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Quando o futuro era lindo

Matéria publicada em 14 de fevereiro de 2017, 07:05 horas

 


Hippies imaginavam o mundo da paz e do amor na era de Aquário; hoje em dia as pessoas têm até medo de pensar no futuro

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A geração atual nem sabe, mas estamos vivendo na era de Aquário. Que os hippies dos anos 60 imaginavam como uma era de amor e paz mundial. Fizeram até um musical, “Aquarius”, cujo tema tocava em todas as rádios. No século XXI ia ter um alinhamento dos planetas e a maldade ia desaparecer do mundo. Todas as pessoas iam viver em comunidades, em contato com a natureza, trocando flores e fazendo amor. Era o que acreditava o pessoal da contracultura, que combatia a dependência da tecnologia e a guerra do Vietnã.

O tal alinhamento dos planetas era típico da crença daquele pessoal na astrologia. Que não passa de superstição, ao contrário de sua filha mais nobre, a astronomia. Que naquele tempo já andava descobrindo coisas incríveis no espaço, como os primeiros pulsares. Quem não era hippie e nem acreditava na era de Aquário, também achava que o futuro ia ser um ótimo lugar para se viver. No século XXI a medicina ia curar todas as doenças, incluindo o câncer, com uma espécie de “vara de condão” eletrônica. Íamos viver em cidades espetaculares, sem engarrafamentos de trânsito, onde as pessoas iriam para o trabalho em cápsulas eletromagnéticas, viajando em alta velocidade por dentro de tubos. Robôs iam cuidar de todo o trabalho pesado e até a segurança pública ia ficar a cargo de robôs, que não fariam greves e seriam super eficientes. Uma boa parte da humanidade ia viver no espaço sideral, nas colônias que a União Soviética e os Estados Unidos iam construir na Lua e em Marte. Isso se os dois países não explodissem tudo em uma guerra nuclear, antes do século XXI chegar com a tal da era de Aquário. Mas tínhamos esperança de que todos os obstáculos poderiam ser superados, “apesar dos perigos” como dizia o Ivan Lins naquela música.

Hoje em dia…

Hoje em dia as pessoas têm até medo de pensar no futuro. Aquecimento global, mudança climática, terrorismo com armas biológicas. Parece que a humanidade perdeu a capacidade de sonhar. O que é essencial para o futuro de qualquer civilização. A era da paz e do amor não chegou, mas aquela geração, dos hippies e dos futurólogos, conseguiu evitar o pior. Falaram tanto em paz e amor que os governos negociaram o fim da guerra do Vietnã. E americanos e russos trabalharam juntos para evitar um apocalipse nuclear. Criando coisas como o “telefone vermelho” que permitia a negociação em épocas de crise.

Hoje estamos bem mais perto dos sonhos dos anos 60 do que no século passado. Stephen Hawking já comentou que se superarmos a crise atual tudo será possível. Graças a ciência sabemos mais sobre o universo e sobre as causas das doenças do que seria possível imaginar há 50 anos. Tudo depende da humanidade cessar o seu namoro atual com as forças da ignorância e das trevas e buscar o esclarecimento. O principal problema com a geração atual é que ela perdeu a capacidade de sonhar com um futuro melhor e vive querendo voltar ao passado, agarrando-se a religiões medievais obsoletas e a crenças que podiam fazer sentido no tempo em que as pessoas achavam que o mundo era plano. Não na nossa realidade de galáxias em expansão.

Tenho uma sobrinha que é psicopedagoga e vive tratando de crianças e adolescentes com problemas. Outro dia uma paciente de 13 anos de idade entrou no consultório dela dizendo que queria engravidar logo e ter um filho. “Para que a pressa?” perguntou minha sobrinha. A menina respondeu “que o pastor da igreja evangélica tinha falado para ela que Jesus ia voltar a meia noite, iniciando o ‘arrebatamento’ e o fim do mundo”. Por isso ela tinha que fazer e experimentar tudo depressa!

Felizmente nem toda a juventude ainda entrou nessa. Tem a garotada da Campus Party, que ainda sonha com um futuro melhor. Com as possibilidades infinitas de que falou o Stephen Hawking. Uma garotada que estuda e até ensina para a repórter da Globo o que é inteligência artificial.

Eles são a minha esperança.

 

Futuro: O universo nos espera

Futuro: O universo nos espera

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Para chegarmos a uma verdadeira “era de aquário” é necessário que no campo da ciência a razão vença a superstição, e que no campo político/econômico o estado democrático de direito e o livre mercado vençam o ranço ideológico socialista/comunista; é preciso que a inteligência vença a ignorância e a liberdade vença a opressão.

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