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Russos encontram bactérias vivendo no espaço

Matéria publicada em 7 de dezembro de 2017, 12:45 horas

 


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Os cosmonautas russos da Estação Espacial Internacional encontraram bactérias vivendo no Espaço. Segundo a agência estatal Tass os micro-organismos foram encontrados na parte externa dos módulos russos. Quando fazem passeios no Espaço os cosmonautas costumam escovar a parte externa dos módulos com algodão, que é trazido para exames na Terra. Segundo eles as últimas amostras, colhidas pelo cosmonauta Anton Shkaplerov, revelaram a presença de bactérias vivas que não estavam lá quando o módulo foi lançado da Terra.

“Essas bactérias vieram do espaço exterior e se instalaram na parte externa do módulo. Elas estão sendo estudadas, mas parece que não representam perigo”, disse o cosmonauta.

Apesar da afirmação de Shkaplerov não existe nenhuma certeza de que se trate do primeiro exemplo de vida extraterrestre. O mais provável é que as bactérias tenham vindo do planeta Terra. Afinal, mesmo a 400 quilômetros de altura a estação espacial ISS ainda se encontra dentro das camadas mais elevadas da nossa atmosfera. As moléculas de ar lá em cima são muito rarefeitas, mas ainda assim provocam o atrito que reduz a velocidade da estação espacial. É por isso que a órbita da ISS precisa ser corrigida periodicamente, para evitar que ela caia em nosso planeta.

Furacões e outros ventos violentos podem levar organismos minúsculos, como bactérias, lá para cima. Em 2014, outro cosmonauta russo, Vladimir Solovyov, afirmou que tinha encontrado amostras de plâncton e outros micro-organismos terrestres nas amostras colhidas durante as caminhadas no Espaço. A nova afirmação de que as novas bactérias seriam “do espaço exterior” ainda precisa ser comprovada. Afinal, bactérias terrestres já mostraram que podem sobreviver ao vácuo e as temperaturas do espaço se forem levadas acidentalmente lá para cima. É por isso que as sondas espaciais enviadas para outros planetas são cuidadosamente esterilizadas e descontaminadas antes da partida.

Em 1970, durante a missão Apollo 12, os astronautas americanos foram até a Lua e trouxeram de volta a câmara de TV da sonda robô Surveyor 3, que tinha pousado na superfície lunar quatro anos antes, em 1966. Quando a câmara foi aberta e examinada, nos laboratórios da Nasa, os cientistas encontraram bactérias de uma espécie bem conhecida vivendo lá dentro. Elas tinham sobrevivido durante quatro anos, não só ao vácuo do Espaço como as temperaturas extremas da superfície lunar. Onde faz 100 graus negativos durante a noite e 120 positivos durante o dia.

Na década de 1960 havia um temor muito grande de que a Terra fosse invadida por micróbios mortais do Espaço Sideral. O que levou o médico e escritor Michael Crichton a escrever a ficção científica “O Enigma de Andrômeda”, transformada em filme pelo diretor Robert Wise em 1971. Em “O Enigma de Andrômeda” toda a população de uma cidade do Arizona morre depois da queda de um satélite americano. O satélite trouxe do Espaço a “espécie Andrômeda” um micro-organismo cristalino que provoca a coagulação instantânea do sangue humano.

Embora não acreditasse na possibilidade de algo assim acontecer na vida real, a Nasa tomou precauções extremas durante as primeiras missões Apollo. Os astronautas das Apollos 11 e 12 foram banhados com desinfetantes quando saíram das naves e tiveram que passar 15 dias de quarentena no “Laboratório de Recepção Lunar”. Mas, como nenhum astronauta ficou doente e nenhum tipo de vida apareceu nas rochas trazidas da Lua, o processo de descontaminação foi abandonado.

Mesmo assim a ideia de que micro-organismos extraterrestres possam chegar a Terra vindos do Espaço nunca foi desmentida ou comprovada.

Surpresa: Bactérias estavam no lado de fora da estação

Surpresa: Bactérias estavam no lado de fora da estação

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Acho que as primeiras formas de vida que encontraremos em Marte, Europa e Encélado serão microorganismos da Terra. É praticamente impossível impedir a contaminação destes corpos celestes durante a exploração.

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