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Colisão de galáxias produz quasares brilhantes

Matéria publicada em 21 de junho de 2018, 08:55 horas

 


Galáxias de mesmo tamanho geram dois astros no lugar de um

Bela: Uma colisão criou a NGC 2623

Que o mundo parece caminhar para um desastre, todo mundo já está cansado de saber. Daí as previsões constantes de fim de mundo que ficam aparecendo na internet. O que a maioria das pessoas não sabe é a magnitude da catástrofe que aguarda nosso mundo num futuro distante. Nossa galáxia, a Via Láctea, se encontra em curso de colisão com a galáxia de Andrômeda, mas não anuncie isso na internet. Só vai acontecer daqui a três bilhões de anos. Galáxias costumam colidir devido à força gravitacional de sua massa. Como não são solidas, são formadas por milhares de estrelas e nuvens de gás elas se misturam, e assumem formas bizarras.
Um estudo recente, feito pelo astrônomo Scott Barrows, da universidade do Colorado, mostrou que o choque entre duas galáxias pode provocar a ignição de um ou mais quasares. Barrows usou o telescópio de raios X da NASA para observar o centro de galáxias que colidiram. Ele descobriu que se uma galáxia for maior do que a outra o resultado é o aparecimento de um novo quasar. Já duas galáxias do mesmo tamanho, quando se misturam, produzem dois quasares.
Os quasares são os astros mais brilhantes do universo, e brilham mais do que 100 mil sóis juntos. Quando foram descobertos, em 1963, ninguém sabia o que eram. Vistos ao telescópio eles pareciam estrelas, mas estavam longe demais para serem estrelas. Nos anos de 1970 foi descoberto que o quasar é produzido pela queda de matéria estelar sugada por buracos negros gigantes. Toda galáxia tem um buraco negro no seu centro, mas a maioria não produz um quasar.
Isso acontece porque as galáxias mais próximas da nossa são velhas, seus buracos negros já consumiram toda a matéria que existia ao redor deles e os quasares se apagaram. Mas quando olhamos para galáxias muito distantes, a bilhões de anos luz, estamos vendo o Universo como ele era há bilhões de anos, quando as galáxias ainda eram jovens e seus buracos negros devoravam a matéria de seu núcleo.
Quando duas galáxias se encontram matéria nova, na forma de estrelas e nuvens de gás entra no núcleo. E cai no buraco negro fazendo o quasar extinto se acender novamente. Uma colisão de galáxias é o desastre de maior magnitude que pode ocorrer no universo. Mas é um desastre muito tedioso. As galáxias levam milhões de anos para se aproximarem e se misturarem. Quando olhamos para galáxias em colisão estamos vendo o fotograma de um filme em câmera ultra lenta.
Felizmente existem várias galáxias colidindo o tempo todo, já que o Universo tem milhões delas. Olhando para colisões, diferentes os astrônomos podem ver o processo em varias fases. Quando uma galáxia grande colide com uma pequena ela engole e absorve inteiramente a menor. Quando são duas galáxias do mesmo tamanho elas mudam de forma, espirram gás e estrelas em todas as direções e produzem um espetáculo deslumbrante, como o da colisão aí na foto.
Como as estrelas estão separadas por distâncias de dezenas de anos luz, elas raramente se chocam, geralmente passam uma entre a outra. Já as nuvens de gás da galáxia se misturam e as vezes são ejetadas para o espaço intergaláctico. Para os seres humanos, que tem um tempo de vida muito curto, é difícil compreender a magnitude do fenômeno. A galáxia aí na foto é a NGC 2623 que fica a 250 milhões de anos luz. Quando ela se formou, devido à colisão de duas galáxias menores, a era dos dinossauros ainda estava se desenrolando aqui na Terra e o Homem só existiria num futuro distante.
As caudas que parecem rabos são chamadas de caudas de maré, por serem produzidas por mares gravitacionais. Elas contem centenas de milhares de estrelas.

Por: Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br

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