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Os radicais não emplacam em 2018

Matéria publicada em 7 de janeiro de 2018, 07:00 horas

 


Colunista esquece as retrospectivas e dá seus palpites sobre as eleições gerais deste ano

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Esta é a primeira coluna do ano, e como o colunista está cansado das retrospectivas que todo ano invadem a TV, tão certo quanto o especial do Roberto Carlos, vamos partir para algo mais ousado: em vez de falar do que aconteceu, vamos falar do que deve acontecer nas eleições deste ano, sem búzios, tarô, bola de cristal ou qualquer outro tipo de clarividência ou mediunidade. A lógica será nosso guia. A primeira “profecia” é que radicais, sejam de esquerda ou de direita, não vão emplacar nos cargos executivos, embora alguns devam ganhar cadeiras de deputado e, talvez, de senador.

E por que radicais não “emplacam”? Porque o eleitor brasileiro tradicionalmente rejeita esse tipo de político. Um exemplo é o ex-presidente Lula, que, enquanto pregou calote na dívida externa e outras medidas do tipo, sempre ficou pelo meio do caminho. Só ganhou quando assumiu o discurso do “Lulinha paz e amor” em 2002. E fez um governo que, embora sujeito a críticas por outros motivos, não rompeu com o FMI, não estatizou a torto e a direito, enfim, não propôs nem cumpriu a agenda radical que o PT tinha no século XX.

Deputados estaduais e federais

Nas eleições gerais deste ano, espera-se um elevado nível de renovação nos legislativos estaduais e federal. Os políticos com mandato estão com o prestígio em baixa, e só quem tem eleitorado muito fiel deve repetir a votação de 2012. Nomes novos, sem envolvimento em escândalos, têm chances de surpreender. Existe também a possibilidade de haver uma multiplicação do fenômeno “Tiririca”, com candidatos pouco prováveis sendo eleitos pelo voto de protesto.

Para o senado, no Estado do Rio, ainda há que esperar pelos nomes. Mas é possível dizer que se aplica o que foi dito sobre candidatos a deputado.

Governador

No Estado do Rio, o governador Pezão não será candidato à reeleição, já que este é um segundo mandato, de acordo com a lei – ele assumiu o governo em 2014, depois que Sérgio Cabral renunciou. O PMDB ainda precisa definir um nome para a disputa, mas o partido está desgastado com sucessivos escândalos e com a crise econômico-financeira no estado, o que reduz as chances da legenda.

O ex-governador Anthony Garotinho (PR) é outro nome que sofreu com o desgaste, tendo sido preso preventivamente num processo por suspeita de crime eleitoral que ainda não foi julgado em definitivo. Dificilmente conseguiria se candidatar.

O DEM tem o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, como um possível nome, mas até agora não há sinais concretos de que ele esteja pensando nessa possibilidade e ele pode pensar em voos mais altos e sonhar com o Senado ou a Presidência da República. Pode também preferir apostar numa tentativa de reeleição.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, poderia pensar numa candidatura, já que em 2014 ele conseguiu chegar ao segundo turno contra Pezão, numa disputa que contava também com Garotinho no primeiro turno. Resta saber se ele se disporia a deixar a prefeitura da Capital com apenas metade do mandato cumprido.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) é um nome forte da esquerda e pode ser um candidato competitivo – ele disputou o segundo turno para prefeito do Rio contra Crivella. O problema, no caso, vai ser se ele conseguirá reunir a esquerda fluminense em torno de sua candidatura. Um problema é que ele pode ser visto por parcelas do eleitorado como radical.

Já houve menção a um dos filhos do deputado Jair Bolsonaro como possível candidato no Rio, mas ele padeceria do mesmo problema de Marcelo Freixo: ser visto como um radical, só que de direita.

O senador Romário (Podemos) é outra possibilidade de candidatura, mas é preciso saber se o “Baixinho”, que foi eleito senador em 2008, aceitaria abrir mão de uma reeleição bastante provável, já que conta com muitos votos de torcedores de futebol e tem a vantagem de não ter sido exposto intensamente na mídia em função de escândalos. Aliás, o prefeito de Volta Redonda, Samuca Silva, do mesmo partido de Romário, é também um dos possíveis postulantes ao comando do Estado do Rio.

