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Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto do meu cachorro

Matéria publicada em 23 de fevereiro de 2018, 14:54 horas

 


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Essa frase que corre o mundo desde 1.600 dita pelo filósofo e teólogo francês, Blaise Pascal, sempre intrigou e mais do que isso, se mostrou voluntariosa, sendo vista por muitos como uma colocação preconceituosa em relação aos seres humanos.

Certamente que ela não foi cunhada gratuitamente, por trás dessa colocação existe muito a ser pensado e certamente dito. Não é a toa que ela transcendeu o tempo e alguns séculos depois de ter sido pronunciada pela primeira vez, ainda se comporta como se tivesse sido dita nesse exato momento. Pascal foi inegavelmente contundente ao pronunciá-la, mostrando seus sentimentos em relação aos seres humanos e em uma valorização dos animais acima da média. Para ele os irracionais tinham um valor extraordinário, um “caráter” se assim podemos chamar muito maior e mais sincero que qualquer ser humano.

É nessa hora que paro para pensar na Teoria da Criação e jamais da Evolução, pois é difícil acreditar que nós seres humanos chamamos do que está ai de evolução.

Vivemos uma crise ética sem tamanho, que ao invés de perder força, a cada dia torna-se maior, mesmo com toda a mídia divulgando o fétido corporativismo do legislativo deste nosso país, que ao invés de dar o exemplo, reduzindo significativamente seus ganhos e benesses extras, promove uma soma de aumentos e farras com o dinheiro público sem medo ou pudor.

Com isso criou-se um abismo gigantesco entre a classe política e o povo, responsável por mover a grande máquina. Tem-se com isso a certeza de que político, pelo menos um significativo número, não é povo, porque não se comporta como tal. Isto é claro até chegar aos seus objetivos, que é o de tomar posse do que temporariamente é “seu”. O povo é algo que lhe interessa sobremaneira até atingir os seus intentos, após, usa de todos os subterfúgios para fugir e se esconder de quem lhe presenteou com confiança e um significativo salário, entre tantas outras mordomias. Se esquecem numa amnésia temporária que são apenas poucos anos que os separa de um novo encontro com este povo, que se alerta estiver jamais dará a este que o traiu uma nova chance.

Por isso que gostar, amar os animais torna-se algo prazeroso, neles reside a verdade, e é no convívio com eles que aprendemos muito dessas verdades, não sendo necessário fazer uso de uma câmera Kirlian, uma máquina fotográfica inventada por um cientista russo que consegue registrar a aura dos seres animados.

Talvez por isso a frase que dá título a esta crônica tem atravessado séculos conseguindo se manter viva e atual. A visão dos animais que são seres puros e sinceros é algo que nos faz pensar, sobretudo, quando se está em jogo a fidelidade, o amor verdadeiro. Com os animais se aprende o verdadeiro sentido do amor, porque eles não nos julgam e muitos menos nos subjugam. São seres que se doam por completo, muito diferente do humano que tudo o que faz exige algo em troca, quer recompensa, não se contentando com um sorriso, um olhar, um obrigado, exige muito mais, algo que muitas vezes não sabemos ou não temos como dar.

Já ouvi muito essa frase: “Animais são anjos disfarçados mandados à Terra por Deus para mostrar ao homem o que é felicidade.” Confesso que não sei se isso é verdade e muito menos tenho como comprovar essa afirmação. Creio que a comparação entre homens e animais, e a superioridade de “caráter” dada a este último não passa de uma forma criada muito mais para diferenciar o humano de outro humano, a partir do seu comportamento, do que traçar uma linha que mostre a superioridade do animal sobre nós.

A relação entre homem e animal se dissecado, o que não seria possível aqui fazê-lo, nos levaria a conhecer algumas dezenas de aspectos psicológicos e comportamentais de ambos, com isso muito se saberia e descobriria, mas vale fazer uma detalhada pesquisa cada um ao seu modo.

Por fim o que conta, é o misterioso relacionamento entre o homem e o animal, o valor e a importância que um transmite ao outro, porque das mais de quatro mil espécies de mamíferos existentes na Terra, apenas um número muito pequeno se tornou domesticável, onde os cães e os gatos, entre outros, entraram e conquistaram de vez o nosso coração. Eles fazem parte do nosso universo desde muito e pontuando a frase de Pascal, sabemos que neles podemos confiar, porque entre eles e nós existe uma troca, diferente muitas vezes do que acontece entre os seres humanos, onde a troca muitas vezes é sumariamente substituída pela posse e o poder.

 

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

4 comentários

  1. Mauro Silva, bom dia. Obrigado pela leitura de minha crônica e pela sua importante opinião. Volte sempre a este espaço. Grande abraço.

  2. Não perca a fé na humanidade

    Gosto de animais, mas não tem como gostar mais de um filhote que de um bebê, mais de um cãozinho, do que de uma criança…
    A humanidade tem que gostar mais da sua espécie.
    Não consigo ver de outra forma…
    Pois a relação humana é uma via de mão dupla você recebe , mas precisa dar…
    Dê carinho e receba carinho.
    Não podemos apenas querer receber, temos que doar…
    Não podemos apenas ouvir coisas bonitas, pois precisamos ouvir verdades.
    O sentido das relações é a troca…
    O problema é que vivemos em uma sociedade egoísta, que só quer receber…
    A quem prefira seu pet do que seu filho, seu neto…
    Acho que pessoas assim são pessoas infantis e narcisistas.

    • Desculpe, mas você não entendeu a mensagem do articulista.

    • Não perca a fé, muito bom dia. Realmente concordo com você em gênero, número e grau. Temos sim que olhar, gostar e cuidar do outro e a frase diz isso, destaca que muitas vezes o animal com sua “irracionalidade” se sobressai a nós em seu amor ao próximo que nem sempre é o da sua raça. Temos, tento dizer na crônica, que imitar os animais, já que conhecemos no dia a dia centenas, milhares de caso de desprezo a nossa raça. Será que os animais serão os artífices dessa aula de companheirismo e amor?

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