ÔĽŅ TESS se prepara para sua ca√ßada aos novos planetas - Di√°rio do Vale
quarta-feira, 15 de agosto de 2018

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Capa / Ci√™ncia ‚Äď Por Jorge Calife / TESS se prepara para sua ca√ßada aos novos planetas

TESS se prepara para sua caçada aos novos planetas

Matéria publicada em 26 de abril de 2018, 07:32 horas

 


Lançamento com o foguete Falcon 9 foi perfeito

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Perfeito: O Falcon levou o TESS para o espaço

Perfeito: O Falcon levou o TESS para o espaço

O novo telesc√≥pio espacial da NASA, o ca√ßador de planetas TESS, entrou em √≥rbita como planejado. O lan√ßamento foi na quarta-feira da semana passada, pelo foguete Falcon 9 da empresa Space X. Decolando com perfei√ß√£o o Falcon 9 ejetou seu primeiro estagio, que retornou a Terra e enviou o Falcon 9 para sua orbita extremamente alonga, que passa nas imedia√ß√Ķes da Lua.
Robert Lockwood, gerente do programa TESS, comentou antes do lan√ßamento que ‚Äúa divers√£o come√ßa depois que o sat√©lite se solta do cone do foguete‚ÄĚ. At√© esse momento o sat√©lite √© um passageiro inerte. Depois que o cone do foguete se abre o sat√©lite √© ativado, abrindo seus pain√©is solares e come√ßando a se orientar em sua √≥rbita. O TESS entrou em uma √≥rbita muito est√°vel que n√£o vai exigir muitas corre√ß√Ķes. Ela tem um perigeu (ponto de maior aproxima√ß√£o com a Terra) de 108 mil quil√īmetros e um apogeu (ponto de maior afastamento) de 373 mil quil√īmetros. TESS dar√° uma volta em torno do mundo a cada 13 dias e poder√° ficar no espa√ßo durante d√©cadas devido a grande distancia do nosso planeta.
Nos primeiros cinco dias no espa√ßo o telesc√≥pio passou por uma serie de testes, para verificar se esta tudo funcionando bem depois das vibra√ß√Ķes do lan√ßamento. Ent√£o, esta semana, as quatro c√Ęmeras CCD do telesc√≥pio ser√£o ativadas para receberem a ‚Äúprimeira luz‚ÄĚ. Se tudo continuar correndo como esperado TESS realizar√° uma s√©rie de manobras passando perto da Lua no dia 17 de maio.
Dois meses depois do lan√ßamento, em meados de junho, o sat√©lite chegar√° a sua orbita final e poder√° come√ßar suas observa√ß√Ķes das estrelas. Espera-se que TESS seja capaz de monitorar a luminosidade de 200 mil estrelas pr√≥ximas da Terra, para verificar se elas possuem um sistema de planetas como o nosso Sol. A passagem dos planetas diante das estrelas reduz sua luminosidade permitindo que as c√Ęmeras sens√≠veis registrem sua presen√ßa e suas caracter√≠sticas.
TESS é o sucessor do telescópio Kepler, que descobriu 2600 planetas orbitando estrelas distantes. A diferença é que TESS vai focalizar as estrelas mais próximas do nosso sistema solar e que portanto são mais fáceis de observar. Durante muito tempo se acreditou que o nosso sistema solar fosse uma exceção no universo. E que mundos como a Terra fossem extremamente raros. Isso acontecia devido as teorias erradas sobre a formação de planetas que estiveram em vigor durante o século dezenove e a primeira metade do século vinte.
Uma dessas teorias dizia que o sistema solar se formara do material que fora arrancado da superfície do Sol por outra estrela que passou muito perto. Como encontros com estrelas errantes são muito raros, a possibilidade de existirem outros sistemas solares era muito pequena.
Hoje sabemos que o Sol √© formado por gases leves, como hidrog√™nio e h√©lio. Mesmo que um peda√ßo do Sol fosse arrancado por outra estrela ele n√£o formaria planetas de rocha e metal como a Terra e Marte. Hoje sabemos que os sistemas de planetas se formam da condensa√ß√£o e do colapso das nuvens de mat√©ria c√≥smica que formam as estrelas. Temos certeza disso porque os telesc√≥pios espaciais, como o Hubble, j√° fotografaram esse fen√īmeno ocorrendo em outros locais do Universo.
O imenso n√ļmero de planetas existente s√≥ na nossa gal√°xia, aumenta as chances da exist√™ncia de vida nesses mundos. O que √© algo que j√° foi considerado muito improv√°vel. Em √©pocas t√£o recentes quanto o final do s√©culo 20 houve autores sustentando que a vida era um fen√īmeno muito raro, acontecendo apenas na Terra. Tudo indica que esta √© outra concep√ß√£o que deve mudar muito nas pr√≥ximas d√©cadas.

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 

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