Sejam quais forem os nomes, a expectativa é que os fluminenses escolham um governador que represente uma postura moderada, em termos ideológicos e, principalmente, que tenha uma proposta para equilibrar as finanças públicas.

Palpites: Nem os videntes conseguiriam acertar os nomes de vencedores das eleições (Foto: Reprodução internet)

Palpites: Nem os videntes conseguiriam acertar os nomes de vencedores das eleições (Foto: Reprodução internet)

Presidente

O nome da direita mais empedernida para presidente é o de Jair Bolsonaro, que detesta o PT e os comunistas, tem posições de direita no que diz respeito a questões como gênero, drogas e porte de armas, mas, no campo econômico, se revela estatista e intervencionista. Não parece ser um bom nome para a direita mais ligada ao mercado, os capitalistas liberais. Pode perder muitos votos por ser considerado radical.

Rodrigo Maia, do DEM, atual presidente da Câmara dos Deputados, pode ser um nome. Mas não é exatamente o rei do carisma. E ainda teria de lidar com o PSDB.

Os tucanos podem ter o prefeito de São Paulo, João Dória, como candidato, mas ficaria feio pra ele largar a maior cidade – e o terceiro maior orçamento – do Brasil mal completado um ano e meio de mandato. Nomes como Alckmin e Serra despertam tanto a paixão do eleitor como um videoteipe de uma partida amistosa entre dois clubes da  terceira divisão do campeonato da Islândia. Aécio Neves seria automaticamente metralhado pela oposição, com muitas acusações. è ver quem eles tiram da manga ou se fazem alguma aliança.

Pela esquerda, o nome da vez é o do ex-presidente Lula. Atacado por todos os lados, cheio de processos, Luís Inácio ganha mais simpatia de seus seguidores cada vez que é atacado. E é preciso que seus adversários tomem cuidado com a “síndrome do coitadinho”. Tem muita gente que adora uma vítima e pode ser levada a votar no petista justamente por causa de o acusarem tanto.

Por outro lado, o peso das acusações de corrupção e a crise econômica que começou no governo Dilma e insiste em incomodar até hoje pode tirar muitos votos de Lula. Além disso, no dia 24 de janeiro, a candidatura dele pode ser enterrada em definitivo, caso a Justiça Federal o condene em segunda instância.

Se Lula não for candidato, o nome da esquerda para a presidência deve ser o de Ciro Gomes. O colunista ouviu de um dos principais nomes da direita brasileira – que estava falando em off – que Ciro seria um adversário muito difícil por causa de sua capacidade de responder rápido e de maneira ousada: “Ele destruiria Bolsonaro em um debate”, disse o líder direitista. Ciro também está longe de ter uma postura radical. Tem bom trânsito entre o empresariado – foi diretor da CSN – e pode ser visto como um possível candidato de consenso.

Um pouco à direita de Ciro Gomes está Álvaro Dias, pré-candidato do recém-criado Podemos. Político “leve”, com poucas menções em investigações e sem receber nenhum ataque midiático forte, Dias tem a desvantagem de ser pouco conhecido, embora isso possa ser revertido por uma estratégia de marketing que o venda ao público como uma novidade.

Em resumo

Claro que está muito cedo para arriscar palpites sobre os possíveis vencedores de eleições cujos candidatos ainda nem conhecemos. Mas já é possível prever que o eleitorado vai fugir dos extremos ideológicos, tanto à esquerda quanto à direita. Portanto, nomes moderados devem ser vencedores nas disputas para o Executivo. Nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional, deve haver muita renovação, mas dificilmente os radicais serão maioria.

Futebol

E pra não dizer que não falei de futebol, duvido, mas duvido muito mesmo que o Brasil ganhe a Copa na Rússia. Acho que cai nas quartas, ou vai no máximo à semifinal para repetir o quarto lugar de 2014.

 

 

PAULO MOREIRA | paulomoreira@diariodovale.com.br

24 comentários

  1. #Bolsonaro2018

  2. Adoro ler as abobrinhas de alguns borra botas, que aqui aparecem. São realmente uns babacas, que não tem nem peito, para colocar seus nomes reais. Isso lá na minha terra, chama-se Covarde.

  3. Itamar Batista de Douza

    Corrigindo…digitei a letra D ao invés de S no meu sobre nome ,é Souza e não Douza.

