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Planeta negro absorve quase toda a luz que recebe

Matéria publicada em 3 de Maio de 2018, 07:00 horas

 


Cientistas ingleses descobriram um planeta negro, tão escuro que ele absorve 99% da luz que recebe. O mundo das trevas é um gigante gasoso do tamanho de Júpiter que orbita seu sol com uma órbita tão fechada que o ano lá dura apenas um dia e meio. Por estar tão perto de uma estrela o mundo negro é extremamente quente o que não permite a formação de cristais de gelo em suas nuvens. São os cristais de gelo e os compostos orgânicos que pintam a atmosfera dos planetas gigantes do nosso sistema solar, como Júpiter e Saturno.

Chamado Wasp-104b, o mundo negro foi localizado pelo telescópio espacial Kepler e suas características acabaram sendo descobertas pelos astrônomos da universidade de Staffordshire, na Inglaterra. Outros mundos escuros já tinham sido observados anteriormente, mas, geralmente, trata-se de planetas desgarrados, que se soltaram de seus sóis e ficaram vagando pela escuridão do espaço interestelar. Um deles é o Kepler 1b que absorve mais de 99% da luz que recebe. No caso do Wasp-104b acontece o oposto, ele está mergulhado na luz intensa de seu Sol, mas não reflete quase nada para o espaço.
As pesquisas iniciais indicam que o Wasp-104b teve a sua rotação sincronizada com a translação em torno da estrela. Como acontece com a Lua da Terra. Por isso ele tem um lado onde o dia é eterno e outro de noite perpétua. Mas, mesmo o lado iluminado é mais preto do que carvão. A atmosfera do Wasp-104b é rica em sódio e potássio, que absorvem muitas das cores do espectro luminoso. Como é muito quente ele pode emitir um pouco de luz e brilhar como uma brasa mortiça, mas isso é impossível de confirmar devido a distância em que se encontra.
A descoberta de outros mundos exóticos deve se repetir quando o novo satélite caçador de planetas, o TESS, começar a funcionar dentro de alguns meses. O TESS é o sucessor do Kepler e vai procurar planetas nas estrelas mais próximas do nosso sistema solar. Até agora o Kepler já descobriu 2600 planetas orbitando outras estrelas da nossa galáxia, a Via Láctea. Alguns são mundos de rocha e metal como a nossa Terra, outros são planetas gasosos, mundos de nuvens com atmosferas profundas, com milhares de quilômetros de profundidade.
Todas as estrelas que vemos no céu a noite fazem parte da galáxia da Via Láctea. Na semana passada a agência espacial europeia apresentou um mapa tridimensional da nossa galáxia que contém as posições de 1,7 bilhões de estrelas. Esse retrato 3D da Via Láctea foi feito com os dados e fotografias enviados pelo satélite Gaia e a apresentação a comunidade científica aconteceu em Berlim, na Alemanha, durante uma exposição aeroespacial.

Estranho: O lado escuro do planeta negro

Existem outras estrelas além do alcance das câmeras do Gaia e mesmo com essa precisão o mapa do Gaia representa apenas uma fatia da Via Láctea. Fora da Via Láctea existem outras galáxias, cada uma com bilhões de estrelas e de mundos o que significa que a exploração do espaço é uma tarefa infinita, que nunca será terminada. Mas mesmo que seja impossível conhecer todos os trilhões de mundos que existem no Universo podemos mapeá-lo, para visualizar sua estrutura e suas características gerais.
Quando aponta seus telescópios para o céu os seres humanos estão olhando para suas origens. Os elementos que formam nossos corpos foram criados dentro de estrelas que brilharam a milhões de anos. A religião imaginou um homem nascido do barro, a ciência mostrou que nascemos na verdade da poeira das estrelas. No futuro, graças a essas pesquisas, nossa espécie pode adquirir a capacidade de navegar por este mar infinito de estrelas, o que será fundamental para a sobrevivência de nossa espécie a longo prazo.
Os planetas não duram para sempre. Uma espécie presa a um ambiente planetário pode ser extinta se mudarem as condições deste ambiente. Já uma raça de navegadores espaciais pode colonizar outros mundos e se tornar eterna.

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

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