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Pesquisa mostra que o campo magnético da Terra está enfraquecendo

Matéria publicada em 8 de fevereiro de 2018, 12:02 horas

 


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O campo magnético da Terra está enfraquecendo. Segundo dados enviados pelos magnetômetros colocados a bordo de três satélites da série Swarm, o campo tem diminuído de intensidade 10 vezes mais rápido do que no passado. Isso pode indicar que estamos nos aproximando de um evento de reversão dos polos magnéticos do planeta. A última vez que isso aconteceu foi a 780 mil anos. Quando os polos magnéticos sul e norte trocaram de lugar. A possibilidade tem motivado novas profecias de fim de mundo na internet. Mas é preciso esclarecer algumas coisas.

A primeira coisa é não confundir os polos magnéticos com os geográficos. Eles não coincidem e a reversão dos polos magnéticos não significa que o planeta vai virar de cabeça para baixo. O único problema é que o campo magnético enfraquece antes de uma reversão, o que pode criar problemas para os satélites artificiais e as redes de distribuição de energia elétrica. Segundo cientistas ouvidos pelo site Space.com a reversão não é instantânea e pode levar de mil a dez mil anos para acontecer. É o que diz a cientista Monika Korte, do Observatório Geomagnético de Potsdam, na Alemanha.

Durante esse período o campo magnético do planeta pode enfraquecer e surgirem mais de dois polos magnéticos. A mudança seria mais sentida aqui na América do Sul, onde existe a Anomalia Magnética do Atlântico Sul. É uma região onde o campo magnético do planeta é mais fraco e com a mudança ele pode se tornar mais fraco ainda.

Isso permitiria que as partículas de radiação do Sol atingissem a atmosfera da Terra com maior intensidade. O que pode abrir novos buracos na camada de ozônio, como aquele que foi observado na Antártica.

Swarm: Satélites detectaram a mudança

Swarm: Satélites detectaram a mudança

Os astronautas que tripulam as Estações Espaciais observam lampejos nos olhos quando passam por essa anomalia. Eles são causados por partículas atômicas atingindo a retina. Atualmente elas não causam danos, mas se o campo enfraquecer ainda mais, a radiação vinda do espaço pode interferir com o sistema de navegação de aviões e satélites. Os cientistas estão monitorando o fenômeno e devem emitir alertas se a situação se agravar.

Alguns planetas como a Terra e Júpiter tem um forte campo magnético. Outros, como Marte, não tem. Aqui na Terra o campo magnético é produzido pelo ferro derretido que existe no núcleo do planeta. Ele age como uma imensa barra de ferro imantado. Mas, como não é sólido, ele emite glóbulos de ferro fundido que se alinham na direção oposta. Com o passar dos séculos esses glóbulos dissidentes se tornam maioria e o campo magnético se inverte.

Em condições normais o campo magnético da Terra desvia as partículas atômicas do vento solar, fazendo com que elas fiquem presas em uma região conhecida como cinturão Van Allen. O cinturão foi descoberto em 1958 pelo primeiro satélite artificial americano, o Explorer 1, cujo lançamento, no dia 31 de janeiro, completou 60 anos.

O que sabemos atualmente é que se o campo magnético da Terra enfraquecer durante uma reversão vamos ter problemas com satélites e aviões, mas não será o fim do mundo. A vida em nosso planeta já enfrentou fenômenos catastróficos de extinção, mas nenhum deles está associado com a reversão dos polos magnéticos. Há 780 mil anos, por exemplo, quando os polos se inverteram pela última vez não houve nenhuma extinção em massa e a vida continuou sem problemas.

Em nossa época a vida terrestre tem sofrido mais com a ação humana do que com fenômenos naturais. O número de espécies ameaçadas de extinção vem crescendo à medida que a humanidade ocupa mais áreas do planeta para a produção de alimentos. Sem falar no aquecimento global, provocado pela indústria dos combustíveis fósseis. Isso é uma ameaça mais concreta do que a mudança nos polos magnéticos.

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Bom esclarecimento, Calife. Depois do planeta Nibiru, que iria se chocar com a Terra, estão abundando na internet as novas teorias da conspiração sobre fim do mundo relativas à inversão dos pólos magnéticos.

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