ÔĽŅ P√£o e circo - Di√°rio do Vale
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P√£o e circo

Matéria publicada em 19 de janeiro de 2018, 07:00 horas

 


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‚ÄúSe n√£o t√™m p√£o, comam brioches‚ÄĚ. Atribui-se √† rainha Maria Antonieta esse ‚Äúconselho‚ÄĚ aos franceses que com fome estavam em busca de alimento. Nunca se teve a certeza de que esta frase saiu mesmo da boca da rainha, mas mesmo assim a incerteza ajudou, e muito, a provocar uma enorme insatisfa√ß√£o no povo, o que acabou por culminar com a Revolu√ß√£o Francesa, j√° no fim do s√©culo XVIII. Dita ou n√£o, a tal frase mostrou para um pa√≠s inteiro o que seus governantes pensavam do povo e de suas necessidades. Onde h√° fuma√ßa, h√° fogo.

Outra express√£o que marcou um tempo, mais especificamente o passado em Roma, mais ou menos em 70 d.C.: ‚ÄúP√£o e Circo‚ÄĚ. Esta deu pano para manga e mostrou que essa pol√≠tica havia sido criada de forma a manipular o povo romano, onde a aristocracia buscava fazer a plebe n√£o dar a menor aten√ß√£o a pol√≠tica, e sim para tudo o que tivesse haver com comida e divertimento. O resto era ‚Äúperfumaria barata‚ÄĚ, √© bom que se diga que esta express√£o n√£o era daquela √©poca.

Express√Ķes estas ditas ou n√£o ditas, de t√£o forte que eram acabaram se imortalizando e atravessando os s√©culos, ganhando for√ßa e verdade, nunca tendo sa√≠do da boca do povo, que hoje tal qual naquela √©poca ainda vive sob a √©gide do governo em todas as suas esferas.

E o governo continua a agir como se nunca tivesse sido povo e dá sinais claros de que nunca pretende sê-lo, ele e seu séquito são seres surreais oriundos de algum planeta que ainda não foi descoberto no sistema solar.

Em ci√™ncia pol√≠tica, chama-se forma de governo o conjunto de institui√ß√Ķes pol√≠ticas por meio das quais um Estado se organiza objetivando exercer o seu poder sobre a sociedade.

E isto, de exercer o poder sobre a sociedade, que ele, o governo, leva muito a s√©rio, toma isso como objetivo n√ļmero 1 e o faz em muitos casos como em in√ļmeros pa√≠ses com requinte e crueldade. Eis a√≠ um ditador disfar√ßado de governo, buscando exercer seu poder custe o que custar, a ‚Äúferro e fogo‚ÄĚ. Esta, outra express√£o marcante e dolorida, que na verdade √© sentida em sua totalidade pelo povo, sempre ele.

Um velho ditado Taoista diz que ‚ÄúQuanto mais instru√≠do o povo, tanto mais dif√≠cil de o governar…‚ÄĚ, algo que muitos dos governantes de Roma e tantos outros dos dias atuais, abominam por completo.

Em Roma, no tempo de crise, as autoridades mantinham a popula√ß√£o sob controle, construindo e oferecendo para sua alegria grandes arenas, onde se realizavam os mais terr√≠veis e sangrentos espet√°culos. Local onde se via a morte de homens e animais, corridas de bigas, espet√°culos com m√ļsica e animadores, al√©m de artistas e corridas de cavalos e le√Ķes.

Hoje, estes espa√ßos j√° n√£o mais existem, os que ainda est√£o de p√©, servem de museu a c√©u aberto, mas √© bem verdade que foram criadas in√ļmeras outras formas de cabrestrar o povo, algo que vai das velhas e conhecidas dentaduras at√© as camisas, passado pelo tijolo e o cimento, e ainda o dinheirinho f√°cil. Tamb√©m o sapato, o churrasco, o jogo de camisas para o time local, o rem√©dio, a cervejinha, a ajudinha nas festas de rua e por a√≠ vai.

