segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

TEMPO REAL

 

Capa / Lazer / Apresentações de ‘Nasce uma Cidade – Operação Cascas’ acontecerão dias 22 e 29 de outubro, no Tulhas do Café

Apresentações de ‘Nasce uma Cidade – Operação Cascas’ acontecerão dias 22 e 29 de outubro, no Tulhas do Café

Matéria publicada em 17 de outubro de 2017, 13:25 horas

 


Barra Mansa – O projeto Nasce uma Cidade – Operação Cascas traz à tona as memórias e os acontecimentos históricos que marcaram Barra Mansa durante os anos da ditadura militar. As apresentações do espetáculo vão acontecer dias 22 e 29 de outubro, às 19hs, no Tulhas do Café, no Parque da Cidade.

Em sua 7ª edição, a pesquisa dramatúrgica do Nasce uma Cidade – Operação Cascas vem dos relatos que marcaram o espaço ocupado pelo Coletivo Sala Preta desde 2010, o Tulhas do Café, em Barra Mansa, local que abrigou o antigo 1º BIB (Batalhão de Infantaria Blindada).

Criado na década de 1950 concomitantemente com a criação da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) com o intuito de controlar os trabalhadores, manter a ordem e zelar pelo patrimônio nacional, o 1º BIB passou por um esquecimento induzido durante os anos 1990, sendo transformado em centro de lazer dos habitantes de Barra Mansa.

– O principal objetivo ao elaborar o projeto Operação Cascas é tocar em uma memória que Barra Mansa foi impelida a esquecer, o terrorismo de Estado e as consequências em nosso território. São incontáveis os esforços de representantes do Estado, antes e durante o recente período de redemocratização do país, para o apagamento e o silenciamento de memórias ainda sensíveis nas cidades que sofreram forte repressão durante o período militar no Brasil, e Barra Mansa é uma delas – explica o coordenador do projeto, Rafael Crooz, que lembra que uma parte do espaço deverá se tornar um centro de memória em favor às vítimas da ditadura militar assim como determina o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre a prefeitura de Barra Mansa e o MPF-VR.

Batalhão de Infantaria Blindada: Pesquisa dramatúrgica do ‘Nasce uma Cidade - Operação Cascas’ vem dos relatos que marcaram o espaço ocupado pelo Coletivo Sala Preta desde 2010 (Foto: Luisa Ritter)

Batalhão de Infantaria Blindada: Pesquisa dramatúrgica do ‘Nasce uma Cidade – Operação Cascas’ vem dos relatos que marcaram o espaço ocupado pelo Coletivo Sala Preta desde 2010 (Foto: Luisa Ritter)

Além de ser um ato de ocupação artística e resistência, Operação Cascas é um ato de protesto frente a um contexto político e social caótico e opressor e seus retrocessos nas conquistas de direitos de cidadania, memória e verdade.

– Nossa atuação é defender que se preservem essas memórias ‘para que não se esqueça; para que não se repita!’ e, ao mesmo tempo que se possa contar por meio dessa história, a luta, o trabalho e as estéticas que vêm compondo cidades ao nosso redor, com os seus cotidianos – declara uma das integrantes do projeto e atriz, Carla Marques.

A Operação Cascas está integrada às ações do Núcleo À Margem e teve a orientação teórica da historiadora Alejandra Estevez. Aos novos processos metodológicos aplicados, formou-se o Laboratório Estético Prático, coordenado pela atriz Viviane Saar em parceria com a professora doutora em artes, Isabel Carneiro.

O Núcleo à Margem é um grupo de pesquisa e experimentações corporais e performáticas em arte política, teatro e dramaturgia que surgiu no curso Sala Preta 2015, com a montagem do espetáculo “A margem (que) te beira”, dirigido pelo ator Rafael Crooz.

– Entre abril e dezembro deste ano, o Núcleo À Margem se propôs a debruçar-se sobre a memória, a história e os fatos relacionados à instituição e apagamento do 1º BIB. Nos dedicamos  às leituras de obras literárias, pesquisas e relatórios das Comissões da Verdade à medida que realizávamos experimentações cênicas, poéticas e fotográficas – explica o integrante do Núcleo À Margem, Albinno Oliveira Grecco.

Segundo Jessica Kely Soares, integrante do Núcleo, além de discutirem as violações dos direitos humanos e o direito à memória com um recorte histórico e espacial específico, fazem paralelos com outros acontecimentos históricos igualmente trágicos, que precisam ser lembrados para que não se repitam.

– Resistir e construir novos horizontes, ver com outros olhos e refletir, aí está a contribuição das nossas referências bibliográficas em imagens e conceitos – completa Jessica.

Foto: Leonardo Avelino

Foto: Leonardo Avelino

 

Serviço

As apresentações acontecerão dias 22 e 29 de outubro, no Tulhas do Café, no Parque da Cidade, em Barra Mansa, às 19h. Os ingressos custam R$ 10 podem ser adquiridos antecipadamente pelos telefones (24) 99959-4971 e 99954-2803.

 

 

Um comentário

  1. Excelente espetáculo! Quem puder ir assistir não se arrependerá!

Untitled Document