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Telescópio Kepler aumenta o catálogo de novos mundos

Matéria publicada em 5 de janeiro de 2017, 07:05 horas

 


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No ano que passou o telescópio espacial Kepler não parou de revelar novos mundos. Planetas pequenos e mundos gigantes que orbitam outras estrelas além do Sol. Alguns ficam na zona habitável, nem muito longe, nem muito distante de seus sóis. O que pode permitir a existência de água líquida e de vida como a conhecemos. Outros são mundos gigantes, de características bizarras que não deixam de surpreender os astrônomos.

Desses mundos extrassolares um dos mais próximos é o Epsilon Eridani b, que orbita uma estrela alaranjada, como o nosso Sol, a “apenas” 10,5 anos luz de distância. Epsilon Eridani b está tão perto que poderá ser fotografado pela próxima geração de telescópios espaciais. Como o James Webb, que a Nasa deve lançar no final da década. Mas não é um lugar interessante para quem procura por vida extraterrestre. Ele fica muito longe de seu sol alaranjado e deve ter temperaturas congelantes.

No extremo oposto, dos mundos muito quentes, está o planeta gigante TrES-4, que é 1,7 vezes maior do que Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar. Mas está tão próximo de sua estrela que gira ao redor dela em um ano de três dias e meio. Ainda bem que não vivemos em um planeta assim. Imagine ouvir toda essa balburdia de fogos de artifício e explosões a cada três dias e meio.

O planeta HD 188753 tem três sóis no céu. Ele supera Tatoine, aquele mundo fictício de Guerra nas Estrelas que orbitava uma estrela dupla. HD 188753 é um mundo gasoso semelhante a Júpiter, mas pode ter um sistema de luas com superfícies sólidas. Ele fica a 149 anos-luz da Terra e é um mundo muito quente, orbitando seu sol triplo uma vez a cada três dias.

Ainda mais exótico é o planeta HAT-P-7B onde existem nuvens formadas de corundum, o mineral que forma safiras e rubis. Uma espaçonave do futuro, voando na atmosfera desse planeta pode ser bombardeada por uma chuva de joias.

Para os astrônomos que buscam vida fora da Terra os mais interessantes são os mundos mais parecidos com o nosso planeta. Como o Proxima b, um planeta com uma massa 1,3 vezes maior que a da Terra e que orbita seu sol, Proxima Centauri, na faixa que permite a existência de água líquida. Proxima Centauri é a estrela mais próxima da Terra e fica a pouco mais de quatro anos luz. Ainda é uma distância e tanto, um ano-luz é igual a nove trilhões de quilômetros, mas que pode ser percorrida pelas naves espaciais fotônicas atualmente em projeto.

Projetos como o Dragonfly, que pretendem usar velas refletoras de luz laser para impulsionar uma mini sonda, do tamanho de um selo postal, capaz de fotografar os mundos de outras estrelas. Só no ano que passou o telescópio espacial Kepler aumentou a lista de mundos conhecidos para 3439 mundos.

O que aumenta também a possibilidade de que a Terra não seja o único mundo habitado. Até hoje, a busca por sinais de rádio emitidos por outras civilizações não conseguiu detectar nada. Mas os pesquisadores não desistem e novas antenas gigantescas foram inauguradas na China e na Rússia. Talvez os planetas da nossa galáxia estejam cheios de vida, mas não do tipo de vida que constrói antenas e vive se comunicando por meio de instrumentos eletrônicos.

Uma coisa é certa, se existir vida nesses mundos ela vai ser diferente de tudo o que conhecemos. Os extraterrestres do cinema costumam ser seres antropomórficos, ou variações de animais que existem na Terra. Mas a evolução pode criar coisas muito estranhas nesses mundos alienígenas. Criaturas de formas e cores exóticas que superam nossa imaginação. Explorar este oceano do espaço é o desafio que se apresenta para o novo milênio.

Mundos: 2016 viu aumentar a lista de mundos exóticos no espaço

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

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