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Qual a próxima meta?

Matéria publicada em 6 de julho de 2018, 08:33 horas

 


O desafio está em cumprir as metas com prazer – Foto: Reprodução Internet

Começa o dia e lá vamos nós correndo atrás dos nossos objetivos, ávidos por dar cabo das inúmeras metas que nos esperam, seja no trabalho ou nos estudos.

Corremos incessantemente atrás do sucesso para que consigamos, logo ali à frente, obter o nosso quinhão de felicidade. Mal sabemos que quem nos entrega de bandeja o sucesso é a felicidade, e não o contrário.

A vida é cheia de surpresas, de todas as ordens, boas e ruins e, certamente, as ruins nos deixam enlouquecidos, a ponto de nos perdermos em nós mesmos, pontuando ainda mais a nossa vida de problemas.

Um problema de 1%, se bem alimentado, é capaz de chegar muito rapidamente a 10%, depois 20% e 30%, até bater “calmamente” a casa dos 100%. Aí está decretada a confusão física e mental. Com isso, somos tomados pela raiva ou pelo desânimo, a lucidez se perde pelo caminho e só nos sobram como “companhia”: a depressão, a angústia e o medo.

Porque estou falando tudo isso, simplesmente, porque no dia a dia da vida, um workaholic como eu se perde no emaranhado de coisas a serem feitas e, muitas vezes, acaba vítima dos excessos; assim, uma vez perdido, tudo acaba arranhado, machucado, as relações afetivas mais próximas se fragilizam, a dor se instala e o prejuízo torna-se incalculável.

O mundo dito moderno é feito de um imenso silêncio coletivo, estamos quase sempre perdidos nos nossos computadores e celulares. Saímos para um restaurante ao lado de quem amamos ou em um animado grupo de amigos e, em segundos, cada um já está mergulhado no mar virtual dos seus smartphones.

A vida ganhou contornos de distância, as teclas nos dominam, estamos emparedados pelas câmeras, somos o tempo inteiro imagens capturadas e reproduzidas no cristal líquido de algum celular ou LCD ou plasma de alguma TV a nos espreitar, assim como previu o Nostradamus da literatura, George Orwell, que mesmo tendo falecido em 1950, escreveu seu revolucionário livro “1984”, em 1949. Obra que denunciou as inúmeras mazelas do regime Totalitarista, tornando-se um dos mais influentes romances do século 20. Incrivelmente, há trinta e cinco anos antes, em 1949, Orwell já imaginava, ou melhor, tinha certeza de que estaríamos cercados de câmeras, vivendo a tecnologia da imagem quase no seu limite máximo.

O que nos falta é foco, porque tempo, o dia tem. De que adianta ser “amigo” de cinco mil desconhecidos no Facebook? A velha história de que quantidade não tem nada a ver com qualidade.

Ou a gente aprende de uma vez que o otimismo pode muito bem se casar com uma de nossas habilidades, para que consigamos transformar os problemas em desafios, ou vamos continuar a somar problemas sem solução e amigos virtuais, que na maioria das vezes, não nos podem ajudar porque são iguais a nós.

Imagine viver o ostracismo ao lado de milhares de pessoas? Portanto, o desafio está em cumprir as metas com prazer e não ficar atirando loucamente as setas da obrigação no alvo, pois como disse Paulinho Moska na música O Alvo e a Seta: “Eu corro todos os riscos / Você diz que não tem mais vontade. / Eu me ofereço inteiro / E você se satisfaz com metade. / É a meta de uma seta no alvo / Mas o alvo, na certa não te espera”.


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2 comentários

  1. CEM Reais para votar, SEM foco nos eleitos depois (não acompanham)

    Concordo que falta foco a muitas pessoas. Como não têm foco, os milhares de outros assuntos os deixam sem saber por onde começar, ou seja, há um vazio de conteúdo.

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