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Solo marciano pode ser fatal para micro-organismos

Matéria publicada em 13 de julho de 2017, 07:10 horas

 


Atmosfera do planeta é muito rarefeita, com apenas 1% da densidade da atmosfera da Terra

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Esta ficando cada vez mais difícil encontrar vida no planeta Marte. Um novo estudo realizado pelo Instituto de Astrobiologia da Universidade de Edimburgo, na Escócia, mostra que a radiação ultravioleta, combinada com os compostos de cloro, existentes no solo marciano, pode matar a maioria dos micro-organismos conhecidos. O que afasta a possibilidade de contaminação do planeta por micróbios terrestres trazidos pelas sondas espaciais. Mas também torna improvável a existência de marcianos, até mesmo do tipo que só se enxerga no microscópio.

A equipe da cientista Jennifer Wadsworth colocou bactérias terrestres em um ambiente simulado de Marte. O Bacilus subtilis é um tipo de bactéria que costuma contaminar nossas espaçonaves. Mas exposto à radiação ultravioleta e aos percloratos encontrados no solo marciano ele morreu em poucos minutos. Em uma segunda fase da experiência os cientistas adicionaram óxidos de ferro e peróxido de hidrogênio, que também são elementos comuns do solo e das rochas marcianas. Com a nova mistura as bactérias morreram em 60 segundos.

O problema com Marte é que a atmosfera do planeta é muito rarefeita, com apenas 1% da densidade da atmosfera da Terra. Esse ar marciano muito tênue não filtra a radiação ultravioleta do Sol, que atinge a superfície de Marte com força total.

Os raios UV provocam reações fotoquímicas no solo marciano, criando compostos que agem como um verdadeiro desinfetante. É por isso que as sondas espaciais nunca encontraram o menor sinal de vida no planeta vermelho. Cientistas e artistas do século passado sonharam com paisagens marcianas cobertas de vegetação, mas na realidade não existem nem ao menos líquens.

Busca

A equipe de Edimburgo sugere que a busca por vida em Marte terá que passar para o subsolo do planeta. Onde os possíveis micro-organismos marcianos ficariam protegidos da radiação solar. Jennifer Wadsworth sugere que será preciso escavar alguns metros para se ter chance de encontrar algum organismo. Em 2020 a Agência Espacial Europeia pretende enviar uma sonda, construída em parceria com a Rússia, para escavar o solo marciano. A perfuratriz do novo robô será capaz de furar até uma profundidade de dois metros.

Durante muitos anos Marte foi considerado o planeta mais favorável à existência de vida, depois da Terra, em nosso sistema solar. A ideia ainda permanece em filmes de ficção, como “Vida”, exibido no início do ano. Mas na vida real os exobiólogos, que procuram sinais de vida fora da Terra, começam a olhar para as luas de Júpiter e Saturno como locais mais prováveis para a existência de seres extraterrestres.

A lua Europa de Júpiter, e a lua Encelado, do planeta Saturno, possuem oceanos de água mais profundos que os da Terra. Esses mares estão cobertos por grossas capas de gelo que impedem a penetração de radiações nocivas e poderiam criar um habitat favorável para seres aquáticos. Infelizmente Júpiter e Saturno estão muito mais distantes da Terra do que Marte e para explorar os oceanos de suas luas será preciso perfurar através de mais de um quilômetro de gelo sólido.

Em Marte é bem mais fácil e já existem vários robôs percorrendo o planeta, como o americano Curiosity. As novas descobertas tornam mais difíceis a existência de organismos marcianos, mas não a eliminam completamente. Existem bactérias que podem sobreviver em ambientes tóxicos para a maioria dos seres vivos. E um micro-organismo marciano teria milhões de anos para se ajustar ao ambiente hostil do planeta.

Estéril: A paisagem desolada de Marte fotografada pelo robô Spirit

Estéril: A paisagem desolada de Marte fotografada pelo robô Spirit

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Muito boa como sempre a coluna de ciências. A busca por vida no sistema Solar é fascinante e pode dar pistas sobre a origem da vida na Terra. Equipamentos mais modernos e uma viagem tripulada a Marte poderão jogar mais luz nestas questões.

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