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Pesquisas, pra quê vos quero?

Matéria publicada em 24 de junho de 2018, 08:32 horas

 


Fotografias do cenário eleitoral são instrumento valioso para marqueteiros, mas incentivam o espírito de ‘Maria vai com as outras’

Especulativas: Pesquisas muito anteriores à eleição têm pouca ou nenhuma utilidade para prever resultados – Imagem: Diário do Vale

Todo ano de eleição é a mesma cantilena. Partidários de candidatos que estão à frente nas pesquisas brandem os resultados como se estivessem já fincando sua bandeira no território conquistado, enquanto os demais bradam a falsidade do levantamento aos quatro ventos.
Enquanto isso, os institutos sérios fazem o trabalho deles e, na maioria esmagadora dos casos, o resultado da eleição em si bate bem perto da pesquisa de boca de urna.

‘Maria vai com as outras’

Como marketing eleitoral, é importante para os candidatos mostrarem que estão bem nas pesquisas. E isso se deve ao efeito “Maria vai com as outras”.
Muita gente acha importante votar em quem tem mais chance de ganhar e sacrifica a opção por alguém com quem se identifica para dizer que votou no ganhador, como se o voto fosse uma pule de aposta no Jockey Club.

Análises

Para as equipes internas, os números de intenção do voto são importantes, mas revelam apenas uma parte do cenário. Por exemplo, ficam dois candidatos para um segundo turno: um chegou com 35% dos votos e o outro, com 30. Só que o que está na frente tem uma rejeição (quando o pesquisador pergunta “em quem você não votaria de jeito nenhum?”) de 45% por cento, enquanto a do outro é de 20%.
Na lógica, e no momento registrado na pesquisa, a possibilidade é que o candidato que chegou para o segundo turno em primeiro lugar acabe sendo ultrapassado e perca a segunda fase da eleição.
Só que pesquisa é uma foto. E o processo eleitoral é um filme. Pelo meio do caminho, o eleitor pode perceber que aquele que ele pensava que era o mocinho na verdade é o bandido.
Aí o voto e até a rejeição pode mudar. É preciso também entender que até o tal “de jeito nenhum” da pergunta na pesquisa pode mudar de um dia pra outro.

E para os curiosos?

Para quem quer saber, hoje, qual o resultado da eleição de outubro, talvez seja melhor consultar um pai-de-santo, um vidente ou um cartomante do que as pesquisas.
Isso porque, neste momento, não se sabe nem quem serão exatamente os candidatos. Até que haja todas as convenções e todos os candidatos e alianças estejam definidos, elas serão pouco mais do que especulações sobre cenários possíveis.
Com as candidaturas devida e oficialmente colocadas, elas vão passar a ser retratos de um momento, que ainda não é o dia da eleição. E a cada instante podem acontecer coisas inesperadas.

Um exemplo

Até tragédias, como a queda do avião do então candidato Eduardo Campos, na eleição de 2014, mudam eleições. Para quem não se lembra, Campos patinava lá pelo “meio do pelotão” quando morreu.
O desastre, porém, projetou Marina Silva de tal maneira que, a poucos dias da eleição, muita gente acreditava em um segundo turno entre duas mulheres.
A ex-presidente Dilma Rousseff, que antes da morte de Campos era dada como tendo grande possibilidade de conseguir a reeleição já no primeiro turno, teve que disputar a segunda etapa com Aécio Neves. Deu no que deu. Vitória de Dilma por uma diferença percentual baixíssima, e a sequência de eventos que acabou no impeachment.

E nós com isso?

Se o leitor não for “Maria vai com as outras” nem marqueteiro de algum pré-candidato, as pesquisas devem ser vistas, no momento, como mera curiosidade.
Principalmente em eleições com dois turnos, o primeiro voto deve ser naquele com quem mais nos identificamos. O do segundo turno, esse sim, deve ser contra quem mais rejeitamos.