O P√£o e o Circo continuam firmes e fortes, capazes de seduzir aqueles que muitas vezes trocam o voto achando que usufru√≠ram de vantagens, mas quando descobrem, algo que nem sempre acontece, sentem-se como palha√ßos na sua express√£o menos engra√ßada, plantados em uma arena, cercados por le√Ķes famintos, animais que n√£o pretendem com√™-los, mas sim amedront√°-los, deixando-os suficientemente acuados para que daqui h√° quatro anos possam mais uma vez dar os seus votos em troca de um badulaque qualquer, permitindo que o governo e sua horda fa√ßam deles, meros objetos de desejo.

O Pão e o Circo, nunca terão fim, será algo eternamente passado de pai para filho, enquanto nos comportarmos como adestrados silvícolas, prontos para dizer sim, apertando a tecla verde CONFIRMA, sem jamais conhecermos de verdade aquele a quem elevamos à condição de nosso governante.

 

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

4 coment√°rios

  1. Eu n√£o entendi: “Em ci√™ncia pol√≠tica, chama-se forma de governo o conjunto de institui√ß√Ķes pol√≠ticas por meio das quais um Estado se organiza objetivando exercer o seu poder sobre a sociedade.”

    Neste caso o autor quis dizer SISTEMA DE GOVERNO que a Ci√™ncia Pol√≠tica reconhece como presidencialismo ou parlamentarismo. FORMA DE GOVERNO √© Monarquia ou rep√ļblica. Parece que a informa√ß√£o √© uma rep√ļblica por ser tudo uma bagun√ßa s√≥.

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    Outra quest√£o √©: “Um velho ditado Taoista diz que ‚ÄúQuanto mais instru√≠do o povo, tanto mais dif√≠cil de o governar‚Ķ‚ÄĚ

    Se o ditado √© dessa autoria n√£o √© a quest√£o, mas se povo instru√≠do fosse dif√≠cil de governar, o que diz dos pa√≠ses MON√ĀRQUICOS, cujo povo √© o mais instru√≠do do mundo? Podemos citar alguns como Noruega, Austr√°lia, Dinamarca, Su√©cia (diferente da Su√≠√ßa) e Nova Zel√Ęndia, todas entre o 1¬ļ e 2¬ļ lugar no ranking mundial em IDH, MAIS FELIZES, MENOS CORRUPTOS e MELHORES PARA VIVER

    S√≥ para lembrar: NOVA ZEL√āNDIA era pior em tudo do que o Brasil at√© 1960. A diferen√ßa √© que o povo escolheu o caminho da MONARQUIA. Aqui n√£o sabemos nem o que √© MONARQUIA at√© hoje. kkkkkkkkkkkkkkk

    Só para fechar: parar de promover esses ditados que denigrem e ajudam a afundar ainda mais um povo é bom. Com certeza o jornalismo brasileiro (e o DV) se tornará um jornalismo de primeiro mundo como o que existe nos países acima, e que faturam fortunas em Euros. Só para ter uma ideia, uma notícia da Rainha Elisabeth II rende fortunas para eles.

    Eu já desafiei aqui a ajudarem a instruir o nosso povo (só trazendo escolas para visitar o DV é uma ótima iniciativa, mas é muito pouco). Ou será que queremos continuar jornalistas de terceiro mundo e promovendo esses ditados destrutivos?

    Para n√£o perder o costume: VAI VENDO A√≠ o que d√° votar em candidatos que N√ÉO CONHECEM a Administra√ß√£o P√ļblica e N√ÉO ENTENDEM de Gest√£o P√ļblica.

    • Artur Rodrigues

      Prezado Vai Vendo, bom dia. Como n√£o lhe vi apenas respondo as suas coloca√ß√Ķes pertinentes e as respeito como um leitor que dissecou a coluna de maneira brilhante. Se todos no mundo fossem iguais a voc√™. Mesmo que vc n√£o goste de ditados ou similares como falei antes dessa frase, eles servem muitas vezes para explicar e at√© provocar. Fique com meu melhor abra√ßo. Artur Rodrigues

  2. E vai continuar existindo amigo. Enquanto analfabeto votar, e pessoas mais humildes que voc√™ ” compra ” com telhas, tijolos, areia, etc, esses pol√≠ticos vagabundos permanecer√£o no cen√°rio. Infelizmente.

    • Artur Rodrigues

      Zambe, bom dia. Concordo com você, enquanto essa troca estranha e que só ajuda a um determinado lado continuar a existir, nós existiremos assim sempre a mercê de políticos sem talento e caráter. Grande abraço

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