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Preciso cruzar meu animalzinho?

Matéria publicada em 2 de maio de 2018, 07:00 horas

 


Conheça os mitos e verdades sobre o acasalamento de cães e gatos

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Existem muitos mitos e crenças em torno do assunto “acasalamento de cães e gatos”, que devem ser esclarecidos em benefício dos nossos pequenos.
É muito comum ver donos de cães e gatos, principalmente cães, querendo colocar seu animalzinho para cruzar pelos seguintes motivos: cruzar a fêmea para ficar com um filhotinho dela para dar continuidade a geração; cruzar a fêmea pelo menos uma vez para prevenir doenças como o câncer; cruzar o macho para satisfazê-lo sexualmente; cruzar a fêmea para que ela possa vivenciar a maternidade.
Enfim, são tantos os motivos que levam o tutor a colocar seu amiguinho para cruzar, e isso é preocupante, pois não é bem assim. Essas teorias são mitos e podem trazer sofrimento e risco a vida ao seu animalzinho.
Por exemplo, não existe nenhum estudo científico que comprove que cruzar fêmeas e machos pelo menos uma vez na vida previne o aparecimento de câncer. A única coisa comprovada é a castração, essa sim previne o câncer e piometra (infecção uterina). Sabe-se também que o uso de anticoncepcionais em fêmeas é um dos principais causadores de tumores e piometras.
E se você não deixar a sua cadelinha cruzar, ela terá gravidez psicológica? Pode ser que sim, pois a gravidez psicológica está relacionada com fatores hormonais, porém, ela teria que cruzar todos os cios para evitar a gravidez psicológica e isso é totalmente cruel com ela, sendo então a melhor solução a castração.
Outra questão é que o acasalamento pode ser bem traumático para as fêmeas, uma vez que a gestação pode não correr como o planejado e essa ter complicações durante o parto sendo traumatizante, sofrido e ainda colocar a vida dela em risco.
E se o motivo for para ter outro animalzinho bem parecido com o que você já tem, lembre-se, os filhotes nunca são iguais aos pais, podem até parecer, mas só serão idênticos se clonados, ou seja, se você espera que o filhote seja calmo e tranquilo como o seu, pode ser que aconteça exatamente o contrário e você tenha muito trabalho e dor de cabeça com ele. O certo então é não arriscar e sendo uma opção bem bacana, adotar um animalzinho já crescido, pois aí sim tem como você conhecê-lo melhor.

Mito: Não existe nenhum estudo científico que comprove que cruzar fêmeas e machos pelo menos uma vez na vida previne o aparecimento de câncer (Foto: Divulgação)

Mito: Não existe nenhum estudo científico que comprove que cruzar fêmeas e machos pelo menos uma vez na vida previne o aparecimento de câncer (Foto: Divulgação)

Na prática

Infelizmente muitos tutores pensam que é tudo bem simples, basta colocar o macho e a fêmea para cruzar, que depois vão nascer filhotes lindos e que a mãe vai cuidar e pronto. Mas na prática não é bem assim. Muitos problemas podem acontecer e é justamente por isso que não devemos incentivar e sim evitar a prática do acasalamento de cães e gatos.
Os problemas que podem ocorrer são infinitos e pessoas inexperientes poderão não identificá-los a tempo de salvar a vida da mãe e filhotes. Mas se mesmo assim você não estiver convencido de não colocar seu animalzinho para cruzar, responda para si mesmo algumas questões:
– Você terá condições de levar a fêmea para consultas com veterinários e exames que devem ser feitos durante a gestação?
– Caso ocorra um imprevisto como a necessidade de uma cesárea ou aborto parcial com necessidade de uma cirurgia para retirada do restante dos filhotes, você terá condições de arcar com essas despesas que não são baratas?
– Se a mãe rejeitar os filhotes ou a mãe morrer, você poderá ficar em casa ou terá alguém para substituir a mãe dando leite aos filhotes a cada 3 ou 4 horas, inclusive durante a madrugada, além de fazer a higiene e manter a temperatura do filhote?
– Se mãe quiser comer os filhotes, você estará disponível para vigiar e permitir que a mãe se aproxime apenas para amamentar?
– Se a mãe for daquelas que deita em cima dos filhotes, você conseguirá separá-la dos filhotes e levá-los para mamar em todas as amamentações?
– Se a mãe não fizer a higiene dos filhotes, o que é imprescindível para evitar que eles adoeçam, você terá condições de cuidar deles, limpando o cocô e xixi deles, a todo tempo como fazem as mães?
E se mesmo assim você ainda estiver disposto a deixar seu animalzinho acasalar, seja bastante responsável, pois uma cadela pequena e gatas costumam dar a luz entre 3 e 5 filhotes e já as cadelas grandes em média 9 filhotes, ou seja, pode não ser fácil garantir um lar para todos os filhotes. E nem sempre a casa para onde eles irão lhes proporcionarão todos os cuidados necessários. Além disso, você não tem que ter em mente as futuras ninhadas, descendência do seu animalzinho, uma vez que uma cadela e as suas futuras descendências podem chegar a produzir até 67.000 cães em 5 anos, ou seja, você pode estar sendo responsável por isso e pelo abandono de animais nas ruas.
Por essas e por outras que não é aconselhado colocarem seu animalzinho para acasalar, deixe essa prática para os criadores (canis) responsáveis. E como vimos, a castração é a melhor opção. Porém, se você tem medo da anestesia na castração, lembre-se que o índice de óbito de fêmeas em decorrência de fatores relacionados à gestação, infelizmente é bastante significativo e nem se compara com o da anestesia. E tentar impedir que seu animalzinho não cruze é algo que pode ser bem complicado.
Sendo assim, a castração é a medida adequada para melhorar a qualidade de vida do seu animal, que apesar de envolver alguns riscos, não se compara aos riscos de outros tipos de intervenção cirúrgica como o da cesárea de emergência, além disso, realizada em animais jovens e mediante a exames pré-operatórios, é uma prática bastante segura.

 

 

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GLAYCE CASSARO PEREIRA | glayce.cassaro@diariodovale.com.br

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