ÔĽŅ Os segredos do abismo - Di√°rio do Vale
quinta-feira, 16 de agosto de 2018

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Os segredos do abismo

Matéria publicada em 18 de janeiro de 2018, 14:48 horas

 


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Ningu√©m fala mais no submarino argentino ARA San Juan que sumiu no Atl√Ęntico Sul em novembro. Vai completar dois meses, a embarca√ß√£o foi considerada perdida e as buscas abandonadas. Aparentemente o submarino russo, que ia pesquisar a regi√£o do desastre, tamb√©m n√£o encontrou nada. O fundo do mar √© um ambiente mais hostil e inacess√≠vel do que o espa√ßo sideral. E quem disse isso foi o astronauta americano Scott Carpenter, que se tornou mergulhador depois de orbitar a Terra durante o projeto Mercury.

Uma nave espacial pode ser feita de material leve, porque ela só precisa resistir a pressão interna do ar. Os módulos lunares, que levaram os astronautas americanos até a superfície da Lua, eram feitos de um metal tão fino, que um astronauta poderia furar com um chute. Já os submarinos precisam resistir a uma pressão de toneladas por metro quadrado. Seu casco de pressão é feito de aço com vários centímetros de espessura e soldado com precisão.

Al√©m disso, no espa√ßo sideral a vis√£o √© ilimitada. O astronauta n√£o tem dificuldade de enxergar o que se encontra ao seu redor. L√° de cima ele pode ver at√© as trilhas de vapor deixadas pelos avi√Ķes na atmosfera. No fundo do mar a visibilidade n√£o vai al√©m de alguns metros. Al√©m disso, a luz do Sol s√≥ penetra at√© uns duzentos metros de profundidade. No fundo dos oceanos a escurid√£o √© total e o explorador se v√™ tateando em um ambiente onde at√© uma montanha fica invis√≠vel se estiver a mais de 50 metros de dist√Ęncia.

Mesmo assim a tecnologia tem progredido muito nos √ļltimos 100 anos. Em 2009, submarinos rob√īs norte-americanos do tipo Remus 6000 conseguiram encontrar os destro√ßos do avi√£o Airbus 330, da empresa Air France a 3980 metros de profundidade no meio do oceano Atl√Ęntico. Uma profundidade equivalente a do talude continental onde se perdeu o submarino argentino.¬† Os rob√īs foram desenvolvidos pelo Instituto Oceanogr√°fico Woods Hole, a mesma institui√ß√£o que encontrou os destro√ßos do transatl√Ęntico Titanic em 1982 e o casco do navio de guerra alem√£o Bismarck, perdido durante a Segunda Guerra Mundial.

Os rob√īs do Woods Hole representam um avan√ßo not√°vel em rela√ß√£o ao primeiro ve√≠culo de explora√ß√£o submarina profunda, a batisfera, criada em 1930 pelo engenheiro americano Otis Barton. A batisfera, como o nome indica, era uma bola oca de a√ßo com paredes de 2,5 cent√≠metros de espessura. Janelas de quartzo, com 7,6 cm de espessura permitiam que o tripulante fotografasse os peixes e o fundo do oceano. Com essa batisfera o naturalista americano William Beebe desceu at√© uma profundidade de 920 metros, perto das ilhas Bermudas batendo um recorde.

O problema com a batisfera √© que ela ficava presa por um cabo de a√ßo a um navio na superf√≠cie. Se o cabo rompesse a esfera e seus tripulantes estavam perdidos. Buscando um meio mais seguro de explorar o fundo do mar, o cientista su√≠√ßo August Piccard criou o batiscafo na d√©cada de 1940. O batiscafo usa o mesmo princ√≠pio dos bal√Ķes dirig√≠veis. Ele cont√©m um casco cheio de gasolina, que √© mais leve do que a √°gua e assim faz a embarca√ß√£o flutuar. E uma bola de a√ßo oca embaixo, onde ficam os tripulantes (os bal√Ķes flutuam na atmosfera por estarem cheios de g√°s mais leve que o ar).

O √ļltimo batiscafo de Piccard foi usado para encontrar os destro√ßos do submarino nuclear americano Thresher, perdido em 1963. A perda do Thresher levou o governo americano a financiar a constru√ß√£o de in√ļmeros submarinos de pesquisa profunda, como o Alvin, usado na explora√ß√£o do Titanic.

No futuro devem entrar em opera√ß√£o submarinos capazes de se mover com a agilidade dos avi√Ķes na atmosfera. E descer at√© os abismos mais profundos.

Remus 6000: Achou o avi√£o da Air France em 2009

Remus 6000: Achou o avi√£o da Air France em 2009

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

3 coment√°rios

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  3. Muito triste o que aconteceu com o submarino argentino. √Č assustador como que, apesar de toda a nossa tecnologia, o mar ainda se apresenta como um ambiente hostil e indom√°vel.

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