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Um país que ninguém queria

Matéria publicada em 3 de fevereiro de 2017, 07:05 horas

 


Nem os bilionários dão certo no Brasil de hoje; situação está ruim tanto para os ricos quanto para os pobres

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Enquanto escrevo estas mal traçadas linhas o ex-bilionário Eike Batista, o único brasileiro que já figurou na lista dos homens mais ricos do mundo da revista Forbes, está preso, em Bangu 9. Humilhado e de cabeça raspada. O Brasil desta era pós Lula é o país que ninguém queria. Onde a situação está ruim tanto para os ricos quanto para os pobres. É incrível perceber que nem bilionário dá certo no Brasil. Os estrangeiros, como o Bill Gates e o Ellon Musk estão aí desfrutando de suas fortunas. Eike Batista perdeu quase tudo o que tinha e ainda foi preso!

Como Eike outros figurões do nosso mundo dos negócios, como os diretores da Odebrecht, estão vendo o sol nascer quadrado. Sem falar no ex-governador Sérgio Cabral, que costumava jantar nos melhores restaurantes de Paris e gastar fortunas em joalherias. Agora está em uma cela em Bangu 8. Se está ruim para os ricos, para os pobres então nem se fala. O número de desempregados já passou dos 12 milhões há muito tempo. Vivendo do Bolsa Família ou do salário mínimo, mesmo os brasileiros que ainda estão empregados levam uma vida miserável e sem perspectivas.

As pessoas se perguntam: “Onde foi que erramos?”. Por que o Brasil, um país que tinha todo um potencial enorme, virou essa catástrofe, esse mar de lama? Na verdade a resposta está com o outro Cabral, não o Sérgio, o Pedro Álvares. Que partiu de Lisboa em 15 de fevereiro de 1500 com uma frota de 13 naus e a missão de chegar na Índia para estabelecer relações comerciais. Naquela época era costume a corte portuguesa dar o comando de expedições marítimas a nobres, como Cabral, que não tinham nenhuma experiência como capitães. A maioria das caravelas de Cabral era comandada por esses marinheiros de primeira viagem.

No lugar de navegarem junto a costa africana se desviaram para oeste e descobriram o Brasil. Há quem diga que o desvio foi intencional, mas isso nunca foi provado. Temos que conviver com a probabilidade de que o Brasil nasceu de um erro de navegação cometido por um capitão incompetente.

Cabral reivindicou o novo território para a coroa portuguesa e começou a exploração. Países como o Canadá e os Estados Unidos nasceram de um projeto de nação. Seus colonizadores queriam viver lá e criar um novo país onde pudessem viver livres da opressão europeia. No Brasil isso não aconteceu. A partir da divisão do território nacional em capitanias hereditárias, passamos a ser um lugar perfeito para o enriquecimento fácil e ilícito. Os portugueses que vinham para cá não queriam criar um novo país, queriam ficar ricos rapidamente, explorando o ouro, o pau brasil e outras riquezas nacionais.

Essa mentalidade foi passada para toda a elite brasileira. Passamos a viver sob a lei do Gérson, onde o importante é levar vantagem em tudo. Durante o império e a república o Brasil foi espoliado e arrasado para sustentar uma elite cujo sonho sempre foi viver na Europa ou no primeiro mundo. O povo sempre foi massa de manobra, mantido na ignorância e manipulado por líderes que só queriam enriquecer, fazendo política em proveito próprio.

E o resultado é esse que vemos hoje em dia. Em pleno ano de 2017, na alvorada do terceiro milênio continuamos a ser o eterno país do futuro. De um futuro que não se concretiza. Do projeto do “Brasil grande” da ditadura militar passamos ao projeto petista do Brasil potência com assento no conselho de segurança da ONU.

Projeto que teve seu ponto alto na escolha do nosso país para sediar uma Olimpíada e uma Copa do Mundo. Agora vivemos a ressaca e a revelação final. Era tudo uma armação para beneficiar os políticos e seus amigos empresários. Como a nau do Pedro Álvares o Brasil saiu da rota e perdeu o rumo.

Cabral acabou chegando na Índia. O Brasil continua perdido e sem rota definida.

