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A Lua na primavera

Matéria publicada em 12 de outubro de 2017, 09:05 horas

 


Mais noites de céu claro permitem desfrutar a beleza do nosso satélite natural

A primavera chegou escaldante, com temperaturas dignas do verão. Com ela aumenta o número de noites de céu claro, sem nuvens e a oportunidade de curtir a Lua. Ela mesma, nosso velho satélite natural cuja luz ainda é associada ao romance. Atualmente a Lua se encontra na fase minguante e só aparece no céu altas horas da noite e no início da manhã. Mas, no final do mês, ela vai brilhar quase cheia de novo, banhando a paisagem com sua luz azulada.

A Lua cheia pode ser muito bonita, mas não é a melhor época para se observá-la com binóculos ou com um telescópio. Na Lua cheia a luz do Sol está incidindo verticalmente sobre o hemisfério lunar, as sombras desaparecem e tudo parece plano e sem relevo. Já na Lua minguante ou crescente podemos ver as sombras projetadas pelas montanhas e crateras e apreciar melhor o relevo ao longo do terminador, ou seja, aquela linha que separa o lado escuro do lado claro da Lua.

Os gregos antigos acreditavam que a Lua era um escudo de prata refletindo a luz do Sol. Eles estavam certos na segunda parte, a Lua não tem luz própria e brilha com a luz que reflete do Sol. Mesmo na antiguidade muitos astrônomos e filósofos já tinham percebido que a Lua não é plana, é uma esfera. Mas sem um telescópio não dava para distinguir o que são aquelas manchas escuras. Os chineses viam a figura de um coelho desenhada na Lua. Nossos antepassados cristãos achavam que era São Jorge e seu cavalo.

Em 1609 o físico italiano Galileu Galilei apontou sua luneta para a Lua e descobriu um novo mundo. A Lua tinha montanhas, cordilheiras, planícies cinzentas e crateras, muitas crateras como vocês podem observar na foto aí na página. Inicialmente se acreditou que as crateras fossem vulcões, mais tarde se percebeu que elas eram marcas deixadas por asteroides que se chocaram com a Lua há milhões de anos. O impacto criou enormes lagos de lava que esfriaram, virando uma superfície lisa cercada por um anel de montanhas que podem ser muito altas.

Cheia: A cratera Tycho parece uma estrela brilhante

Cheia: A cratera Tycho parece uma estrela brilhante

Observando

Um jeito fácil de encontrar os pontos mais interessantes da Lua é usar a técnica do relógio. Imagine a Lua cheia, na foto aí ao lado, como se fosse o mostrador de um relógio daqueles analógicos. Onde seriam às duas horas há uma região circular escura, que se vê facilmente a olho nu. É o Mar das Crises, uma planície de lava que recebeu este nome porque os primeiros observadores achavam que essas regiões escuras eram cobertas de água. Hoje sabemos que a Lua é seca e a água só é encontrada na forma de gelo, oculto nas crateras do polo sul lunar. O Mar das Crises é uma daquelas regiões da Lua onde o homem jamais esteve.

A cratera mais visível é Tycho Brae, que parece o centro de uma estrela brilhante, na parte debaixo, na posição das seis horas aí na foto. Ela tem 86 quilômetros de diâmetro e é tão brilhante por ser uma das crateras mais jovens, formada há 108 milhões de anos. Como é que nós sabemos disso? Porque os astronautas da Apollo 16 trouxeram para a Terra material de um dos raios brilhantes de Tycho, que foram analisados e tiveram a idade determinada a partir dos isótopos atômicos. As crateras mais antigas tem o fundo escuro, como Platão, que fica perto do polo norte lunar, lá em cima, na posição das 11 horas.

Mas antes de olhar para a Lua com um binóculo é preciso levar em conta a nossa posição na superfície da Terra. Na foto aí ao lado a Lua foi posicionada com o polo norte para cima e o polo sul para baixo. Aqui na nossa região ela aparece deitada de lado e você vai ver Tycho brilhando do lado direito e o Mar das Crises na parte de cima.

Esse mês só tivemos direito a uma Lua cheia. Que brilhou no dia 5, quinta-feira passada. A próxima Lua cheia será no dia 4 de novembro. Não é verdade que a lua cheia esteja associada com a loucura ou faça alguém virar lobisomem. Ela é só muito bonita, principalmente se for observada do litoral, onde enche o mar de reflexos prateados.

 

 

Por Jorge Luiz Calife

jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Muito interessante a matéria. Nossa lua é um astro fascinante. Seria legal mais dicas de observação astronômica como essas, como por exemplo, alguma sugestão de modelo de binóculo ou telescópio para o astrônomo amador.

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