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Vai passar

Matéria publicada em 24 de janeiro de 2017, 07:05 horas

 


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A crise econômica está sendo tenebrosa, uma das mais agudas que o país viveu na história recente, e fica ainda pior quando se leva em conta que não faz muito tempo estávamos inebriados num clima de euforia ensandecida. Aliás, é uma grande crise justamente porque já estávamos desacostumados das grandes crises.

Mas podem anotar o que escrevo: vai passar. Todas as crises passam, assim como todas as euforias um dia cessam. Com essa não será diferente.

Não sou tão velho assim – ainda que longe de ser novo – mas já cataloguei um sem fim de crises bisonhas: a hiperinflação dos anos 90 (um pãozinho de sal hoje custaria a bagatela de 1 quatrilhão e 500 trilhões de cruzeiros, não houvesse tantas trocas de moedas e a redentora estabilização da economia), tivemos a crise do Petróleo, a fuga de engenheiros para serem garçons em Miami porque aqui não havia empregos, uma ditadura militar, um Estado escravocrata, uma colônia extrativista subjugada a Portugal, a crise asiática e o confisco do dinheiro da poupança pelo Collor.

Teve de tudo e de todas elas saímos vivos, feridos ou não. Mais do que vivos, de todas saímos um pouco mais fortes. A lista de problemas do Brasil não cabe neste artigo mas já foi pior. O clima de enxofre e putrefação às vezes embrulha o estômago, mas é que estamos limpando o lixo que estava debaixo do tapete e tirando cadáveres insepultos de dentro dos armários.

O odor vai dissipar, a neblina também. A crise vai passar.

Acredito no Brasil não por otimismo cego mas por força das evidências. É um país cheio de carências mas cheio de oportunidades também. Algumas coisas deram certo mesmo quando fizemos quase tudo errado. É claro que vai dar certo na hora que fizermos (pelo menos) quase tudo certo. Há muito por fazer, muito por consertar.

Crises quase sempre são fruto de ciclos de prosperidade desperdiçados. Veja o passado recente do Brasil, o que fizemos com toda a euforia, confiança e recursos que tínhamos até pouco tempo atrás? Festa, firula, farra e faraonismo. Agora chegou a conta.

Ao mesmo tempo, crises, quando bem aproveitadas, podem se transformar em longos ciclos de prosperidade.

A crise vai passar, acho que nem tão rápido assim, mas vai passar, e espero que ao final dela saiamos um país renovado, mais maduro, com instituições mais sólidas e mais preparado para os desafios que a agenda do futuro impõe ao mundo e ao Brasil.

 

ALEXANDRE CORREA LIMA| alexandre.lima@diariodovale.com.br

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