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Vem aí, mais uma seca

Matéria publicada em 3 de julho de 2018, 08:13 horas

 


Amplitude térmica já passa dos dez graus na região

Paraíba: A fonte de água que virou esgoto – Foto: Arquivo/Felipe Vieira

Segundo os meteorologistas, 2018 vai ser mais um ano de seca. A previsão é de poucas chuvas no verão. Em São Paulo, o famoso reservatório da Cantareira está com 44% da sua capacidade. Em nossa região já vivemos num clima de deserto, com uma amplitude térmica de mais de dez graus entre o dia e a noite. Na semana passada, os termômetros de rua marcavam uma temperatura de 33 graus no início da tarde. Duas horas depois do sol se esconder, por volta das 19 horas, os mesmos termômetros indicavam 19, 18 graus centigrados. Haja saúde para aguentar com uma diferença tão grande entre as temperaturas da tarde e da noite.

Além disso, estamos enfrentando um inverno seco, com baixa umidade do ar. O que é ótimo para secar roupa no varal e péssimo para as nossas gargantas. O jeito é andar com aquelas garrafinhas de água na bolsa. A seca e a falta de água parecem um paradoxo num país como o Brasil que tem as maiores reservas de água doce do mundo (Tirando fora, é claro, o que esta congelado na Antártida e na Groenlândia). Mas o que acontece com a água é o mesmo que acontece com as outras dádivas no nosso país. Esta tudo sendo destruído pelos brasileiros ignorantes e gananciosos.

Na maior parte do país, incluindo aqui na nossa região, as prefeituras ainda usam os rios para diluir esgoto. Rios que, se fossem despoluídos, seriam uma fonte de água preciosa. Basta um passeio pelas margens do rio Paraíba, lá em Pinheiral, para ver os enormes tubulões de concreto jogando esgoto não tratado no rio. Que virou uma imensa cloaca para as cidades ao longo do vale. A água que chega nas nossas torneiras é água extraída daquela mistura de urina, fezes e dejetos industriais que cidades e indústria despejam no pobre do Paraíba. O que é ótimo para as empresas engarrafadoras de água mineral.

Nossos prefeitos adoram inaugurar quadras de esportes e fazer reformas em praças. Ninguém pensa em investir em estações de tratamento de esgoto. De vez em quando tem aquelas conferencias sobre a despoluição do rio Paraíba, com muito blablabla, comes e bebes e nenhum resultado prático. É como o transporte e outras áreas importantes para a saúde e o bem estar da população que vivem esquecidas. É por isso que nas eleições deste ano o índice de votos brancos e nulos vai bater recorde. O povo não acredita mais nos políticos e está farto deles.

E enquanto isso a seca avança, estimulada pelo desmatamento e a destruição das nascentes. O satélite SAR, que monitora o desmatamento na Amazônia, emitiu 20 mil alertas de novas áreas desmatadas só nos últimos dois anos. E o corte de árvores acontece em áreas de proteção ambiental, onde, teoricamente, devia ser proibido derrubar e transformar a floresta em pasto para o gado. Mas o governo, que já tentou facilitar até o trabalho escravo, está aí mesmo para acenar com a possibilidade de perdoar multas e abrir novas áreas para a pecuária. O que incentiva as derrubadas.

Alguns ecologistas alertam que a floresta está se aproximando de um ponto “sem retorno”. A partir do qual a destruição total será inevitável. Até a Noruega suspendeu os financiamentos que dava para a proteção ambiental no Brasil devido a falta de resultados. E como boa parte da umidade que provoca chuvas em nosso país vem da Amazônia, o quadro de secas só vai continuar aumentando.

Segundo os telejornais da semana passada o açude do Castanhão, no Ceará, esta com 8% de sua capacidade. Em Goiás os rios já atingiram o nível crítico e o problema vai de norte ao sul do Brasil. A nossa seca é para todos e não fica mais restrita só ao nordeste. Em Bagé, no Rio Grande do Sul, os rios estão oito metros abaixo do nível. É bom pensar nisso nas próximas eleições e votar em candidatos que tenham uma postura mais ecológica e anti destruição do Brasil.

Por: Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Nos últimos governos federais as empresas capitalistas selvagens destruíram boa parte da Amazônia e de outros nichos ecológicos… Por que aconteceu isso?! Porque além do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, também as estatais responsáveis pela fiscalização estão corrompidas, aceitando dinheiro e liberando a destruição do meio-ambiente!
    Como diria Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”….

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