 

Início: Pedro Álvares Cabral perde o rumo e acha o Brasil

Início: Pedro Álvares Cabral perde o rumo e acha o Brasil

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

18 comentários

  1. O Donald Trump do Brejo, o arauto do vira-latismo regional, mostra novamente sua falta de informação elementar.
    A lista anual de bilionários da Forbes tem 31 brasileiros em 2016 com mais de 1 bilhão de dólares na conta.

  2. O Brasil vive da ilusão de que o Estado é o grande motor do desenvolvimento e aquele que vai cuidar de todos nós do nascimento até o túmulo. Aqui quando se fala em liberalismo, livre mercado e meritocracia, se fala de forma pejorativa. Resultado? Temos aqui o pior tipo de capitalismo, que lá fora chamam de crony capitalism (capitalismo de compadres), em que empresários inescrupulosos se unem a políticos corruptos para criarem reservas de mercado através de legislação e burocracia que sufocam qualquer tipo de empreendimento – sem falar nos desvios de recursos públicos.
    Somos o 122º país em liberdade econômica segundo o índice da Heritage Foundation e o 123º em facilidade de fazer negócios, segundo o índice Doing Business, do Banco Mundial. Daí a fortuna de Eike Batista, Marcelo Odebrecht, Sergio Cabral, Lula e outros desta laia. Pior de tudo: ainda acreditamos que o socialismo é uma forma viável de economia e a solução dos nossos problemas!
    Desta forma o Brasil não corre o menor risco de dar certo, e vamos continuar pastando.

    • Não disse tudo, mas tudo o que disse foi correto!… O Brasil não tem empresários empreendedores e com idéias inovadoras, tudo aqui se copia, e não é por falta de idéias. É porque o ambiente não é propício a elas… Aqui, quem se dá bem é quem espolia seus trabalhadores, engana seus clientes e se vale de influências políticas para expandir seus negócios e garantir seu espaço a salvo de concorrentes…

    • Anderson, bota a fonte sobre a “fortuna” de Lula aí, que eu quero compartilhar e levar pro juizeco Moro, o caçador de pedalinho, que até agora, apesar do desespero não conseguiu nada.
      Mas responda com fonte fidedigna, não venha com boatos já desmentidos há tempos, resposta de suíno semi-alfabetizado ou papagaio de rede social, tipo “tá aí em todas os jornais e revistas pra quem quiser ver”.

  3. MUITO BOA SUA NARRATIVA….. PARABENS… DISSE TUDO!!!!
    BOLSONARO 2018!!!!

  4. Concordo com o texto, mas acho que não podemos nos eximir da responsabilidade em melhorar esse país! Somos todos constituintes dessa grande e miscigenada nação. Cada lugar tem sua história e não adianta invejarmos outros países que nos parecem melhores que o nosso; já visitei vários deles e não encontrei o paraíso… tanto que voltei para Pindorama. Não desanimemos! Vamos melhorar o establishment de nosso país! Cada atitude nossa é válida! Sem pessimismo, por favor!

  5. Acho que ainda precisaremos de umas cinco ou seis gerações para que tenhamos por aqui a situação político, econômico e social com as quais sonhamos e almejamos.

  6. Mas o aeroporto é logo ali: pena que os que padecem do Complexo de Vira-latas não têm coragem, preparo intelectual e em idiomas para sair daqui. Não dever ser fácil: vão morrer por aqui mesmo, monoglotas e cagando no prato em que comem… eheheh.

    • Somos todos" vira latas"

      Somos todos vira latas inclusive o Trump que é filho de estrangeira, casado com estrangeira.
      Ele deveria fazer análise.
      Meus filhos tem ascendentes, portugues, alemão, italiano e indígena.
      Isso até onde eu sei…
      Mas voltando ao Trump ele não tem problema com estrangeiro rico, só com pobre.

