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Blocos do Rio de Janeiro pregam a inclusão no Carnaval de 2017

Matéria publicada em 15 de fevereiro de 2017, 13:15 horas

 


Rio – O Carnaval ainda não foi aberto oficialmente, mas os blocos já vêm fazendo há vários dias a alegria dos foliões, em distintos bairros do Rio de Janeiro. Alguns blocos, porém, apresentam características peculiares, porque têm como objetivo comum a inclusão. As informações são da Agência Brasil.

Formado principalmente por pessoas com deficiência, o Bloco Eficiente saiu no último dia 12, na Praça Paris, centro do Rio, pelo quarto ano consecutivo. O bloco foi fundado por Bruna Saldanha, mãe de Isabel, de 8 anos, e de Artur, de 3 anos, que nasceram com paralisia cerebral devido a problemas no parto, e Morena, de 3 meses, nascida por cesárea e sem problemas de saúde.

A médica Sandra Martins, que trata de pacientes em reabilitação, é entusiasta do Bloco Eficiente. Segundo ela, a agremiação transmite uma mensagem de superação. “Não é um problema que vai derrubar a alegria das pessoas”, diz. Segundo ela, o tema central deste carnaval continua sendo a inclusão. “A mensagem é de esperança, de luta, de que é possível ainda se divertir, apesar de a cidade não ter todas as condições de acessibilidade necessárias para pessoas com deficiência”, comenta.

Drogas

No mesmo dia, na Avenida Atlântica, o Bloco Alegria Sem Ressaca, formado por ex-dependentes químicos, familiares, amigos e profissionais de saúde, fez a festa na Avenida Atlântica, na altura da Rua República do Peru, em Copacabana. Desfilando pelo 13º ano seguido, o bloco faz prevenção ao abuso de álcool e ao uso de drogas e procura mostrar que dá para brincar durante o carnaval sem excessos e de forma saudável.

A edição deste ano teve como padrinho o lutador de MMA José Aldo. O bloco já teve apoio do jogador de futebol Zico, da atriz Luiza Tomé, e dos cantores Teresa Cristina e Eduardo Dussek, entre outros nomes famosos. Por meio da sua assessoria de imprensa, José Aldo lembrou que seu pai teve grandes problemas com alcoolismo, que afetaram muito sua família nas partes financeira e emocional. “Desde criança, eu via os problemas que isso causava dentro da minha família. Hoje, sempre que posso, faço campanhas e estou dentro de movimentos contra o álcool e as drogas”, comentou.

Cadeirantes

Também formado por pessoas com deficiência, o bloco Senta Que Eu Empurro, foi fundado em 2008, no bairro do Catete, por Ana Cláudia Monteiro, que ficou cadeirante após sofrer um acidente de carro há 15 anos. Administradora de empresas e amante do carnaval, Ana Cláudia decidiu criar o bloco para que pessoas com deficiências pudessem se divertir sem preocupação com tumultos no carnaval de rua do Rio de Janeiro.

O que ela não imaginava era que o bloco cresceria. Atualmente, ele é seguido por cerca de 3 mil pessoas. “Tem cadeirantes na bateria, no meio do bloco e até de outros estados, como Minas Gerais e Paraná, que todo ano vêm prestigiar”, disse Ana Cláudia. O Senta Que Eu Empurro comemora em 2017 dez anos de fundação, com desfile na sexta-feira de carnaval (24), às 18h. A concentração é na Rua Artur Bernardes, número 26.

Conhecido por demonstrar que os limites podem ser superados, o bloco está ainda em busca de patrocínio para complementar os gastos do desfile. “É um bloco bem barato, porque a gente paga só o essencial. O resto é voluntariado”, explica Ana Cláudia. As despesas fixas incluem as camisas dos componentes, o carro de som e o transporte do cantor e dos instrumentos.

Por ser uma agremiação diferenciada, de cunho social, que reúne pessoas com deficiências, o Senta Que Eu Empurro conseguiu abatimento no preço do caminhão de som. O bloco não paga os integrantes da bateria, que são todos voluntários, alunos da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O Senta Que Eu Empurro desfila sempre na sexta-feira de carnaval. O samba-enredo deste ano já está pronto. Ele fala da crise que o país atravessa e da esperança de um mundo melhor.

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