domingo, 17 de dezembro de 2017

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Telescópio detecta um pulsar na galáxia de Andrômeda

Matéria publicada em 13 de abril de 2017, 13:08 horas

 


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O telescópio espacial Nustar, da agência espacial americana Nasa, conseguiu localizar a fonte dos misteriosos raios X vindos da galáxia de Andrômeda. Trata-se de uma estrela de nêutrons situada bem perto do centro da galáxia, que emite um espectro semelhante ao de um pulsar. Andrômeda é o objeto mais distante que podemos ver no céu, a olho nu. Mas é preciso se posicionar bem longe das luzes das cidades e olhar para o norte, na direção da constelação de Andrômeda. Em uma noite bem escura, de lua nova, dá para ver uma manchinha de luz pálida. Ela é tão apagada porque fica a dois milhões de anos luz da Terra.

Os telescópios revelam que Andrômeda é uma galáxia bem semelhante a nossa, a Via Láctea. Como toda galáxia que se preza Andrômeda tem vários buracos negros que emitem raios X à medida que engolem matéria do espaço ao redor. Mas, a maior fonte de raios X de Andrômeda não é um buraco negro, é uma estrela de nêutrons que gira rapidamente em torno de seu eixo e parece estar associada com outra estrela maior.

Tanto os buracos negros quanto as estrelas de nêutrons são o que sobra de estrelas gigantes que esgotaram seu combustível. Sem a pressão da radiação produzida pela fusão nuclear a estrela implode e desaba sobre si mesma. Dependendo do tamanho da estrela o que sobra é uma bola de nêutrons do tamanho de uma cidade. Ou um poço gravitacional sem fundo, o buraco negro.

A gravidade desses objetos é muito intensa. E à medida que eles roubam matéria de estrelas próximas, o material é aquecido a altíssimas temperaturas, emitindo raios X e gama. As várias fontes de raios X de Andrômeda já tinham sido localizadas pelos telescópios espaciais, como o Swift, mas faltava identificar a mais potente de todas. Para isso foi usado o satélite Nustar, nome que vem das iniciais em inglês de Telescópio Espectroscópico Nuclear. Com ele a equipe da universidade Johns Hopkins determinou que os raios X vêm de uma estrela catalogada como Swift J0046.6 + 4112. Os números são as coordenadas celestes do objeto.

Ouvido pelo site Space.com o astrônomo Mihoko Yukuda explicou que a estrela de nêutrons está associada a outra estrela, comum. À medida que matéria é sugada da estrela comum para a estrela de nêutrons ela é aquecida até uma temperatura de milhões de graus e emite raios X. Todo mundo já viu o brilho vermelho das brasas de uma fogueira. Quanto maior for a temperatura de uma substância, menor é o comprimento de onda da radiação que ela emite. Assim, o filamento de uma lâmpada incandescente, que é mais quente que as brasas de uma fogueira, emite luz amarela.

Continuando a aumentar a temperatura, a luz passa de amarelo para branco azulado. Depois some porque acima do azul e do violeta as radiações se tornam invisíveis aos nossos olhos. Passamos pelo ultravioleta e depois as radiações X e gama. É o caso da energia dos pulsares, emitida por matéria aquecida a milhões de graus centígrados.

Existem vários pulsares em nossa galáxia e alguns emitem sinais de rádio tão precisos que são usados para acertar os relógios atômicos dos observatórios. Relógios que servem de padrão para acertar os relógios comuns em todo o mundo.

Andrômeda e nossa galáxia, a Via Láctea, fazem parte de um grupo de galáxias conhecido como Grupo Local, que inclui as Nuvens de Magalhães, galáxias irregulares que são satélites da Via Láctea. Andrômeda está sendo atraída por nossa galáxia e as duas vão se chocar daqui a bilhões de anos. O que vai deixar o céu cheio de estrelas. Mas é provável que nosso planeta, a Terra, não exista mais nessa época.

Longe: Andrômeda fica a dois milhões de anos luz da Terra

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Obrigado Calife por mais esta aula de física e astronomia, suas colunas são sempre muito interessantes e didáticas. Ainda bem que descobriram logo a fontes destes raios X, pois aposto que já estavam falando por aí que eram alienígenas chegando para invadir a Terra. A ciência é sempre mais interessante e surpreendente.

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