segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

TEMPO REAL

 

Capa / Colunas / Um submarino perdido no Atlântico Sul

Um submarino perdido no Atlântico Sul

Matéria publicada em 24 de novembro de 2017, 09:00 horas

 


Perda do San Juan se junta a lista de tragédias no fundo do mar; Marinha do Brasil sempre teve muita sorte

wp-coluna-espaco-aberto-jorge-calife

Um submarino da Marinha argentina sumiu no Oceano Atlântico, na semana passada. Enquanto escrevo estas linhas diminuem as chances de se achar alguém vivo entre os 43 homens e uma mulher que se encontravam a bordo do ARA San Juan. Um submarino de ataque do tipo TR-1700 fabricado na Alemanha no início de década de 1980. Como já comentei aqui nesta coluna, o fundo do mar é um meio mais hostil do que o espaço sideral. E acidentes envolvendo submarinos geralmente resultam em grandes tragédias.

Russos e americanos já passaram por isso. Em agosto do ano 2000 o submarino nuclear russo Kursk afundou no mar de Barents matando todos os 118 homens a bordo. Mas, uma das maiores tragédias submarinas de todos os tempos aconteceu com os norte-americanos. Em 1963 o USS Tresher, na época o mais moderno submarino nuclear do mundo, foi esmagado pela pressão a 400 metros de profundidade e implodiu, matando os 129 tripulantes.

A perda do Tresher levou a Marinha americana a desenvolver novas tecnologias para resgates no fundo do mar. Tecnologia que está sendo usada agora nas buscas pelo submarino argentino. As reservas de ar a bordo do San Juan garantiam a sobrevivência da tripulação por sete dias, ou seja, até quarta-feira passada. Isso se adotarmos a hipótese mais otimista de que o submarino tenha afundado em águas rasas. Todo barco submarino tem uma profundidade limite, abaixo da qual seu casco de aço não consegue mais resistir à pressão da água.

No caso do ARA San Juan essa profundidade limite fica em torno dos 350, 400 metros de profundidade. Para se ter uma ideia, a 300 metros de profundidade a pressão sobre o casco do submarino é em torno de 433 libras por polegada quadrada. Já a 360 metros ela aumenta para 533 libras por polegada quadrada. Em um submarino de 65 metros de comprimento, como o San Juan, isso se traduz em centenas de toneladas. É como se a embarcação estivesse embaixo de uma prensa que aperta cada vez mais, quanto mais fundo ele desce.

A profundidade do mar, na região onde o San Juan desapareceu, varia de 200 a 800 metros. Se o San Juan afundou em um desses trechos mais fundos ele foi triturado como o Thresher. Em 1980 o oceanógrafo Robert Ballard desenvolveu um sistema de câmeras e sonares para localizar os destroços do famoso transatlântico Titanic, perdido no Atlântico Norte em 1912. A Marinha norte-americana financiou a expedição do Ballard com a condição de que ele procurasse primeiro os destroços do Thresher. Ballard fotografou o que restou do Thresher, a 2600 metros de profundidade. A única coisa inteira era um pedaço de cano muito amassado. Ballard comentou que era como se o submarino tivesse passado por uma máquina trituradora. Seus destroços se espalharam por uma área de 134 mil metros quadrados. Fazendo o fundo do mar parecer um depósito de sucata.

Embora sejam mínimas as chances de resgatar os tripulantes do San Juan, é muito provável que seu casco seja localizado. Uma força tarefa multinacional se encontra neste momento no Atlântico Sul, usando tecnologia de ponta. Os americanos enviaram um avião P-8 A Posseidon, que pode localizar submarinos através de um sofisticado sistema de boias acústicas, que são lançadas no mar para captar sons. E um magnetômetro, que detecta a distorção no campo magnético da Terra produzida por um grande objeto de metal, como um submarino submerso.

Também fazem parte da força tarefa americana quatro drones submarinos que podem vasculhar o fundo do mar em busca de destroços. Um desses drones foi usado paras localizar o Airbus da Airfrance que caiu no oceano em junho de 2009.

Nesse aspecto a Marinha do Brasil sempre teve muita sorte. Como no caso da Argentina, a Marinha brasileira já operou com submarinos de fabricação americana, inglesa e alemã. E nunca perdeu nenhum.

Perdido: O San Juan antes de ser lançado ao mar

Perdido: O San Juan antes de ser lançado ao mar

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

11 comentários

  1. A Dona Florinda de Pinheiral ignora que em operações navais não existe o conceito de “muita sorte”. A “sorte” é resultado da atenção aos pormenores, da manutenção adequada, da prevenção de falhas humanas e materiais.
    Quanto mais leigo, mais pleno de convicções…

  2. Almirante do Rio Paraiba do Sul

    “Nesse aspecto a Marinha do Brasil sempre teve muita sorte. Como no caso da Argentina, a Marinha brasileira já operou com submarinos de fabricação americana, inglesa e alemã. E nunca perdeu nenhum.”

    Não concordo com essa afirmação, por acaso você conhece a capacidade técnica da Marinha Brasileira para fazer essa comparação infeliz. A partir de 2018 teremos mais 04 submarinos convencionais de fabricação Francesa e até 2030 construiremos um submarino Nuclear. A Marinha brasileira é altamente capacitada na operação do seus meios navais e na defesa do Brasil.

  3. الفتح - الوغد

    O homem é um animal terrestre, plantígrado, bipede. Voar é para morcegos, mergulhar para cetáceos e pinípedes…

  4. Muito triste esse acidente. Apesar de todos estes anos o mar continua a ser um local extremamente perigoso para o homem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

Untitled Document