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Pesquisa de inteligência extraterrestre muda de estratégia

Matéria publicada em 1 de fevereiro de 2018, 06:11 horas

 


Astrônomos vão procurar por “tecnoassinaturas” em outros mundos


SETI é a sigla em inglês de Busca por Inteligências Extraterrestres. Um projeto que começou em 1960, há 58 anos, quando o astrônomo americano Frank Drake usou o radiotelescópio de Geen Bank, na Virgínia, para tentar ouvir sinais de rádios emitidos pelas estrelas Tau Ceti e Epsilon Eridane. Na época a experiência foi chamada de Projeto Ozma, um nome que Drake tirou da história do “Mágico de Oz”. Nenhum sinal artificial foi detectado mas a busca continua até hoje, envolvendo cientistas de vários países.
Nos Estados Unidos o trabalho de Drake teve continuidade com a astrônoma Jill Tarter, que durante 30 anos dirigiu o Instituto SETI. Agora, depois de se aposentar, Tarter sugere que a busca continue, mas com um novo nome. Em entrevista ao site Space.com Tarter disse que a expressão “busca por inteligência extraterrestre” gera uma percepção incorreta do que os cientistas estão fazendo. Ela acha que seria mais correto dizer “busca por tecnoassinaturas”.
O que é uma tecnoassinatura? Seria um sinal, um indício de uma tecnologia não humana, em algum lugar do Universo. O que não é uma coisa fácil de se perceber numa galáxia onde as estrelas estão separadas por distancias de dezenas ou centenas de anos-luz. (Um ano-luz é a distancia que a luz percorre em um ano viajando com uma velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Cerca de nove e meio trilhões de quilômetros).
Até aqui os pesquisadores tentaram detectar sinais de rádio. Eles presumem que se existirem outras civilizações de seres inteligentes, no universo, eles devem conhecer a tecnologia do radio. E poderiam tentar se comunicar transmitindo sinais nas faixas de radio e televisão. Na década passada outros cientistas passaram a procurar sinais emitidos com raios laser. Que seria uma forma mais avançada de comunicação do que os velhos sinais de radio.
Jill Tarter acha que é muito difícil definir o que é inteligência. Aqui na Terra animais como as baleias, os golfinhos e os cachorros possuem um certo grau de inteligência. Mas não são capazes de produzir tecnologia. Talvez existam seres muito mais inteligentes do que nós que não sejam mais dependentes de máquinas ou de tecnologias. Ou cuja tecnologia seja invisível para nós seres humanos.
O famoso escritor de ficção científica Arthur C. Clarke disse uma vez que “toda tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica”. Para um homem da idade média nossos telefones celulares e aparelhos de tv seriam considerados mágica, ou pior ainda, bruxaria. Do mesmo modo a tecnologia de criaturas muito mais adiantadas do que nós iria nos parecer magia. Jill Tarter propõe uma modificação na famosa frase de Clarke. Ela acha que toda tecnologia muito avançada seria indistinguível da natureza. Seres muito evoluídos teriam formas de produzir energia que não poluiriam o meio ambiente nem deixariam resíduos. Eles existiriam numa integração total com a natureza e seriam muito difíceis de detectar.
Um erro comum em filmes e histórias em quadrinhos é imaginar civilizações avançadas como culturas destruidoras, que vivem num ambiente totalmente artificial. Como o planeta Kritpon dos filmes do Superman. Seres mais evoluídos já teriam compreendido a necessidade de preservar o meio ambiente dos planetas e suas criaturas. Eles seriam mais como o Yoda de Star Wars, que vivia numa floresta sem interferir com as criaturas e a natureza ao seu redor.
“A tecnologia dos alienígenas vai ser tão eficiente que não produzirá resíduos e se confundirá com o Universo em torno deles” diz Jill Tarter. Um meio de detectar uma civilização assim seria fotografar planetas distantes em busca de alterações sutis em sua natureza. Por exemplo, um planeta que está muito perto ou muito distante de sua estrela e mesmo assim tem um clima ameno e agradável. Esse tipo de pesquisa será possível com os novos telescópios espaciais, como o James Webb, que entrará em funcionamento no final da década.

Vida: Extraterrestres podem se camuflar no ambiente. (Foto: Blackhole rising)

Vida: Extraterrestres podem se camuflar no ambiente. (Foto: Blackhole rising)

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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2 comentários

  1. Saber se estamos sozinhos no universo é a pergunta mais intrigante da humanidade. Ainda acho que o mais provável é que nós é que visitaremos outros mundos com vida primeiro, e não o contrário. Se não nós destruirmos antes, é claro.

  2. Você que adora viajar em seus artigos, faz um sobre os reptilianos, fator RH, é uma viagem só …

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