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Brasil recebe certificação de país livre da febre aftosa com vacinação

Matéria publicada em 24 de maio de 2018, 07:54 horas

 


Depois de mais de 50 anos de trabalho na erradicação e prevenção da febre aftosa nos rebanhos. (crédito AB)

Bras√≠lia – Depois de mais de 50 anos de trabalho na erradica√ß√£o e preven√ß√£o da febre aftosa nos rebanhos, o Brasil recebe hoje (24) a certifica√ß√£o de pa√≠s livre da doen√ßa com vacina√ß√£o, da Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde Animal (OIE). As a√ß√Ķes, compartilhadas entre os governos federal e estaduais e o setor privado, incluem a vacina√ß√£o nos pastos, a vigil√Ęncia nas fronteiras e a estrutura√ß√£o da rede laboratorial do pa√≠s.

A maioria dos estados brasileiros j√° tinha o reconhecimento de zona livre da aftosa com vacina√ß√£o. Agora, com o novo status sanit√°rio, a comercializa√ß√£o de carnes e animais vivos ser√° facilitada tanto dentro quanto fora do pa√≠s. ‚ÄúIsso mostra que o pa√≠s, com um dos maiores rebanhos do mundo, tem se preocupado com as quest√Ķes sanit√°rias. Isso passa mais credibilidade e seguran√ßa a compradores‚ÄĚ, disse o superintendente t√©cnico da Confedera√ß√£o da Agricultura e Pecu√°ria do Brasil (CNA), Bruno Lucchi.

Segundo ele, a certifica√ß√£o de pa√≠s livre de aftosa pode, inclusive, agregar valor a outros setores, como o da suinocultura. ‚ÄúN√£o temos o mesmo risco [de outros pa√≠ses onde o v√≠rus da febre aftosa circula], isso agrega valor muito grande √†s exporta√ß√Ķes, os mercados pagam bem melhor. Temos o ganho direto e o indireto‚ÄĚ, explicou.

A diretora-geral da OIE, Monique Eloit, entregará o certificado sanitário ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, na sede da organização em Paris, durante a 7ª Sessão Plenária da instituição. A Comissão Científica da OIE aprovou a certificação do Brasil em 2017, mas os 181 países integrantes da organização oficializam a decisão nesta quinta-feira.

No √ļltimo domingo (20), Maggi discursou na abertura oficial da 86¬™ Sess√£o Geral da OIE. Ele disse que o reconhecimento do Brasil como pa√≠s livre da aftosa com vacina√ß√£o √© ‚Äúa vit√≥ria de uma longa e dura trajet√≥ria de muita dedica√ß√£o de pecuaristas e do setor veterin√°rio oficial‚ÄĚ.

O Brasil iniciou o combate organizado √† febre aftosa ainda na d√©cada de 60, por meio de campanhas de vacina√ß√£o. ‚ÄúNaquela √©poca, a doen√ßa se manifestava de forma end√™mica, com milhares de focos por ano. Era um verdadeiro caos sanit√°rio‚ÄĚ, disse o ministro no discurso.

A partir da d√©cada de 90, as estrat√©gias de combate √† doen√ßa passaram do controle para a erradica√ß√£o, com a implanta√ß√£o do Programa Nacional de Erradica√ß√£o da Febre Aftosa (Pnefa), que previu a ampla participa√ß√£o do setor privado e a regionaliza√ß√£o no combate a doen√ßas, entre outras a√ß√Ķes.

A √ļltima ocorr√™ncia de febre aftosa no Brasil foi em 2006, no Paran√° e em Mato Grosso do Sul, na regi√£o de fronteira com o Paraguai. Em 2007, Santa Catarina recebeu o reconhecimento da OIE como livre de febre aftosa sem vacina√ß√£o. Esse √© o pr√≥ximo status a ser buscado pelo pa√≠s: gradativamente, retirar a vacina√ß√£o do rebanho at√© 2023, para que, at√© 2026, haja a certifica√ß√£o internacional pela OIE, de pa√≠s livre de aftosa sem vacina√ß√£o.

Para Bruno Lucchi, da CNA, toda a cadeia pecu√°ria brasileira tem ci√™ncia do compromisso sanit√°rio. ‚ÄúO produtor rural, ele mesmo j√° tem internalizado a import√Ęncia de ter uma condi√ß√£o sanit√°ria melhor. E quem arca com o custo de vacinar o gado √© o produtor‚ÄĚ, disse.

O vírus da febre aftosa é altamente contagioso. O animal afetado apresenta febre alta, que diminui depois de dois ou três dias. Em seguida, aparecem pequenas bolhas que se rompem, causando ferimentos. O animal deixa de andar e comer e, no caso de bezerros e animais mais novos, pode até morrer. A doença é causada por um vírus, com sete tipos diferentes, que pode se espalhar rapidamente, caso as medidas de controle e erradicação não sejam adotadas logo após sua detecção.

O vírus está presente em grande quantidade nas feridas e também pode ser encontrado na saliva, no leite e nas fezes dos animais. A transmissão pode ocorrer por contato direto com outros animais infectados ou por alimentos e objetos contaminados. Calçados, roupas e mãos das pessoas que lidaram com animais doentes também podem transmitir o vírus, que é capaz de sobreviver durante meses em carcaças congeladas.

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