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A mulher que conquistou o espaço

Matéria publicada em 21 de junho de 2018, 08:59 horas

 


Valentina Tereskhova deu 48 voltas em torno da Terra em junho de 1963

Pronta: Valentina com o capacete e o traje vermelho.

Há 55 anos, no dia 16 de junho de 1963, uma cidadã soviética de 26 anos de idade entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a viajar pelo espaço sideral. Os homens já realizavam missões orbitais desde 1961, mas foi Valentina Tereskhova quem abriu o caminho para as estrelas ao sexo feminino. A bordo de uma pequena cápsula esférica, o Vostok 6, ela deu 48 voltas em torno da Terra e quase ficou perdida no espaço quando o sistema de navegação de sua nave entrou em pane e ameaçou afasta-la da Terra numa trajetória sem retorno.

Na época, no início dos anos de 1960, americanos e soviéticos disputavam a chamada corrida espacial. Os soviéticos tinham saído na frente, lançando o primeiro satélite artificial, o Sputnik, em outubro de 1957 e orbitando o primeiro cosmonauta do sexo masculino, Yuri Gagarin, no dia 12 de abril de 1961. Os americanos corriam atrás com suas pequenas naves Mercury, menores e menos potentes do que as naves russas.

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Enquanto os americanos orbitavam astronautas solitários, como John Glenn e Scott Carpenter, os russos passaram a fazer voos conjuntos. Lançando dois Vostoks com poucos dias de diferença, para voarem em formação ao redor da Terra, numa demonstração de superioridade sobre seus rivais capitalistas. Valentina era uma operária em uma fábrica têxtil, que praticava o paraquedismo como esporte, apresentou-se como voluntária para o programa espacial e foi aceita apesar de não ser piloto militar.

Na época os cosmonautas soviéticos eram ejetados de suas cápsulas durante a descida e caiam de paraquedas no solo. As naves eram controladas pelo piloto automático e o cosmonauta era pouco mais que um passageiro. Outras três mulheres foram treinadas junto com Valentina, fazendo testes para verificar como suportavam ao isolamento e as forças gravitacionais durante a partida do foguete. Valentina e suas três colegas passaram em todos os testes.

Nave: A Vostok só podia levar um tripulante.

Serguei Korolev, o engenheiro chefe do programa espacial soviético, planejou lançar duas naves com duas mulheres, as Vostoks 5 e 6, mas mudou de ideia quando soube que o Vostok 6 seria a última missão do projeto. Por isso a quinta espaçonave foi lançada com um cosmonauta do sexo masculino, Valeriy Bykovsky, no dia 14 de junho de 1963. Valentina subiu no seu encalço dois dias depois. As duas naves chegaram a ficar a cinco quilômetros de distancia uma da outra mas logo se afastaram já que não tinham retrofoguetes para manter a posição.

Durante as primeiras horas do voo, Valentina percebeu um erro no programa automático de navegação que estava afastando sua nave da Terra, numa trajetória sem volta para o espaço profundo. Ela advertiu ao controle da missão pelo radio e recebeu uma correção, que permitiu seu retorno a Terra.

Quando pousou, numa região rural do Cazaquistão foi cercada pelos camponeses que a convidaram para almoçar. Ela aceitou, desobedecendo as ordens de que deveria ficar em jejum até os exames médicos de pós-voo. Por isso levou uma bronca do chefe da missão, Sergei Korolev. Ele pediu que a cosmonauta guardasse segredo sobre o problema de navegação. Uma promessa que ela cumpriu até recentemente, quando os detalhes do voo foram revelados por outro cientista.

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Depois de Valentina mais de uma centena de mulheres seguiram seu caminho. Americanas, russas, francesas, chinesas, italianas e até uma inglesa. Hoje as mulheres que trabalham na Estação Espacial Internacional não precisam mais usar os pesados trajes espaciais da Valentina e contam com confortos que ela nem imaginava. Mas Valentina foi a primeira.

Por:  Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Descobri a pouco tempo a história da cosmonauta soviética e fiquei muito encantado. Uma pena ser tão pouco lembrada! Parabéns!

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