segunda-feira, 20 de novembro de 2017

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Tempo de tormentas, na Terra e no espaço

Matéria publicada em 14 de setembro de 2017, 07:05 horas

 


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O mês de setembro está sendo marcado por grandes tempestades. Na semana passada três furacões se formaram ao mesmo tempo no Caribe. E isso apenas uma semana depois do Texas ser devastado pelo furacão Harvey. O furacão Irma, o maior de todos, atingiu categoria 5, com ventos de 300 quilômetros horários, arrasou as ilhas de Barbuda e St. Martin e provocou a evacuação da famosa Miami Beach. Enquanto isso, no espaço sideral, o Sol sofreu uma série de explosões de categoria máxima, provocando uma tempestade geomagnética capaz de afetar as comunicações na Terra.

As explosões solares aconteceram em torno de uma região ativa da mancha solar AR 2673. Essas labaredas solares gigantes acontecem quando o campo magnético do Sol libera uma descarga de energia. Elas foram acompanhadas por uma ejeção de massa coronal que lança um verdadeiro oceano de plasma eletrificado no espaço. Quando chega a Terra essa energia afeta o campo magnético do nosso planeta, provocando auroras polares intensas e interferindo nos sistemas de comunicações.

A Nasa informou que os astronautas da Estação Espacial Internacional estão seguros. Eles se encontram abaixo dos cinturões de radiação Van Allen onde as partículas atômicas vindas do Sol ficam aprisionadas. Mas o fenômeno pode afetar os satélites de comunicações, que ficam a 36 mil quilômetros de altura. As explosões solares só apresentam perigo para astronautas que estejam no espaço profundo, longe da Terra, mas não há nenhuma missão desse tipo atualmente.

A equipe da Estação Espacial vem ajudando a Nasa e a agência NOAA (que monitora a atmosfera e o oceano) a acompanhar a evolução da série de furacões que vem atingindo o Caribe. Desde 2010 que não ocorriam três furacões simultâneos naquela região. Eles são causados por um aumento anormal na temperatura dos oceanos, que anda em torno dos 30 graus no Caribe e adjacências. O aquecimento do oceano aumenta a evaporação que serve de combustível para os furacões. Enquanto se move sobre o mar o furacão ganha força, quando chega ao continente ele se transforma em uma tempestade tropical.

Foi o que aconteceu com o Harvey no final de agosto. Mesmo perdendo força ele alagou a cidade de Houston e provocou uma interrupção nas atividades do centro de controle da Nasa, que fica naquela cidade. Uma equipe ficou ilhada no centro espacial para manter o contato com os astronautas que estão na ISS. Outra preocupação do pessoal do centro espacial foi com o foguete Saturno 5, sobrevivente das missões Apollo nos anos de 1970 e que fica em exibição dentro de uma enorme caixa de metal, nos jardins do Johnson Space Center. Mas a enorme relíquia da corrida espacial não foi atingida pela inundação.

O furacão Irma, que atingiu categoria 5 ao passar pelas Ilhas Virgens, também foi outra fonte de preocupação para a equipe da Nasa. Sua rota o levou perigosamente próximo do Centro Espacial Kennedy, que fica perto de Orlando. O centro já passou por outras tempestades violentas, como o Andrew, que devastou a Flórida em 1992 e atualmente só serve para o lançamento de satélites e naves não tripuladas. Como os foguetes da empresa Space X, que abastecem a estação internacional. Todas as missões tripuladas americanas estão partindo do Cazaquistão.

Ao contrário dos tornados, que são localizados, os furacões são tempestades imensas, que podem cobrir uma região inteira, com mais de mil quilômetros de diâmetro. Só o olho do furacão Irma tem 46 quilômetros e os ventos perto do olho ultrapassam a força de um tornado de categoria F2. Em Barbados um jovem surfista de 16 anos, Zander Venezia, morreu ao tentar surfar uma das ondas gigantes provocadas pelo furacão.

Vista: O Irma foi fotografado da estação espacial

Vista: O Irma foi fotografado da estação espacial

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Este mês a NASA divulgou belíssimas fotos da atmosfera turbulenta de Júpiter, com furacões e ciclones por todo lado. Daqui a pouco a atmosfera da Terra vai ficar assim também…

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