Quanto vale um "amor" verdadeiro - Diário do Vale
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Quanto vale um “amor” verdadeiro

Matéria publicada em 27 de abril de 2018, 07:10 horas

 


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O dramaturgo e teatrólogo Nelson Rodrigues, falecido em 1980, personagem de destaque da nossa literatura, dizia que o dinheiro pode comprar tudo, até amor verdadeiro.
E é por conta desse dinheiro e da falta de amor, no caso o verdadeiro, que estamos até o pescoço divididos e perdidos, vivendo a mercê de um cem números de informações que nos chegam no dia a dia, algo que busca revelar que “amor” para alguns é possível de se barganhar.
Estamos sem aliados, vivendo envoltos por uma cortina de fumaça sem tamanho. Não temos mais ídolos, nomes que nos representem na cena nacional. Sena, Pelé, Guga, Hortência, Maguila, Zico e muitos outros já estão distante dos holofotes. Políticos para chamar de meu, se já não morreu, com certeza ainda não nasceu. Vivemos um período de busca, de sonhos que não se apresentam tão reais, são sonhos mesmo. Poucas são as coisas que nos chamam atenção e nos fazem levantar da cama, além das obrigações nossas de cada dia. Parece que nos chamaram para um grande banquete e acabamos descobrindo de cara que na festa havia mais convidados que comida e que ainda iríamos amargar de garçom, porque também não havia quem fizesse tal sacrifício.
O Brasil com suas instituições vive um descalabro, todos os dias nos deparamos com a descoberta de um ladrão novo na praça. Alguns de colarinho bem branco, ainda doces e simpáticos mauricinhos, além de políticos das mais variadas esferas e partidos, todos concorrendo com os ladrões do cotidiano, que para fazer frente a estes, estão a cada dia inovando nos seus crimes, se apressando em explodir caixas de banco, acreditando que vão levar mais dinheiro que muito engravatado que diz por ai que nos representa, algo de dar inveja a Ronald Biggs, Jesse James, Butch Cassidy, Sundance Kid, Bonnie e Clyde entre outros imortais bandidos que marcaram a história do crime no mundo.
Imagine que nós brasileiros trabalhamos em 2017, 153 dias apenas para pagar a enxurrada de impostos que nos é enfiada goela abaixo. São cinco meses voltados para dar as inúmeras contribuições determinadas pelo nosso pior sócio: o governo. E para este ano não espere nada diferente. No ano passado o nosso maior sócio arrecadou a soma de R$ 1,34 trilhão. Em 2017, foram R$ 36,94 bilhões os valores que entraram de royalties do petróleo no caixa do governo.
O Impostômetro que não para nunca, nesta semana já estava na casa dos R$ 765 bilhões arrecadados, isso em apenas 120 dias de 2018, lembrando que ainda faltam 8 meses até terminar o ano.
E tendo comemorado e relembrado no último dia 21, a história de Tiradentes, a de se sentir “saudades” do quinto, parte cobrada ao povo pelo governo daquela época, no século XVIII. Sendo um dos motivos pela morte por enforcamento do Alferes, por estar contra tal cobrança, algo que ele lutava para que fosse mudado, que aos olhos de muitos era absurdo, devido ao abuso do corporativismo que acabava por favorecer poucos, porém nitidamente prejudicava a maioria, no caso o povo. E hoje em pleno século XXI, vivemos numa situação bem pior do que aquela época, não somos obrigados mais a pagar um quinto, e sim dois.
Infelizmente dentre os trinta países que trazem a maior carga tributária do planeta, o nosso país é o que proporciona o pior retorno pelos tributos pagos, ou seja pagamos muito e não recebemos o devido retorno. Serviços como saúde, educação, segurança, saneamento básico, habitação, entre outros são, quando existentes, de uma qualidade totalmente questionável. São bem poucos os Estados e suas cidades que contemplam qualidade em dose satisfatória nesses itens.
Tudo para nós é mitigado, do amor aos serviços. Claro que tem muito político esperto comprando amor verdadeiro de eleitor com algumas poucas notinhas de real. Trocando voto por tijolo, sapato e churrasco. Enquanto isso estiver prevalecendo, o amor vai ter preço, vai estar na prateleira para ser vendido e consequentemente comprado. Haja vista que o deputado Geddel Vieira Lima, “guardava” em um apartamento em Salvador, local que mais parecia um bunker, a soma de 51 milhões em dinheiro, talvez no afã de que com uma parte dessa fortuna, pudesse comprar o amor verdadeiro de inúmeros eleitores indecisos.
Eu acredito que as coisas irão mudar, talvez não na velocidade que ansiamos, mas temos que acreditar, faz parte da nossa boa e velha índole.
Temos que acreditar que aquele que rouba irá preso, seja ele com ou sem partido. Temos que acreditar que não existe exclusividade, todos irão devolver e pagar pelos crimes cometidos, ladrões de todas as ordens, de todas as esferas e galáxias.
Como Caetano Veloso, “Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem. Apenas sei de diversas harmonias bonitas, possíveis sem juízo final…”. Isto porque sei, vejo e vivo que “Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial…”. Mas um dia essa ordem vai entrar em ordem, pode acreditar.

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

 

5 comentários

  1. Ohhhhh…tamos seguindo clima do texto…S2…

  2. Tem uma música que diz que não vale nem 50 reais….

  3. O que é isso? É de comer, é de vestir, é de pegar, é de olhar? Nunca vi, só ouço falar. kkkkkkk

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