    • Quantos imigrantes bem sucedidos no mundo inteiro, em todos os tempos, chegaram sabendo falar um mínimo do idioma nativo?… Basta ser inteligente, perseverante, bem relacionado e empreendedor, porque o resto é consequência, inclusive o aprendizado da língua “in situ”…

  7. Gente Portugal tinha colônias de exploração e Inglaterra colônias de povoamento.
    Com a entrada dos Europeus na América, dois processos de colonização foram desencadeados. O primeiro foi chamado de ‘colônia de povoamento’, onde o objetivo era desenvolver a terra com habitação, criando formas de comércio e ampliando as estruturas básicas da colônia (criação de escolas, hospitais, etc). O segundo caso são as ‘colônias de exploração’, nas quais a metrópole tem como interesse apenas explorar os recursos naturais da colônia para enriquecer e levar todo lucro a seu país de origem. Neste caso não há preocupação com a terra colonizada.

    • Colonização da América
      Colônias de povoamento: Norte da América Inglesa.
      Colônias de exploração: Sul da América Inglesa, Américas Ibéricas (Espanhola e Portuguesa).

    • E a Terra? É mesmo redonda?…

    • É o que acontece com o Brasil até hoje,interesse apenas explorar os recursos naturais para enriquecer e levar todo lucro do país, só que hoje pelos governantes e grandes empresários, com raríssimas exceções.

  8. Falou tudo, é a triste realidade de nosso país! E isso tudo é reflexo de apenas um fato: os portugueses não souberam aproveitar suas colônias como os ingleses, por exemplo. Veja todos os países colonizados por Portugal…

    Brasil -> Você descreveu tudo no seu texto, não preciso dizer mais nada! Aliás, apenas ressaltar que, se ainda estamos em melhores condições que outros países de língua portuguesa, é porque o país tem muitas vantagens naturais que os referidos países não têm, como a diversidade da fauna e da flora (que se acentua com a diversidade de climas, do equatorial ao subtropical), as grandes reservas de água doce (comparando-se com todo o mundo), ausência de desertos (o mais próximo disso é o sertão nordestino), pouca ocorrência de desastres naturais como terremotos e furacões… não fosse por isso, a situação seria inimaginável.

    Angola / Moçambique -> Dois dos países mais pobres da África! E, além disso, estão entre os países com a maior taxa de infecção pelo vírus HIV no mundo inteiro…

    Cabo Verde / São Tomé e Príncipe -> Devem estar tão quebrados que quase ninguém sabe algo mais relevante sobre esses dois países! Só se sabe que são arquipélagos. E, ao menos eu posso dizer, que a capital de Cabo Verde se chama Praia.

    Guiné Equatorial -> Raramente eu me lembro que existe esse país. Só algumas vezes, quando falo sobre os países lusófonos, como agora. Mas também é um dos países mais pobres da África e do mundo.

    Timor Leste -> Só sei que é um dos países mais pobres da Ásia, que divide a Ilha de Timor com outro país (no caso em questão, a Indonésia). Provavelmente deve ser mais pobre que o lado indonésio da Ilha!

    Macau -> Este, na verdade, não é um país, mas uma província autônoma da China que foi descoberta por Portugal. Como é um lugar pequeno e fica no Litoral Sul da China (a área mais quente do território chinês), possui seu aspecto turístico bastante explorado, com praias e cassinos, o que gera uma melhor economia para a província. Para os brasileiros que têm condições de ir a China, é favorável devido a língua portuguesa falada, porém, levando-se em conta que hoje Macau têm muito mais influência econômica da China, uma das maiores potências do mundo. É o que está em melhor situação, porém devemos levar em conta essas peculiaridades que não foram levadas por Portugal.

    Portugal -> Sim, o próprio! Nem mesmo o país europeu está entre os melhores na Europa. Há alguns anos, sofreu uma grave crise financeira (não sei dizer se é comparável com a que vivemos hoje, mas…)! Isso apenas mostra que não entendem nada de Administração e que, de certa forma, a piada do português não parece ser apenas uma forma de diminuir quem nos explorou. Parece que não souberam conduzir nada mesmo…

  9. É meu caro Calife,essa é triste constatação.Viveremos sempre a base de frases de efeito: “Brasil pais do futuro”,”Pátria educadora”,e “Brasil pais de todos”,sempre viveremos a esperança futuro nunca chega,Pátria que não educa nada e muito menos que o Brasil pertence a nos.

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