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Os grandes mistérios do espaço sideral

Matéria publicada em 10 de maio de 2018, 07:00 horas

 


Dentro de alguns meses a agência espacial americana Nasa pretende resolver um dos grandes mistérios da física e do universo. O que acontece com a matéria quando ela é comprimida dentro das estrelas de nêutron. Para isso a Nasa vai usar um instrumento instalado a bordo da Estação Espacial Internacional ISS para captar fótons de raios X, emitidos pelo mais próximo desses astros condensados. O telescópio de raios X NICER, sigla em inglês de Explorador da Composição Interna das Estrelas de Nêutron, colocado na parte externa da estação, está observando a JO437-4715, que fica a 512 anos luz da Terra (um ano luz é igual a 3,9 trilhões de quilômetros).
Já sabemos qual é a massa dessa estrela. Aproximadamente 1,44 vezes a massa do Sol. Seu tamanho aproximado também é conhecido. Ela mede de 20 a 28 quilômetros. Mas esse grau de incerteza não é o suficiente para os físicos. Eles querem saber o que acontece com os átomos quando são esmagados e espremidos dentro de um volume tão pequeno. Uma teoria diz que os quarks, as partículas que formam os prótons e nêutrons dos átomos, se misturam em uma espécie de sopa. Outra teoria diz que eles se combinam para formar aglomerados que não existem aqui na Terra. Sabemos que as estrelas de nêutrons são mais densas que o núcleo dos átomos, mas isso é tudo por enquanto.
Para medir o tamanho exato da estrela o telescópio vai captar os fótons, partículas de raios X que brotam das regiões mais quentes da superfície da estrela. À medida que a estrela gira em alta velocidade esses pontos brilhantes parecem piscar como a luz de um farol. Medindo o tempo dessas piscadelas é possível medir sua velocidade de rotação. Já que essas oscilações dependem do raio e da velocidade de rotação da estrela.
O campo de gravidade da estrela de nêutrons é tão intenso que ele pode curvar a luz. Fazendo com que um fóton que saiu detrás da estrela dê meia volta e venha em direção a Terra. A intensidade desta curvatura também é uma função da massa e do raio da estrela. Se tudo correr bem a Nasa terá esses dados antes do inverno terminar. E com esses dados os físicos poderão descobrir outras informações sobre a estrutura e a composição da matéria.
Outra grande pergunta que as pessoas fazem quando olham para o céu estrelado é se existe vida inteligente lá em cima. Um meio de tentar responder a essa pergunta é apontar antenas parabólicas para o céu. E tentar ouvir possíveis emissões de rádio feitas por outras civilizações do Universo. Mas existe também um outro tipo de abordagem, a abordagem arqueológica.
Se existem outros seres inteligentes no Universo eles podem ter visitado o nosso sistema solar em épocas passadas. E deixado marcos ou artefatos para sinalizar a sua passagem. Algo como aquele monólito do filme “2001: Uma odisseia no espaço”. O problema é que o sistema solar é imenso e só agora está começando a ser explorado. Quando a nave Mariner 9 fotografou a superfície de Marte, em 1969, algumas fotos revelaram uma estrutura que parecia um grande rosto esculpido na passagem marciana. Infelizmente imagens posteriores mostraram que se tratava apenas de um efeito de luz e sombra produzido pelo sol em uma simples montanha.
Recentemente a sonda espacial Dawn fez um mapeamento semelhante na superfície do asteroide Ceres. E as imagens revelam um desenho que parece um quadrado dentro de um triângulo, em uma das extremidades da cratera de Occator.
Pode ser outra ilusão, como a “face de Marte”. Pode não ser. O importante é continuar procurando. Cedo ou tarde encontraremos todas as respostas.

Geométricos: O quadrado e o triângulo de Ceres

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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