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Sob o brilho vermelho de Marte

Matéria publicada em 10 de julho de 2018, 08:13 horas

 


Planeta se aproxima da Terra e cintila no céu do inverno

Ataque: O medo dos discos voadores na revista de 1957

Marte, o planeta vermelho, encontra-se em oposição com a Terra. É a época em que ele fica mais próximo do nosso planeta e brilha no céu como uma grande estrela avermelhada. Para ver Marte basta olhar para o céu, na direção do leste, aí por volta das dez horas da noite. A olho nu, vemos uma grande estrela avermelhada e cintilante. O fenômeno acontece de dois em dois anos, mas uma grande aproximação, como a atual, leva 15 anos para acontecer. A última foi em 2003.

Marte recebeu o nome do deus da guerra dos romanos, devido a sua cor avermelhada, que lembra o sangue derramado nos conflitos humanos. Ele tem duas pequenas luas, que só podem ser vistas com um telescópio. Elas receberam os nomes de Fobos e Deimos. O medo e o terror, as companheiras do deus da guerra. E Marte já deu muito medo aos seres humanos. Antes das sondas espaciais era muito difícil observar este pequeno mundo. No final do século dezenove um astrônomo italiano, Giovanni Schiaparelli, afirmou ter observado linhas retas, que ele acreditava serem canais de irrigação no planeta vermelho.

Se haviam canais em Marte eles só podiam ser obra de seres inteligentes. Foi o início do mito dos marcianos. Mito que foi reforçado pelo romance “A guerra dos mundos”, do escritor britânico H.G.Wells. No livro os marcianos atacam a Terra e massacram os seres humanos, que para eles não passavam de animais. Depois da Segunda Guerra Mundial começaram os relatos de aeronaves estranhas no céu, os chamados discos voadores. E o povo acreditava que fossem naves dos marcianos, preparando a invasão da Terra.

Em outubro 1957, durante uma oposição de Marte, a revista americana Amazing Stories publicou uma edição especial sobre discos voadores. Com uma capa que mostrava as naves pilotadas por marcianos verdes atacando um inofensivo avião de passageiros. Os especialistas em OVNIs diziam que as aparições aumentavam sempre que Marte se aproximava da Terra.

Na época muitos pilotos da aviação comercial e militar relatavam encontros com discos voadores. Mas que se saiba nenhum deles jamais derrubou um avião, como na ilustração aí ao lado. Logo os americanos iam ter motivos bem reais para temer coisas no céu. Naquele mesmo mês de outubro, enquanto a revista dos discos voadores ainda estava nas bancas, a União Soviética assombrou o mundo. Lançando ao espaço o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik 1.

Foi o início da era espacial e o fim do mito dos marcianos. Em 1964 a primeira sonda espacial americana, a Mariner 4, chegou em Marte e fotografou o planeta. Foi uma mistura de decepção e alivio. As fotos mostravam desertos e crateras, e nenhum sinal de canais ou de cidades marcianas. Sem marcianos ou discos voadores Marte deixou de interessar aos autores de ficção. Na época o produtor de TV Gene Rodemberry dava os retoques finais no seu seriado de ficção científica. “Jornada nas Estrelas”. Que contaria as aventuras da tripulação da nave Enterprise.

No roteiro original a Enterprise teria um marciano em sua tripulação. O senhor Spock, de pele esverdeada e orelhas pontudas. Com as descobertas da Mariner 4 a origem do personagem foi mudada e ele passou a ser um habitante do fictício planeta Vulcano. Porque todo mundo já sabia que não existiam os tais marcianos imaginados por Wells e Schiaparelli.

Hoje em dia, no século 21, os seres humanos estão se preparando para invadir Marte. E já colocamos uma série de robôs para percorrer o planeta. Descobrimos que Marte é um deserto gelado assolado por tempestades de areia. E talvez na próxima década Marte comece a ser colonizado pelos seres humanos. E então, nós seremos os marcianos.

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