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Política e economia se separaram?

Matéria publicada em 9 de julho de 2017, 07:20 horas

 


Reação dos indicadores econômicos, num cenário político caótico, aponta para país menos dependente do Estado

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O cenário político no Brasil continua desanimador. A operação Lava Jato continua a mandar gente para a cadeia, o mandato do presidente da República está na corda bamba e a confiança da população nos políticos está em níveis baixíssimos – quase tão baixos quanto o nível das discussões entre coxinhas e mortadelas.

Em compensação, alguns dos indicadores econômicos estão apresentando resultados animadores. A balança comercial apresenta superávits seguidos, o número de empregos no país, medido pelo Caged, está crescendo novamente, e a produção industrial começa a apresentar resultados positivos, enquanto o agronegócio também cresce. Será que a economia descolou da política?

Sob certos aspectos, pode-se dizer que sim. Olhando os números positivos da economia, vê-se que eles vêm de setores menos dependentes da ação direta do governo.

As exportações, por exemplo, são negócios entre empresas privadas nacionais e estrangeiras. O agronegócio sempre foi mais privado que público e continua assim. O crescimento industrial está concentrado na indústria de transformação – que produz bens para pessoas e empresas – e tem apoio na extrativa, que inclui os setores de minério de ferro e de petróleo. Neste caso, a Petrobras, começando a se recuperar da bagunça que os políticos fizeram, é uma honrosa exceção, já que se trata de empresa sob controle estatal.

No entanto, o que estamos presenciando, por enquanto, é recuperação do uso de capacidade ociosa. As montadoras de automóveis, por exemplo, podem praticamente dobrar a produção sem investir praticamente nada em novas plantas: basta retomar os turnos de produção, que de três caíram para dois e até para um, em alguns casos.

Foi o que ocorreu na Nissan, em Resende. A empresa investiu no desenvolvimento do novo modelo, o Kicks, e em contratação de pessoal. Vai dobrar o número de carros produzidos sem ampliar a fábrica.

O fenômeno da indústria automotiva se repete em outros setores industriais: pode-se dizer que, nesses setores, máquinas que estavam desligadas estão sendo religadas ou que as que estavam ligadas por oito horas diárias estão passando a funcionar doze ou dezesseis horas por dia. E se a demanda continuar crescendo, vão funcionar vinte e quatro horas.

Com isso, cresce o número de empregados no setor industrial e também no de serviços, que nas cidades médias e grandes anda “de braços dados” com a indústria. Em algum tempo, esses novos empregados vão se animar a consumir mais e vão puxar para cima, também, os empregos no comércio.

Já setores muito dependentes de políticas públicas, como a construção civil, que tem nos governos seu maior cliente direto e também a maior e praticamente única fonte de financiamento para habitações populares, continuam tendo que apertar o cinto.

Limite

O crescimento industrial atual tem um limite muito claro, que também indica até onde a economia consegue reagir de modo independente do cenário político: é o ponto em que, para ampliar a produção, será preciso investir em novas fábricas ou equipamentos.

Isso porque investir é colocar dinheiro em algo esperando um retorno futuro, o que quer dizer que o tomador de decisões tem uma visão clara do que deve acontecer pelo menos no curto e médio prazos.

Hoje em dia, não dá pra dizer isso do Brasil. Não se sabe se o presidente termina o mandato, se as leis trabalhistas serão as mesmas ou se as regras da previdência social vão mudar.

Um palpite deste colunista: o reaquecimento que estamos vendo hoje se sustenta mais ou menos até o fim do ano, independentemente do cenário político. Daí em diante, se a situação não estiver mais clara, não só em termos das investigações da Lava Jato, mas também com a definição em relação às reformas trabalhista e da previdência, a intenção de investir vai ficar cada vez menor.

E nós com isso?

Na nossa região, Volta Redonda e Resende estão surfando a onda da retomada da capacidade ociosa, porque suas economias têm forte presença da metalurgia e da indústria automotiva, que não têm o fator governo tão presente em suas cadeias de valor. O saldo de empregos nessas duas cidades está positivo este ano. Já Angra dos Reis, que tem na indústria naval o seu principal gerador de postos de trabalho fora da esfera pública, continua amargando saldos negativos, porque as encomendas provenientes da Petrobras caíram muito e dificilmente vão ter uma retomada no curto prazo.

Com isso, quem mora na região e está empregado no momento deve se prevenir, porque a bonança pode ser passageira se o cenário político não se estabilizar. Compras de bens duráveis, como carros, só devem ser fechadas se não implicarem financiamentos longos ou se o comprador estiver numa posição muito segura.

Quem está procurando emprego deve ficar de olho nas indústrias. Se o cenário político nacional se estabilizar, elas vão continuar ampliando a produção, o que deve levar a um novo ciclo de crescimento geral, abrindo vagas também no comércio e em serviços.

Produzindo: Novo modelo da Nissan mostra recuperação de capacidade produtiva que estava ociosa (Foto: Divulgação Nissan)

Produzindo: Novo modelo da Nissan mostra recuperação de capacidade produtiva que estava ociosa (Foto: Divulgação Nissan)

 

 

PAULO MOREIRA | paulomoreira@diariodovale.com.br

10 comentários

  1. Concordo plenamente com a reportagem, pois as empresas privadas estão se recuperando lentamente e com pouca contratação, enquanto da parte do Estado Brasileiro, o pouco crescimento do PIB, que no começo do ano se esperava que seria de 0,5% caiu ainda mais, pois o grande Bandidão amigo do Lula, Joesley Batista, fez um ato terrorista, apoiado pelo PT e Janot, de fazer uma delação que prejudicou profundamente o Brasil, tirando o emprego de milhões de pessoas, e freando o pouco crescimento que se esperava para o país.
    E pensar que Lula entregou 8 bilhões de dólares para Joesley Batista?!
    Lula enriqueceu dezenas de empresários, no entanto o povo nordestino continua a gritar: “Me dá um dinheiro aí!!!”.

  2. Acreditar, ou fingir que acredita, na “retomada” da economia do velho golpista é como um minhoca preparando-se para curtir um fim de semana numa pescaria.

  3. Retomada da economia?? Essa cachaça que vc tá bebendo é da boa, hein

  4. Liberdade e Propriedade

    No caso da Nissan, a criação de mais uma linha de produção, trata-se de uma ampliação da montadora. Se a fábrica tinha 2 linhas e agora tem 3, cresceu 50%. Foi investido nessa nova linha quase o valor de uma montadora nova. Já o aumento ou retomada de produção sobre a capacidade ociosa de uma linha já existente, não é ampliação.

    Política e economia, definitivamente não se separa, o país da liberdade, os EUA tratam a economia como a prioridade nacional, já a república das bananas tratam o social como prioridade nacional. Eis a diferença.

  5. الفتح - الوغد

    Não. São igual carro e motorista… Um pode existir sem o outro, mas só funcionam em conjunto…

  6. TU TÁ DE SACANAGEM………….

  7. Chega a ser patético o esforço que a grande mídia ( e pequena mídia) veem fazendo para tentar nos convencer que
    este bando de ladrões estão recuperando a economia do país.

  8. Ou esse cara não leu o noticiário sobre a extinção do grupo exclusivo da Lava-Jato (“desmonte”, como disse aquele procurador do power-point que não tem prova, mas tem convicção), ou é um brincalhão.
    Sobre a suposta retomada da economia, o “presidente” tentou mandar essa lorota em Hamburgo e foi ridicularizado no país inteiro.

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