E pra não dizer que não falei de Copa…

O torneio começou. Está tendo Copa e a rede de TV mais vista do Brasil passa praticamente seis das 24 horas do dia mostrando o rude esporte bretão. Para nossa alegria, a Argentina e a Alemanha já tropeçaram mais feio que qualquer tombo do Neymar. Apesar dos chatos anti-copa.


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8 comentários

  1. O efeito “maria vai com as outras” não cola em VR, que tem um povo mais politizado que a média nacional… Exemplo disso foi a eleição de Samuca, um verdadeiro azarão com pouquíssimas chances de vencer o pleito municipal, mas seus eleitores não vislumbraram a possibilidade de jogar o voto fora e acreditaram em seu projeto para a cidade, que é a caixa de ressonância do Sul Fluminense… Se está correspondendo ou não às expectativas, isso é outra história…

    • Iludidos que cedem ao apelo do novo,que se for sem conteúdo pode ser pior do que o velho.Como foi o caso citado.

  2. O Samuca era um total desconhecido e não figurava como favorito nas pesquisas.
    No debate na TV conhecemos suas idéias e ficou evidenciado como era fraco seus adversários e a candidatura decolou. No cenário nacional o debate também será o divisor de águas. A eleição presidencial não esta decidida.

    • CEM Reais para votar, SEM candidatos honestos depois

      Candidatos só depois de agosto. Agora é tudo especulação que mudará até lá. Não perca tempo com isso

  3. Kátia Abreu estava entre os dois primeiros lugares na pesquisa eleitoral, no entanto, nem ela nem o outro, que estavam em primeiro e segundo lugar nas ‘pesquisas eleitorais’ passaram para o segundo turno!
    Quem passou para o segundo turno estava em terceiro e quarto lugar na pesquisas eleitoral! Ou seja, não dá para acreditar em pesquisa eleitoral… O que falar da audácia daqueles que votam segundo as pesquisas eleitorais?!!!
    Como diria o ex-Senador Mão Santa: “A ignorância é audaciosa!”….

  4. Algum simpatizante do capitão que tem medo da guerra eleitoral sabe dizer porque ele não irá comparecer aos debates frente a frente com seus adversários no primeiro turno?
    No mundo inteiro os presidenciáveis são tratados e avaliados pela população nesses momentos na TV provando que sabem suportar pressão, que possuem capacidade de argumentação, equilíbrio emocional e diplomacia que o cargo exige. Se não comparecer demonstrará para o país que é um fraco e vai sinalizar para os analistas e mercado financeiro que em qualquer adversidade não terá coragem de encarar a população.

  5. O fator que estão chamando agora de “não voto” (nulos, em branco e abstenção) pode surpreender. E pelo menos na eleição proporcional, os velhos políticos e seus herdeiros e afilhados estão contando com os que não vão votar em ninguém, pois mantêm um bom curral eleitoral para garantir os seus votos. Quanto menos votos úteis, mais fácil para os “coronéis” se elegerem ou elegerem suas marionetes.

  6. CEM Reais para votar, SEM candidatos honestos

    É isso aí! Quem acompanha pesquisas eleitorais se torna um “Maria vai com as outras”.

    Até agosto muita coisa vai mudar. Por enquanto eu estou me limitando a arquivar as besteiras que estão falando. No Rio tem candidato tão inocente que falou um seu pensamento (que eu já sabia) que dificilmente continuará na disputa, isso desconsiderando os “Marias vai com as outras”.

    Só para lembrar: Ao PAGAR A MULTA eleitoral o seu dim dim vai para o Fundo Partidário para ajuntar ao Fundo Eleitoral e será distribuído aos 35 partidos. Os maiores beneficiados são PT, PMDB, PSDB e PP.

    O seu dinheiro ajudando os partidos com muitos bandidos juntos.

    Não é à toa que o PT se une ao PSB e PDT para descarregar O SEU DIM DIM pq o partido PT (apesar de ter o seu dim dim) não tem candidato.

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