quarta-feira, 25 de abril de 2018

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São as águas de março…

Matéria publicada em 23 de março de 2018, 07:00 horas

 


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Reta final do terceiro mês do ano.
Célere, ele avança pelos 365 dias do ano e já nos aponta um abril que não é o mês da mentira, mas, com certeza, um mês de esperanças, mais um a lutar contra a crise que, felizmente, começa a dar sinal de que é chegado o seu fim, que mesmo com um governo atabalhoado, mentor de um pacto que mais favorece os seus pares do que o povo, parece que tudo vai voltar a normalidade, nos permitindo colocar a cabeça para fora d’água ou que possamos respirar sem a ajuda de aparelhos.
O mês de março parece que não foi muito diferente dos seus antecessores, janeiro e fevereiro, pois as mazelas continuam a acontecer numa escala que só faz crescer. Março, diferente dos outros meses, foi marcado por um crime bárbaro, o assassinato da vereadora Marielle Franco, fato que tomou conta do Brasil e do mundo. Depois dela morreram crianças e adultos, civis e militares, e a estatística não para de crescer. O Exército patrulha o Estado do Rio, mas ainda se mostra tímido nos seus resultados, não revelando ao que veio, se é que o objetivo é realmente colocar ordem na casa.
Claro que seríamos tolos se acreditássemos que tudo mudaria como em um passe de mágica, como nos filmes de Harry Potter. São dezenas de anos tomados pelo descaso de Norte a Sul do nosso Estado. Favelas, hoje reconhecidas como comunidades, crescendo em ritmo vertiginoso, sem o menor acompanhamento das autoridades, local onde falta de tudo. Melhorar a vida das pessoas que vivem nesses locais em todas as cidades do Estado do Rio de Janeiro, do Brasil, deveria ser prioridade, já que muito se apregoa que o crime vem de cima e não do asfalto, algo totalmente falso.

Limpeza

Não sei se as águas de março irão de verdade fazer uma limpeza de forma a dar ao cidadão de bem a liberdade de ir as ruas com tranquilidade, de poder sem medo retirar as grades das janelas, de se permitir ostentar um celular de última geração ou um relógio mais transado.
Somos, e não é de hoje, reféns por onde andamos, temos hora para voltar para casa, de janeiro a dezembro. Falta-nos educação e saúde, uma frase dita pelo antropólogo e professor Darcy Ribeiro, falecido em 1997, me marcou profundamente: “A crise da educação no Brasil não é uma crise: é um projeto”. E, infelizmente, não vejo isso como uma colocação qualquer, ela é insofismavelmente real.
A música composta por Tom Jobim que foi por ele imortalizada, tocada ao piano e interpretada por Elis Regina, é uma história com começo, meio e fim. “É pau, é pedra, é o fim do caminho”.
Em um de seus principais versos encontramos: “É o fundo do poço, é o fim do caminho. No rosto, o desgosto, é um pouco sozinho. É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto. É um pingo pingando, é uma conta, é um conto. É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando. É a luz da manhã, é o tijolo chegando. É a lenha, é o dia, é o fim da picada. É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada. É o projeto da casa, é o corpo na cama”. Indiscutivelmente o Brasil passa por aqui, por essa letra, pelas suas conquistas e, sobretudo, pelos seus inúmeros descasos, algo que nos acometi desde 1.500, já a partir da chegada de Pedro Álvares Cabral por aqui.
Com isso, muitos marços se passaram e desde que isso aconteceu já são 518 anos de lutas e buscas, 5.570 municípios dominados de ponta a ponta, 27 Estados tomados por uma política que pouco ou nada enxerga o seu povo, que o esquece literalmente em anos em que as urnas estão no escuro de seus depósitos, mas quando se aproximam as eleições, a voracidade toma conta e a caça aos eleitores se torna algo avassalador, até que a calmaria volte e todos os eleitos confortavelmente se sentam em seus tronos.
Salvos alguns nomes que têm objetivamente no povo os seus verdadeiros projetos de luta e progresso, que acreditam que somar é melhor que subtrair ou mesmo dividir. Muitos dos que hoje ocupam cadeiras na política brasileira esperam mesmo é que as águas de março não fechem o verão, que o tempo pare e que eles possam ficar eternamente gozando das mordomias do cargo e, sobretudo, da nossa cara.

 

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. RETA FINAL DE MARÇO DE 2018 E PARECE QUE ESTAMOS FALANDO DE ANOS ATRAS, COM A DIFERENCA QUE AS COISAS SO PIORARAM OU MELHOR NOS ESTAMOS M
    AIS CONCIENTE DE TODO MAL QUE ESSES
    HOMENS QUE TEM POLITICA COMO PROFISSÃO FAZEM A TODOS NOS CIDADAOS BRASILEIROS DE BEM.
    VIOLENCIA, MORTE, PESSIMAS CONDIÇOES DE SAUDE. ATE QUANDO VAMOS SOFRER COM ISSO?
    ATE QUANDO ESSAS PESSOAS FICARAO IMPUNES? QUANTA DOR. QUANTAS LAGRIMAS DERRAMADAS.
    MAS COMO APRENDI DESDE SEMPRE A ESPERANÇA É A PRIMEIRA QUE NASCE.
    E É COM ELA QUE A GENTE VIVE DIA PÓS DIA.
    COMO DIZ O DITADO: ORA QUE MELHORA
    É PAU, É PEDRA, MAS NAO É O FIM DO CAMIMHO.
    FÉ EM DEUS.

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