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A vida de um filho pode não ser nada fácil

Matéria publicada em 6 de junho de 2018, 07:04 horas

 


O espetáculo ‘Voo Rasante, às Seis’, que estreia em Resende nesta semana, traz um embate entre mãe e filho em que um luta pela liberdade e o outro por seu desejo

(Foto: Divulgação)

Existe uma máxima de que ‘Ser mãe é padecer no paraíso’, mas a peça ‘Voo Rasante, às Seis’, o novo espetáculo da Cia de Teatro Pé Direito, trabalha com a ideia de que ser filho pode ser o pior tormento na vida de um ser humano. Nesta trágica trama, mãe e filho confinados numa casa afastada dos olhares e julgamentos, travam um embate onde um personagem luta pela liberdade e o outro por seu desejo.

Escrita em 2004 por Luís Arnaldo Gastão, autor de ‘Chutando Pedrinhas’ e ‘Te Amo Nessa Escuridão’, entre outras, a peça levou 14 anos para chegar aos palcos. Segundo o autor, o projeto só ganhou vida pela persistência e entusiasmo do ator e diretor Arthur Vinciprova.

– Durante esses 14 anos tentei viabilizar a montagem, inclusive com leituras do texto por dois grupos diferentes, mas não avançamos. Mas o Arthur resolveu encarar o desafio e assumiu o principal papel masculino e a direção – revela Gastão.

‘Voo Rasante, às Seis’ é uma tragédia familiar que já nos primeiros minutos apresenta para o público o conflito que se desenvolverá durante toda a encenação. Para o ator e diretor Arthur Vinciprova, o autor flerta com os dramas gregos num ambiente absolutamente contemporâneo.

– Como diretor optei por atenuar as interpretações, já que o drama da peça poderia nos levar pelo caminho do exagero e da caricatura. A peça é uma ópera barroca, e o meu trabalho foi minimizar o tom sem perder a contundência do texto – explica o diretor.

No espetáculo, Arthur também atua como ator fazendo o papel do filho, para ele estar nessas duas frentes são coisas naturais.

– Sempre gostei muito de dirigir, escrever e atuar, são coisas instintivas. Desde que me formei em artes cênicas tenho feitos diversos trabalhos onde divido essas duas funções. Me sinto muito a vontade, as vezes eu até prefiro, pois quando eu me identifico com o texto ou com o personagem eu já consigo  imaginar toda a concepção artística do projeto. Esse espetáculo tem um texto incrível, está sendo um prazer – destaca Arthur.

Além de Arthur o espetáculo apresenta Élida Barros, que faz sua estreia no teatro como a mãe obcecada e manipuladora.

– Conheci a Élida durante a seleção de elenco de uma peça que acabou não vingando e logo percebi o imenso potencial dramático dela. Público irá se encantar com seu talento e seu carisma. Ela é ‘assombrosa – diz o diretor.

Dora e Paulo, a mãe e o filho de ‘Voo Rasante, às Seis’, estão prontos para revelar seus dramas e segredos ao público. A contundência da história, que revela facetas obscuras da natureza humana, não tem a intenção de chocar, mas sim de refletir sobre aspectos doentios da psique, que em alguns casos podem revelar o pior de nós.

– O meu personagem, o Paulo, cresceu sendo doutrinado pela mãe a fazer todos os desejos dela, então ele é um personagem totalmente inseguro e extremamente infeliz. Além disso, essa mulher é uma mãe super protetora que não consegue libertar esse filho para o mundo, então ela o prende pra não se ver sozinha – explica.

O espetáculo será apresentado no Teatro do Espaço Z, em Resende, nos dias 08, 09 e 10 de junho, às 20h. A classificação indicativa é de 16 anos.


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