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Saiba tudo sobre a leptospirose canina

Matéria publicada em 13 de fevereiro de 2017, 13:55 horas

 


Tratamento requer que o animal fique internado, pois ele é foco de transmissão para outros animais da casa e para o homem

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A leptospirose é uma doença infecciosa, endêmica, causada pelas bactérias do gênero Leptospira. É uma zoonose, pois pode ser passada dos animais para o homem. Sendo observada, principalmente, nos meses mais chuvosos, em áreas alagadas e/ou deficientes em saneamento. Tanto os animais domésticos quanto os selvagens são reservatórios para esta enfermidade.

A leptospira não se multiplica fora do hospedeiro, e sua sobrevivência fora dele depende das condições do meio ambiente. Em condições favoráveis que são solos úmidos e água parada, o patógeno pode sobreviver no meio ambiente por até 180 dias, já em ambientes secos com pH e temperaturas extremas, são altamente sensíveis e não sobrevivem.

É conhecida também como “doença do xixi do rato”, pois o rato é o maior responsável por sua transmissão, mas tanto os animais selvagens quanto os domésticos são reservatórios para essa enfermidade.

A leptospira multiplica-se nos rins dos ratos sem causar danos, e é eliminada pela urina, às vezes por toda a vida do animal. Os ratos e os camundongos urinam, normalmente próximo a lugares onde encontram algo para comer, como restos de comida de cachorros, lixo, ossos. Um cão que logo pela manhã, no quintal ou no jardim, focinha o rastro de um rato e lambe um pouco da urina do roedor é, na maioria dos casos, contaminado. Outra forma de contaminação é através de uma ferida aberta na pele em contato com a urina.

Poucos dias ou horas depois, há gastroenterite hemorrágica, mialgia (dor no corpo), fraqueza, depressão, poliúria (o cão faz muito xixi), polidipsia (bebe muita água), tosse espontânea, respiração difícil, estomatite necrosante (feridas na boca), icterícia (mucosas amarelas), urina com sangue (bem escura), hemorragias subcutâneas.

Depois de 8-14 dias de contágio, manifesta-se a icterícia, o animal evacua água quase preta, vomita fortemente e morre depois de 3 ou 4 dias.

Infelizmente é uma doença de curso rápido. Qualquer alteração acima que você tenha visto no seu animal, leve-o imediatamente ao veterinário.

O diagnóstico da leptospirose consiste em detectar a bactéria no sangue ou na urina do animal acometido ou demonstrar um aumento nos títulos de anticorpos para um determinado sorovar. O diagnóstico laboratorial inclui hematologia, urinálise, sorologia e identificação da bactéria em tecidos apropriados.

O tratamento requer que o animal fique internado na clínica, pois ele é foco de transmissão para outros animais da casa e para o homem. Além disso, ele precisa de soroterapia para repor líquido que perdeu com vômitos e diarreia, além de antibióticos, antieméticos e antidiarreicos, que devem seguir padrão rigoroso de dosagem e horário.

Os cães com leptospirose devem ser manejados cuidadosamente para evitar infecção. Mesmo que seu cão se recupere, ele ainda pode ser um portador por até um ano. Seu veterinário pode aconselhá-lo sobre como evitar infecção depois que ele estiver bem.

É uma doença que, quando tratada desde o início, tem boa porcentagem de cura. Mas se o animal já chegar ao veterinário com ictericia e/ou urinando sangue, as chances de cura diminuem, podendo, em muitos casos, levar à morte.

A prevenção ainda é o melhor remédio. Por isso fique atento a esses cuidados:

– não deixe o alimento pernoitar na vasilha;

– mantenha-os acima do nível do solo, usando suportes de fixação nas paredes;

– recolha restos de alimentos e deixe os sacos de lixos lacrados em locais de difícil acesso;

– tele entradas externas para dificultar a entrada do roedor;

– drene águas paradas;

– limpe terrenos baldios;

– faça controle de roedores;

– faça uso de luva para lidar com o animal doente;

– vacine seu animal anual ou semestralmente para o resto da vida. O controle deve ser feito através da vacinação dos animais, visto a impossibilidade de eliminar os reservatórios desta enfermidade. Este controle requer especial atenção, haja vista a alta taxa de mortalidade apesar dos tratamentos intensivos e de sequelas irreversíveis. A vacinação tem sido efetiva reduzindo a prevalência e severidade da doença.

Então, fique ligado e não deixe de vacinar seu animalzinho.

 

Preciso de um lar

Essa é a Ises, uma cadelinha linda, de seis meses, já castrada, de médio porte. Ela é muito carente, medrosa, insegura e precisa muito de um lar.

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GLAYCE CASSARO PEREIRA | glayce.cassaro@diariodovale.com.br

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