão, concordo. É um país rico, desenvolvido, pode e deve insistir no seu projeto. O Brasil sequer deveria ter iniciado o seu, mas fez bem em não persistir, afinal temos outras prioridades… Só que eu não ficariam triste ao voltar para o Brasil, afinal aqui um rodízio de churrasco não tem o mesmo valor de um carro usado, as mulheres têm bumbum, a cerveja é boa, temos praias e montanhas e muitas centenas de quilômetros para andar sem precisar entregar passaporte… Talvez, se fosse um pouco mais “geek”, até optaria pela Terra do Sol Nascente…

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