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Os talentos múltiplos de Gustavo Valente

Matéria publicada em 25 de outubro de 2017, 07:05 horas

 


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Natural de Angra dos Reis, o artista plástico e responsável técnico do Centro Cultural Theóphilo Massad (CCTM), Gustavo Valente divide seu tempo entre o trabalho burocrático e um trabalho singular de construção de bonecos a partir da técnica de papietagem.

Antes de enveredar na confecção de bonecos, Gustavo trabalhou como segurança do CCTM, protegendo obras de arte de outros artistas. De lá para cá, passou a trabalhar como técnico no teatro; depois ficou a frente do Bloco dos Artistas por mais de 10 anos, onde também ficava responsável pela confecção dos grandes bonecos que invadiam a cidade no primeiro dia de Carnaval; trabalhou no Barracão de Escolas de Samba do Grupo principal do Carnaval carioca; e começou a levar suas obras de arte para participar de grandes exposições.

Em 2015, o artista plástico foi desafiado a transformar os grandes bonecos que invadiam as ruas de Angra e Paraty, a confeccionar bonecos que cabiam na palma da mão. Nesse mesmo ano criou uma coleção a partir das danças da Festa do Divino Espírito Santo, festa tradicional na cidade, e após a exposição na Casa Larangeiras, Centro de Angra, recebeu uma proposta tentadora: Vender para um colecionador todas as peças, que além de fazer parte do acervo do comprador, iriam ficar expostas em uma importante galeria de Arte do Rio de Janeiro.

Nesse ano, no mês de julho, ao conversar com Gustavo sobre a dificuldade em trabalhar o tema Commedia Dell’Arte em sala de aula, pois não possuo muitas máscaras no meu acervo, ele perguntou se eu não gostaria de construir as personagens destaque do gênero teatral em formato de bonecos. Eu, então, perguntei: “Você topa esse desafio?”. Ele prontamente respondeu: “Só se for agora!”. Então, começou a estudar e a pesquisar quais eram os personagens, seus trejeitos e suas principais características. E logo depois do estudo levantado, começou a confeccionar os bonecos.

Em três meses, pude à distância, através de uma conversa via WhatsApp, acompanhar todo o processo de construção, desde a armação em arame até a última pincelada para o acabamento final. Foram mais de 120 fotos ao longo do processo. Todas salvas em uma pasta do celular para deixar registrado todo o processo. E no final de três meses, quatro importantes personagens (Pantaleão, Arlequim, Pierrô e Colombina) passaram a fazer parte do meu acervo pessoal, e eles não vieram sozinho, pois o artista criou uma caixa, também feita de papietagem, para guardar os bonecos. Porém, não é uma simples caixa, ao ser aberta ela se transforma em um pequeno palco itinerante, uma reprodução do palco onde os artistas da Commedia Dell’Arte se apresentavam.

Após a confecção dos bonecos inspirados na Commedia Dell’Arte, o colecionador do Rio de Janeiro solicitou a Gustavo a coleção completa com mais de vinte personagens da Commedia Dell’Arte. Se você, leitor, quiser adquirir algum boneco, ou quiser encomendar algum, procure o artista nas redes sociais e entre em contato. Uma coisa eu posso garantir: Ele é muito bom e o trabalho é incrível!

 

 

 

JOÃO VITOR MONTEIRO NOVAES  | joao.vitor@diariodovale.com.br

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