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Nossa Senhora das Graças, o ‘bairro operário’

Matéria publicada em 9 de junho de 2018, 17:35 horas

 


Local abrigava o Acampamento Central destinado a receber os funcionários que vinham trabalhar na CSN

Hoje: Nossa Senhora das Graças tem atualmente cerca de três mil moradores (Foto: Evandro Freitas (Secom))

Volta Redonda – Com cerca de três mil moradores, residencial, oficializado pelo decreto municipal 1088 de fevereiro de 1978, o bairro Nossa Senhora das Graças teve a sua superfície e população alterados por duas leis municipais para a criação do bairro Jardim Paraíba. O Nossa Senhora das Graças, localizado à margem direita do Rio Paraíba do Sul, foi chamado a princípio de ‘bairro operário’, porque originou-se de áreas de expansão da Companhia Siderúrgica Nacional.

O local de onde surgiu funcionava o Acampamento Central destinado a receber os funcionários da CSN e o hospital que atendida a todo o município. Em torno surgiram as unidades residenciais provisórias construídas em madeira. Esses dados históricos são confirmados pelo senhor Antonio Anastácio Ferreira, 84 anos, aposentado há 31 anos pela CSN, residente na Rua 570, onde comprou o seu imóvel: “A CSN fez as casas e depois vendeu para os funcionários. Devido a expansão da empresa, ela acabou com o Acampamento Central”, recordou.

Outro morador do bairro, Cosme Alves Abrantes, 71 anos, sugeriu que uma grande área existente no bairro, que afirma ser do governo federal, seja transformada num grande parque público de lazer. Já a moradora Joana D’arc Alves de Figueiredo, mais de 40 anos no bairro, sugere outra atividade no terreno: “Um terreno grande desses poderia ter um estacionamento rotativo, porque seria bom para todos que vem no bairro”, aponta.

O bairro residencial foi levantado pela empresa para atender a demanda de futuros empregados e suas famílias que vinham de fora, de outros estados, para trabalhar em Volta Redonda, na CSN. As casas não podiam ser modificadas, mantendo a cor e formato iniciais por vários anos. Elas eram disponibilizadas aos funcionários da CSN que pagavam um valor simbólico de aluguel.

O levantamento feito pelo Caderno de Bairros do IPPU (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano), cita que na década de 60 a empresa iniciou o estudo da possibilidade de vender os imóveis, o que se concretizou nos anos 70 com a decisão da empresa em se desfazer de quase 4 mil imóveis residenciais. As suas ruas são identificadas por números, 539 A, 535, 536, 562, 564, 566, 568,574, 576, 12 de Outubro, Antonio Barreiros, Praça Pastor Elias Portes Filho e Praça de Esportes Mário Ferreira. São 16 ruas e 2 praças.

Os órgãos e serviços públicos oferecidos aos moradores são o Centro de Atendimento ao Idoso(Centro Dia), a Secretaria Municipal de Saúde, o Conselho Municipal de Defesa da Pessoa Idosa e Centro de Prevenção a Saúde do Idoso, Albergue Municipal Seu Nandim com capacidade para 50 pessoas. Na área de lazer tem o Clube Náutico Recreativo Santa Cecília, que era um barracão de madeira para o lazer dos empregados da CSN, fundado em 25 de abril de 1948. Atualmente, com ginásio poliesportivo coberto, área de lazer, piscinas, tem capacidade para atender 5 mil pessoas.

Associação dos Aposentados

A Associação dos Aposentados e Pensionistas de Volta Redonda inaugurou há 9 anos no bairro o Centro de Prevenção à Saúde do Idoso Roque Garcia Duarte( Rua 535, número 835) que oferece aos seus associados, exames médicos, cursos, atividades de artes, alfabetização, programa de assistência familiar, campanhas de vacinação, compreendendo cerca de 40 serviços e atividades diversas.

“Era um terreno baldio, largado, que a nossa entidade comprou e transformou num grande centro de serviços. Essa iniciativa da direção da Associação dos Aposentados foi boa para todo mundo, porque valorizou ainda mais o bairro que já é muito bom. Além de todos os serviços de saúde para os associados, temos aqui um belo auditório que pode ser usado para palestras a noite”, comentou o supervisor Ricardo Fontes.

Carolina Sampaio, sentada na Praça Mário Ferreira à espera do filho que sairia da escola, Caetano Sampaio, 7 anos, elogia o bairro: “Muito tranquilo, gosto de vir aqui e sentir este ambiente de segurança”, frisou. Moradores e prestadores de serviços, os cabeleireiros Bruno Teixeira e a sua prima Thamires Teixeira, 26 anos, destacam os benefícios para quem vive no bairro no dia a dia. “Estamos pertos do centro, fácil acesso para os nossos clientes. o que somente vem aumentando a procura pelo salão”, enfatiza Bruno.

Dona Maria Augusta e a filha Silvia Silva, naturais de São Vicente de Minas, há mais de 60 anos no bairro, enumeram as vantagens de “ter supermercados, farmácias e padarias perto facilitam a vida de todos nós”, compara Silvia.
A oferta de novas moradias no bairro está sendo feita por empresas imobiliárias que investiram na construção de apartamentos grandes e confortáveis, elevando o crescimento populacional do Nossa Senhora das Graças. E quem já fez esta opção há 5 anos, foi André Pires, gerente de uma empresa, que trocou Rio Claro por Volta Redonda: “A casa que comprei caiu do Céu. Eu consegui na ocasião um bom financiamento com prestações mais suaves e mudei. Estou muito satisfeito pela localização e posso garantir que é o melhor bairro que tem na cidade”.

2 comentários

  1. Só para esclarecer: pela posição do gasômetro ali atrás, esse barracão ficava onde hoje tem um outro gasômetro, o da Aciaria LD, ou seja, o bairro mais próximo era o Conforto, bem longe do Acampamento Central junto à margem esquerda do Rio Brandão, portanto do outro lado da área onde hoje existe o Bairro N.S. das Graças.

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