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Crise ensina consumidores a valorizarem dinheiro, diz Procon

Matéria publicada em 10 de março de 2018, 17:00 horas

 


Barra Mansa – Mais exigente, mais informado e consciente com relação aos direitos. Esse é novo perfil do consumidor brasileiro que, na avaliação do gerente do Procon de Barra Mansa, Felipe Fonseca, já demonstrou que não aceita mais ser lesado impunimente. Na semana em que se comemora o Dia do Consumidor (15 de março), Fonseca ressalta que todos os dias o órgão atende pessoas de todas as classes sociais e faixas etárias, no entanto, que todos possuem algo em comum:
-Os consumidores aprenderam a valorizar o dinheiro e cansaram que ser lesados. Hoje, eles nos procuram mesmo achando que a situação não tem condições de ser resolvida ou, até mesmo por uma pequena quantia a mais na fatura ou outro tipo de boleto – afirmou o gerente.
Ele explica que, nesse tempo à frente do Procon, o que pode perceber é que o consumidor está muito bem informado sobre seus direitos e que isso é o que o faz não aceitar atitudes incorretas por parte das empresas. Outro exemplo de que a informação está inserida nessa evolução é, de acordo com o gerente, o fato de muitos só apelarem para a justiça em último caso.
– O consumidor informado e atento primeiro tenta resolver a questão junto ao Procon, administrativamente, e evita que exista uma ação judicial, afogando dessa forma o judiciário – comentou Fonseca, ao ressaltar que sempre que uma empresa se recusa a resolver o problema desse consumidor, aí sim o problema vira caso de justiça.
Conforme apontou o Procon, somente neste ano de 2018, foram feitos 1.293 atendimentos no órgão, sendo que 40% das reclamações se manteve como em 2017 e relacionadas a serviços de telefonia. De acordo com o gerente, a orientação é para que qualquer pessoa que se sinta lesada procure a agência, que fica no térreo da prefeitura, quer seja para tirar dúvidas ou tentar resolver a situação. Já para as empresas, o comércio e as prestadoras de serviços, ele aconselha que sempre deem a atenção devida ao consumidor.
“Nós, do Procon, somos pagos pela população e temos a obrigação de orientá-la da melhor forma, sempre que precisar. No entanto, o comércio ou a empresa devem tentar resolver o problema do consumidor da melhor forma possível, para que ele fidelize esse cliente. Mesmo a pessoa não tendo razão, as vezes o fato de atendê-la bem diante de uma reclamação, de dar atenção, já faz toda a diferença”, pontuou o gerente, ao informar que hoje menos de 5% das queixas que chegam no órgão são relacionadas ao comércio local.

Código de Defesa do Consumidor

Para o gerente, o Código de Defesa do Consumidor – que já tem mais de 25 anos de criação – foi fruto de muitas lutas e também muitas conquistas, no entanto, embora não esteja totalmente desatualizado, ele necessita de modificações para melhorar. Isso porque, segundo Fonseca, para as leis acaba se tornando difícil acompanhar a evolução rápida e dinâmica da sociedade.
“Essa evolução vale, principalmente, para as questões relacionadas ao Código de Defesa do Consumidor, pois o consumo pela internet modificou drasticamente no que se refere a forma de se comprar. Acredito que, num curto espaço de tempo, essas compras serão cada vez mais fáceis de se fazer e, por conta disso, o código precisa evoluir em alguns critérios”, comentou.
Já com a relação à outra importante ferramenta de apoio ao consumidor, que é o livro de reclamações que por lei, deve ficar disponível para todos os clientes, em estabelecimentos comerciais, o gerente do Procon explicou que o mesmo é cedido pelo Procon Estadual, que também se encarrega de receber e avaliar as reclamações, mas fiscalizado pela equipe do Procon de Barra Mansa.
“Tudo o que rege com relação ao livro, os questionamentos,  devem ser encaminhados ao órgão estadual. Mas nós, do Procon Municipal, estamos sempre fiscalizando os estabelecimentos com relação ao livro e, dificilmente, encontramos uma loja que não o tenha”, afirmou Fonseca, que afirmar o comércio também tem a consciência de que os consumidores estão mais atentos com relação aos seus direitos.

Tratando da melhor forma

A comerciante Danyelle Cristiane Oliveira concorda que os consumidores estão mais exigentes e, por isso, busca sempre evitar algum tipo de transtorno com seus clientes. Ela que trabalha com acessórios para tabletes, celulares, computadores, entre outros, já chegou a conclusão que saber reconhecer a própria falha da loja, de algum funcionário e tratar o consumidor bem, mesmo que não esteja com a razão, é sempre o melhor negócio.
“Isso é muito conversado com os meus colaboradores e vem dando certo, pois embora tenham várias lojas do mesmo segmento, na cidade, nós temos clientes que estão com a gente desde que inauguramos, há três anos. Sempre que consideramos justo fazemos trocas de mercadorias, damos descontos e procuramos sempre agir com muita educação. Esse é o segredo”, disse a comerciante.
Por Roze Martins
(Especial para o DIÁRIO DO VALE)

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