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Posse responsável, saiba o que é

Matéria publicada em 14 de janeiro de 2017, 07:00 horas

 


Para ter um animalzinho é preciso que todos os membros da família estejam de acordo com a vinda dele para casa

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Há milhares de anos atrás o homem domesticou algumas espécies de animais, dentre eles os cães e gatos. A partir desse momento, os animais passaram a ser mais vulneráveis e dependentes de nós seres humanos, sendo assim, o homem traz até hoje a herança da responsabilidade de garantir-lhes a sobrevivência.

Nos dias de hoje há muitas pessoas que cuidam de seus animais de forma exemplar, oferecendo-lhes muito carinho, atenção, os devidos cuidados e respeito, proporcionando assim uma vida digna que eles merecem. Porém, ainda existem muitas pessoas, que por impulso, adquirem um animalzinho, mas depois se arrependem, e acabam cometendo o erro de se desfazerem deles, como se fosse um objeto que não tem sentimento.

Os motivos pelos quais se desfazem dos seus bichinhos, na maioria das vezes são banais e inaceitáveis. Muitas são as desculpinhas esfarrapadas, do tipo: eles fazem muita sujeira, vou viajar e não tenho com quem deixar, vou mudar para apartamento, estou grávida e não posso ter animais… Enfim, o que essas pessoas não sabem, é que quando adquirimos um bichinho ele se apega demais a gente, se sentindo parte da família, e depois ao serem abandonados, eles se sentem rejeitados e sofrem muito com isso. E o que é pior, muitos entram em profunda tristeza, param de comer e chegam até a morrer por causa disso.

Por isso, é importantíssimo, não agirmos por impulso e sempre que a hipótese de ter um bichinho seja levantada, ela deve ser bem analisada, levando em consideração que você será responsável por ele durante toda sua vida e que terá que cumprir com obrigações e isso requer tempo, dinheiro e disposição. Por isso saiba que:

 

– Os animais vivem em média 12 anos, e ele vai precisar de você durante todos esses anos e principalmente na velhice;

– É preciso se atentar às características do animal, por exemplo, saber o tamanho do animal quando adulto, determinar o espaço físico que ele irá precisar. Já suas características comportamentais (ativos, calmos, carentes, brincalhões, bravos), são importantes para saber se ele se adequa ao estilo de vida da família;

– Eles irão precisar de uma acomodação, podendo ser dentro de casa ou no quintal, jamais sozinho na rua. Sair sozinhos às ruas pode acarretar ataques às pessoas, sérios acidentes, podem se perder ou até mesmo serem atropelados e até mortos;

– Precisam de abrigo que seja aconchegante e seguro, que o proteja do sol, frio, chuva e correntes de vento e limpo, para isso a limpeza tem que ser frequente;

– Precisam de um local para fazerem suas necessidades, sendo separado e afastado de onde ficam. Se o local escolhido for nas ruas e praças, é indispensável que as fezes sejam recolhidas, com auxílio de um saquinho e jogadas no lixo;

– Tem que ter acompanhamento médico veterinário, para prevenção e tratamento de possíveis doenças que possam aparecer, além de vacinação periódica, vermifugação e controle de pulgas e carrapatos. O animal jamais deve ser medicado sem a orientação do veterinário, este tipo de conduta pode ocasionar graves problemas de saúde no animal, podendo até levá-lo a óbito;

– A alimentação tem que ser saudável e de qualidade, e para isso algumas rações são a melhor opção, pois fornecem todos os nutrientes, vitaminas e minerais que eles necessitam;

– A água deve ser fornecida diariamente, em vasilhas limpas, sempre fresca e deve ficar à disposição do animal, mas em local com sombra, arejado e limpo;

– É preciso cuidar da higiene deles, pois necessitam de banhos regulares, escovação em caso de pelos longos, escovação de dentes, corte de unha, limpeza de ouvido e em algumas raças de tosas periódicas;

– Assim como os humanos, eles necessitam praticar atividade física para uma melhor qualidade de vida, sendo os passeios uma ótima opção, para isso é preciso disponibilidade de um horário diário para essa prática. Ao ir às ruas, eles devem ser levados sempre com coleira e guiados por um responsável;

– Os animais são exploradores, principalmente quando filhotes, por isso requer muito cuidado, sendo preciso adequar o ambiente para tê-los, por exemplo, produtos de limpeza, materiais tóxicos, remédios e outros produtos perigosos, devem ficar isolados, sem que eles possam ter acesso;

– Terá que redobrar os cuidados em algumas épocas do ano, quando houver tempestades ou épocas de festas, pois os animais não gostam de barulhos altos, sendo assim se assustam e podem acabar se machucando com barulhos de sons altos, trovões, rojões e bombas, pois seu sistema auditivo é muito mais sensível que o nosso;

– Eles necessitam de carinho e atenção, para lhes preservar a saúde psicológica e garantir bons comportamentos, sendo preciso que se dedique um tempo disponível para interagir, brincar, acariciar e lhe dar atenção;

– Os animais têm que ser educados, para uma convivência pacífica com todos. Porém, alguns problemas comportamentais necessitam de adestramento, o que é uma despesa a mais. Mas lembre-se, nunca o eduque pelo medo, mas sim pela autoridade;

– Eles precisam estar identificados com uma plaquinha, ou se possível com microchip ou tatuagem. Se, acidentalmente, ele se perder, há maiores chances de você reencontrá-lo;

– A castração é a melhor maneira de evitar crias indesejadas, abandonos, além de prevenir doenças como câncer, tumores e prolongar a vida do animalzinho;

– Para ter um animalzinho é preciso que todos os membros da família estejam de acordo com a vinda dele para casa. Divergências entre os familiares podem causar uma situação muito estressante tanto para humanos como para os animais. E os animais são os mais prejudicados.

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Enfim, são tantos cuidados, gastos e dedicação, tanta responsabilidade, que devemos mesmo parar para pensar se estamos aptos para termos um bichinho.

Se diante disso tudo que falei, você ainda quer um animalzinho, mas não vai poder cumprir com todas essas obrigações, então fica aí uma dica: Não o tenha!

Lembre-se, a vida deles nas ruas é muito sofrida, os animais são tratados pela maioria da sociedade como um transtorno. Porque vivem sem cuidados básicos em um ambiente hostil, tornam-se completamente vulneráveis a doenças, correndo o risco frequente de envenenamento, atos de crueldade, atropelamento e morte. Aos sobreviventes, resta uma vida de fome, frio, desconforto, dor, angústia, carência, medo e solidão.

Sem falar que abandono além de ser crime previsto pela Lei Federal nº 9605/98, deve ser encarado como ato cruel e desprezível.

Os animais não devem pagar com as suas vidas o preço da inconsequência humana!

 

 

Quer ver o seu bichinho de estimação aqui também? Basta enviar uma foto dele para o e-mail (glayce.cassaro@diariodovale.com.br). Sugestões e dúvidas também são bem vindas.

 

 

GLAYCE CASSARO PEREIRA | glayce.cassaro@diariodovale.com.br

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