ÔĽŅ Os tornados de fogo na superf√≠cie do Sol - Di√°rio do Vale
terça-feira, 14 de agosto de 2018

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Capa / Ci√™ncia ‚Äď Por Jorge Calife / Os tornados de fogo na superf√≠cie do Sol

Os tornados de fogo na superfície do Sol

Matéria publicada em 19 de abril de 2018, 07:05 horas

 


Colunas de plasma n√£o giram como os tornados da Terra

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Tornado: Uma ponte de fogo na superfície do sol

Tornado: Uma ponte de fogo na superfície do sol

A superf√≠cie do Sol, a estrela mais pr√≥xima da Terra, √© um mar de fogo tempestuoso. Cientistas t√™m observado tornados de plasma incandescente maiores do que a Terra subindo deste oceano √≠gneo e usaram o efeito Doppler para estudar suas caracter√≠sticas. Um estudo recente, divulgado na Conferencia de Astronomia e Ci√™ncias Espaciais da Europa mostra que essas colunas incandescentes n√£o giram como os tornados da Terra. Elas ficam presas num √ļnico ponto devido a a√ß√£o dos campos magn√©ticos que envolvem o Sol.
A pesquisa foi feita pelo cientista Nicolas Labrose da universidade de Glasgow na Esc√≥cia, e sua colega Brigitte Schmieder do Observat√≥rio de Paris. Eles conseguiram produzir um modelo tridimensional das estruturas que foram fotografadas pelo sat√©lite Observat√≥rio Solar Din√Ęmico da Nasa. O que parecem tornados s√£o na verdade parte das proemin√™ncias, arcos de fogo que saltam sobre a superf√≠cie solar acompanhando o movimento dos campos magn√©ticos.
O efeito Doppler é uma variação na frequência das ondas de luz ou de som provocada pelo movimento. Se a fonte das ondas se aproxima de nós ela parece mais curta. Se se afasta ela parece mais longa. No caso da luz o encurtamento das ondas faz a luz ficar azulada, e dizemos que ela foi desviada para o azul. Se a fonte estiver se afastando as ondas mais longas ficam e a luz se torna avermelhada, ou desviada para o vermelho.
Foi o desvio para o vermelho da luz de gal√°xias distantes que permitiu que o astr√īnomo americano Edwin Hubble descobrisse a expans√£o do Universo. Base para a teoria do Big Bang. No caso do estudo do Sol o efeito Doppler permite estudar o movimento dos ciclones e ondas de mat√©ria incandescente na superf√≠cie da estrela. O sol √© uma estrela de tamanho m√©dio e que nem √© das mais turbulentas. O que √© √≥timo para n√≥s. Outras estrelas emitem labaredas muito maiores que podem destruir a vida nos planetas que fiquem muito perto delas.
√Č o caso da estrela Proxima Centauri, a mais pr√≥xima da Terra depois do Sol. Pr√≥xima Centauri tamb√©m tem um sistema de planetas, e um deles, o Proxima B se encontra a uma distancia favor√°vel para a exist√™ncia de vida.
Infelizmente, observa√ß√Ķes feitas com os telesc√≥pios do observat√≥rio de Cerro Tololo, no Chile, mostram que Proxima Centauri produz imensas labaredas que bombardeiam o planeta vizinho com radia√ß√£o suficiente para destruir uma poss√≠vel camada de oz√īnio. Na verdade nem sabemos se Proxima B tem uma atmosfera semelhante a da Terra. Mas se tiver ela ser√° destru√≠da em pouco tempo pelas labaredas de seu sol vermelho.
A erup√ß√£o observada pelos telesc√≥pios de Cerro Tololo foi t√£o intensa que aumentou em 68% o brilho da estrela. A vida na Terra s√≥ √© poss√≠vel porque nosso planeta fica a uma distancia segura do Sol e tem uma camada de oz√īnio, na atmosfera, para nos proteger dos raios ultravioleta emitidos pela nossa estrela vizinha.
Sem as estrelas a vida n√£o existiria no Universo. √Č nas estrelas que s√£o manufaturados os elementos qu√≠micos como o carbono e o oxig√™nio, que s√£o vitais para a vida como a conhecemos. Mas as mesmas estrelas que criam a vida podem destru√≠-las com suas explos√Ķes e erup√ß√Ķes catacl√≠smicas. Daqui a bilh√Ķes de anos, quando o combust√≠vel de hidrog√™nio que mantem o sol aceso se esgotar, ele vai inchar como um bal√£o. Nessa √©poca o nosso planeta vai ficar t√£o quente que os oceano v√£o evaporar e a vida na Terra se tornar√° imposs√≠vel.
Logo depois o sol lan√ßar√° no espa√ßo suas camadas externas, criando uma bela nebulosa planet√°ria. E consumindo os planetas mais pr√≥ximos como Merc√ļrio, V√™nus e a Terra.
Até lá a vida inteligente, que surgiu na Terra terá que desenvolver meios para se mudar para outros planetas mais distantes.

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 

Um coment√°rio

  1. Ainda h√° muito a saber sobre a nossa estrela, que hoje nos traz vida, mas daqui a alguns bilh√Ķes de anos, trar√° morte ao nosso planeta. Espero que at√© l√° a humanidade n√£o tenha se destru√≠do e j√° tenha vendido as imensas dist√Ęncias entre as estrelas, encontrando por fim um novo lar.

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