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A revolução dos bichos

Matéria publicada em 22 de março de 2018, 08:00 horas

 


Animais lutam para dominar propriedade no interior da Inglaterra; ‘Pedro Coelho’ junta animação com atores

 

A única novidade da semana é um coelho. Mais precisamente “Pedro Coelho”, filme que junta animação com atores, como aquele longa do Pica-Pau exibido no ano passado. Desta vez a história se passa na Inglaterra onde um coelho muito esperto tenta dominar uma bela propriedade nos campos britânicos. No lado humano da história temos Domhnall Gleeson como o novo dono da fazenda e Rose Byrne como sua amiga Beal, uma defensora dos animais. Na versão em inglês temos todo um elenco de figuras conhecidas fazendo as vozes dos bichos, como a Daisy Ridley de Star Wars, mas aqui na região teremos a versão dublada.
Na versão brasileira as meninas do grupo feminino Rouge cantam o tema principal do filme. Que pode ser conferido em um clipe disponível no YouTube. “Pedro Coelho” é baseado em um romance infantil de Beatrix Potter muito popular na velha Britânia. Por aqui o personagem vai ser apresentado às crianças brasileiras por este filme da Sony Pictures. Pedro Coelho lembra um pouco o coelho Pernalonga dos desenhos da Warner. Ele também vive tirando onda com os outros bichos e atormenta os donos das plantações. Mas o Pernalonga é mais estilizado enquanto Pedro Coelho fica na linha realista das animações por computador modernas, como o recente “As Aventuras de Paddington” ou “O Pequeno Stuart Little”. “As Aventuras de Paddington” também tinha a Inglaterra e a cidade de Londres como cenário. Mas era uma Londres fantástica, totalmente criada pela computação gráfica.

Ataque: Os bichos saqueiam a fazenda

Ataque: Os bichos saqueiam a fazenda

Em “Pedro Coelho” o diretor Will Gluck filmou em cenários reais, acrescentando depois os bichos de computação gráfica, como se faz nos filmes do Parque dos Dinossauros ou na Guerra nas Estrelas. O que é uma oportunidade para a plateia apreciar as belas paisagens do interior da Grã Bretanha, com suas mansões e castelos que parecem ter saído de uma pintura. E as pequenas fazendas formando uma tapeçaria de campos cultivados e pomares.
Pedro Coelho e seus amigos estão acostumados a invadir a casa e os estábulos da fazenda e comer tudo o que querem. Eles até dão uma festinha no salão da casa principal quando o proprietário está ausente. São protegidos por Bea (Rose Byrne) que adora os animais e não se importa com os estragos que eles causam na propriedade.
Até que ela começa a namorar Thomas McGregor (Domhnall Gleeson), que cresceu em Londres e tem alergia aos bichos. Quando Bea não está olhando ele faz de tudo para exterminar os bichos, instalando até cercas eletrificadas na fazenda. O que lembra um pouco a animação “Os Sem-Floresta”, de 2006, onde a síndica de um condomínio também entrava em guerra com os animais de um bosque. Em “Os Sem-Floresta” o líder dos animais era um guaxinim com a voz do Bruce Willis na versão original. Aqui é o coelho.
Domhnall Gleeson geralmente é conhecido por papeis de nerd, como o pesquisador de “Ex_Machina: Instinto Artificial” ou como o general Hux da nova saga de Star Wars. Aqui ele faz um sujeito malvado, o vilão da história. Quando está perto da namorada ele finge que gosta dos bichos e até lê histórias para eles, quando fica sozinho tenta exterminar o coelho, a raposa e os outros animais.
“Pedro Coelho” também pode ser apreciado como uma versão despolitizada de “A Revolução Dos Bichos” do George Orwell (outro autor britânico) que anda fazendo sucesso nas livrarias. As crianças vão curtir os animais fofinhos e as correrias tipo Tom e Jerry entre o senhor McGregor e o coelho. Os adultos podem apreciar os belos cenários europeus e, certamente, ficarão com vontade de fazer uma visitinha ao país da rainha Elisabeth II. Uma coisa maravilhosa em relação a Inglaterra é que ela não decepciona o visitante. É tudo tão bonito e arrumadinho como nos filmes do cinema. “Pedro Coelho” custou 50 milhões de dólares e já rendeu mais de 100 só na estreia. Certamente teremos uma continuação.

 

 

Por Jorge Luiz Calife
jorge.calife@diariodovale.com.br

 

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