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TESS se prepara para sua caçada aos novos planetas

Matéria publicada em 26 de abril de 2018, 07:32 horas

 


Lançamento com o foguete Falcon 9 foi perfeito

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Perfeito: O Falcon levou o TESS para o espaço

Perfeito: O Falcon levou o TESS para o espaço

O novo telescópio espacial da NASA, o caçador de planetas TESS, entrou em órbita como planejado. O lançamento foi na quarta-feira da semana passada, pelo foguete Falcon 9 da empresa Space X. Decolando com perfeição o Falcon 9 ejetou seu primeiro estagio, que retornou a Terra e enviou o Falcon 9 para sua orbita extremamente alonga, que passa nas imediações da Lua.
Robert Lockwood, gerente do programa TESS, comentou antes do lançamento que “a diversão começa depois que o satélite se solta do cone do foguete”. Até esse momento o satélite é um passageiro inerte. Depois que o cone do foguete se abre o satélite é ativado, abrindo seus painéis solares e começando a se orientar em sua órbita. O TESS entrou em uma órbita muito estável que não vai exigir muitas correções. Ela tem um perigeu (ponto de maior aproximação com a Terra) de 108 mil quilômetros e um apogeu (ponto de maior afastamento) de 373 mil quilômetros. TESS dará uma volta em torno do mundo a cada 13 dias e poderá ficar no espaço durante décadas devido a grande distancia do nosso planeta.
Nos primeiros cinco dias no espaço o telescópio passou por uma serie de testes, para verificar se esta tudo funcionando bem depois das vibrações do lançamento. Então, esta semana, as quatro câmeras CCD do telescópio serão ativadas para receberem a “primeira luz”. Se tudo continuar correndo como esperado TESS realizará uma série de manobras passando perto da Lua no dia 17 de maio.
Dois meses depois do lançamento, em meados de junho, o satélite chegará a sua orbita final e poderá começar suas observações das estrelas. Espera-se que TESS seja capaz de monitorar a luminosidade de 200 mil estrelas próximas da Terra, para verificar se elas possuem um sistema de planetas como o nosso Sol. A passagem dos planetas diante das estrelas reduz sua luminosidade permitindo que as câmeras sensíveis registrem sua presença e suas características.
TESS é o sucessor do telescópio Kepler, que descobriu 2600 planetas orbitando estrelas distantes. A diferença é que TESS vai focalizar as estrelas mais próximas do nosso sistema solar e que portanto são mais fáceis de observar. Durante muito tempo se acreditou que o nosso sistema solar fosse uma exceção no universo. E que mundos como a Terra fossem extremamente raros. Isso acontecia devido as teorias erradas sobre a formação de planetas que estiveram em vigor durante o século dezenove e a primeira metade do século vinte.
Uma dessas teorias dizia que o sistema solar se formara do material que fora arrancado da superfície do Sol por outra estrela que passou muito perto. Como encontros com estrelas errantes são muito raros, a possibilidade de existirem outros sistemas solares era muito pequena.
Hoje sabemos que o Sol é formado por gases leves, como hidrogênio e hélio. Mesmo que um pedaço do Sol fosse arrancado por outra estrela ele não formaria planetas de rocha e metal como a Terra e Marte. Hoje sabemos que os sistemas de planetas se formam da condensação e do colapso das nuvens de matéria cósmica que formam as estrelas. Temos certeza disso porque os telescópios espaciais, como o Hubble, já fotografaram esse fenômeno ocorrendo em outros locais do Universo.
O imenso número de planetas existente só na nossa galáxia, aumenta as chances da existência de vida nesses mundos. O que é algo que já foi considerado muito improvável. Em épocas tão recentes quanto o final do século 20 houve autores sustentando que a vida era um fenômeno muito raro, acontecendo apenas na Terra. Tudo indica que esta é outra concepção que deve mudar muito nas próximas décadas.

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 


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