  4. Itamar Batista de Douza

    Quando estou lendo estes comentários aqui e opiniões , fico pensando porque as pessoas se dispõe a comentar as matérias do Diário do Vale com pseudônimo esquisitos e escrachando um outro que está comentando sem se preocupar com o principal e a matéria escrita.Eu quando coloco meu comentário aqui neste jornal que aprecio coloco meu nome ,”mostrando minha cara” por acreditar na seriedade deste Jornal e em respeito aos seus leitores.

  5. Excelente matéria, contudo gostaria que tivesse sido incluído o nome do Bernardinho para o governo do Estado do Rio de Janeiro, pois se ele aplicar 20% de todo empenho que o levou a ser hexacampeão com o time de voley brasileiro, ele será um ótimo governador!

  6. Boa reflexão…….Tomara que dessa vez o povo tome vergonha na cara e pare de vender voto , disfarçado de trabalho em boca de urna…ah, estou na luta também…

  7. Sou boi, por isso voto na boiada, votarei no Albertassi e no Zoinho, pessoas super idôneas.

  8. Excelente artigo. Gostaria de saber, no entanto, o que o jornalista pensa de uma possível candidatura de Luciano Huck. Também andam cogitando o dito “doctor Rey”, que por sua vez talvez não seja digno de menção. Se fosse uma aposta em que não estivesse em jogo o futuro da nação, eu apostaria do Ciro Gomes, como provável eleito. Mas como isso não é um “jogo” me pergunto se as intenções do candidato combinam realmente com seu discurso.

  9. Smilodon Tacinus - O Emir Cicutiano

    Para quem for votar em Lula, uma dica: prestem MUITA ATENÇÃO em quem vai ser seu vice… Não é preciso ser muito esperto para saber o porquê. Aliás, há mais de um “porquê”…

  10. Vejo o Senador Álvaro Dias, correndo por fora, como AZARÃO. Equilibrado e muito honesto, com certeza será a opção dos eleitores que querem um Brasil melhor. Bolsonaro também é honesto, mas muito radical. Lula se for candidato (acho que a Justiça vai aliviar para esse safado ) será humilhado nos debates, principalmente por Bolsonaro, que está fazendo, ou montando um DOSSIÊ de arrepiar sobre este pilantra, sindicalista, analfabeto e mal caráter. Bom artigo amigo. Parabéns.

    • Aécio "A gente mata antes de delatar" Neves

      Como alguém que escreve “‘MAL’ caráter” pode chamar alguém de analfabeto? Esses pobres de direita com Síndrome de Dona Florinda são um mix bizarro de humoristas involuntários e marionetes de telejornal.

    • Felizmente não sou Pobre de direita, você sim deve ser pobre de esquerda.Realmente cometi um erro de português mas isso não invalida minha opinião. Fique com seu Ladrãozinho de esquerda e antes que eu me esqueça vá te catar.

    • Aécio "A gente mata antes de delatar" Neves

      Ah, não é pobre? Com esse portuguesinho fim de feira, deve ser jogador de time grande, banqueiro do bicho ou chefe de morro…
      Tiozinho Malta, se houvesse Bolsa Família na época da sua mãe, a véia não precisaria ter tirado vc da escola tão precocemente.

    • Se vc diz q não é pobre, pelo menos deveria investir, uma parte de seus milhões, em cultura.

    • Percebe-se pelos comentários como os eleitores da quadrilha do PT são calmos e abertos ao debate! Parece que os mesmos estão em uma arena de luta, armados com ofensas e palavras de rebaixamento. Não são capazes de respeitar uma simples OPINIÃO em um jornal.

    • Aécio "A gente mata ele antes de delatar" do Helicoca

      Coxinhas compartilhadores de fake news, patos amarelos, pobres paneleiros de direita e demais Donas Florindas são articulados e ponderados.
      No trato do idioma revelam os anos bem aplicados em ambientes escolares e acadêmicos de qualidade.

  11. oi Paulo, muito bom o texto, só há um erro, o Romário foi eleito senador em 2014, então pode concorrer tranquilamente ao cargo de governador (caso assim desejar) já que sua reeleição como senador seria apenas em 2022.

    abraços, sucesso, sempre.

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