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Festa Literária Internacional de Paraty acontece de 26 e 30 de julho

Matéria publicada em 25 de julho de 2017, 08:30 horas

 


Com curadoria de Joselia Aguiar, programação homenageia Lima Barreto

Paraty – Começa nesta quarta-feira, dia 26, a 15ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). O evento reunirá na cidade história muita arte, cultura e grandes nomes da literatura. A programação segue até domingo, dia 30, e essa edição tem curadoria de Joselia Aguiar. O homenageado da vez será o autor Lima Barreto.

E para abrir a festa e inspirado no mundo de Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, o pianista, arranjador e compositor André Mehmari apresentará uma suíte inédita criada especialmente para a abertura da Flip 2017. O show ocorre no Auditório da Praça, nesta quarta-feira, às 21h30, e terá acesso livre.

O recital é composto por quatro movimentos: modinha, valsa, dobrado e maxixe, que, segundo o músico, estão relacionadas à obra de Lima Barreto e ao momento histórico em que ele viveu.

– As temáticas estão ligadas, sobretudo, a questões de mestiçagem e da identidade do Brasil. Isso tudo em contraste com informações e músicas da Europa. Diria que o tema da suíte é o piano brasileiro, um instrumento europeu tocando uma música mestiça – afirma Mehmari.

Além da Suíte Policarpo, Mehmari interpretará a obra de Ernesto Nazareth (1863-1934), um dos gênios no período de formação da música brasileira no Rio da virada para o século XX, época em que viveu Lima Barreto. Arranjos inventivos reavivam composições que Nazareth fez surgir a partir de uma afortunada combinação de ritmos que inclui desde o lundu africano à habanera cubana e à polca da Boêmia.

O recital deve ter em torno de uma hora de duração e um CD exclusivo de Mehmari, gravado especialmente para a Flip, estará à venda durante a festa.

O artista

A pesquisa musical meticulosa, somada à imaginação vibrante e ao virtuosismo técnico, marca a trajetória de Mehmari, artista singular com carreira internacional, premiado tanto no campo erudito quanto no popular.

Começou a prender música ainda criança com sua mãe, em Ribeirão Preto. Ingressou no curso de piano da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP) em 1995, ano em que se estabeleceu na capital paulista. Teve suas composições e arranjos tocados por grupos como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), Banda Sinfônica do Estado, Quarteto da Cidade de São Paulo e Quinteto Villa-Lobos. Elaborou trilhas como a do encerramento das Olimpíadas do Rio em 2016 e a da série 3%, a primeira produção brasileira da Netflix. Apresenta-se como solista e em duos, ao lado de outros grandes nomes como Antonio Meneses, Gabriele Mirabassi, Hamilton de Holanda, Maria Bethânia, Mônica Salmaso e Ná Ozzetti.

Como nos anos anteriores: As árvores serão habitadas por ‘pés de livro’ com atividades de mediação de leitura

Como nos anos anteriores: As árvores serão habitadas por ‘pés de livro’ com atividades de mediação de leitura (Fotos: ABr)

Flipinha e FlipZona

Que cidade queremos construir? Como criar narrativas comuns em territórios brutalmente segregados? Como as ações da Flip podem colaborar para chegarmos a uma resposta? Essas perguntas pautam as ações da Flip no território de Paraty e estarão presentes no programa educativo durante os dias da Festa Literária.

Nesta 15ª edição, a Praça da Matriz recebe a Central Flipinha, espaço de encontro de diferentes gerações com os autores da Flip, além de ponto de partida dos Cortejos Literários, novidade desta edição. As árvores, como nos anos anteriores, serão habitadas por “pés de livro”, com atividades de mediação de leitura conduzidas por jovens paratienses que passaram pelo programa de Formação de Mediadores de Leitura. No Auditório da Praça, as mesas do Território Flip | Flipinha discutem a vivência local a partir das sabedorias ancestrais, as identidades e relações de cor nos países lusófonos e o olhar para o mundo por meio da literatura.

Já a Casa da Cultura será o espaço para diálogos e conexões entre outras formas de educar e criar no mundo contemporâneo. Exibição de filmes e minidocumentários seguidos de debates, mesas literárias sobre novas formas de linguagem e rodas de conversa destacando a leitura como um direito humano, estão no roteiro.

Paridade

A edição da Flip deste ano é a primeira em que há paridade de gênero entre os convidados: são 23 autores do sexo feminino e 23 do sexo masculino. A curadora Joselia Aguiar lembra que até 2013, não se questionava a participação reduzida de mulheres na Flip. “Isso não era uma questão”.

A partir de 2014, com o projeto ‘#readwomen2014 (#leiamulheres2014) da escritora inglesa Joanna Walsh, esse cenário começou a mudar. “Existem eventos na Colômbia, na Espanha, nos Estados Unidos que têm mais mulheres na programação, por uma visão de que há muita coisa nova para ser mostrada, há muitas novas vozes e possibilidades para serem mostradas”, comentou Joselia.

Joselia chama a atenção também para a participação de autores negros, que também aumentou. “São 30% de autores negros. Eu diria que os mais estrelados são eles”, observou. Dentre os representantes negros se destacam Marlon James, da Jamaica; Scholastique Mukasonga, de Ruanda; e os brasileiros Lázaro Ramos e Conceição Evaristo.

Mesas literárias

O número de mesas literárias também aumentou nesta edição da Flip. “Tem mais literatura desta vez, porque nos últimos anos, a Flip tinha mesas com outros temas, outras áreas do conhecimento”, comentou Joselia.

Existe também maior integração com outras formas de expressões artísticas. Muitos autores se conectam com outras artes, como o teatro, por exemplo. A abertura da Flip terá direção de cena de Felipe Hirsch e falará de Lima Barreto, com participação do ator e escritor Lázaro Ramos e da historiadora e antropóloga brasileira Lilia Schwarcz.

Novidades

Por decisão do diretor-geral da Flip, Mauro Munhoz, e da equipe de arquitetura e design da festa, a programação principal do evento ocorrerá na Igreja da Matriz, considerada patrimônio histórico nacional. Antes, ela ocupava a Tenda dos Autores. No redesenho da Flip 2017, a intenção é possibilitar que mais pessoas possam assistir de graça as apresentações. Para isso, foram instalados, no entorno da Praça da Matriz, 700 lugares cobertos para os visitantes.

A Flip deste ano também será transmitida ao vivo pela internet. “É uma forma de acompanhar as discussões, conhecer os autores”.

 

Serviço

A programação completa da Flip 2017 pode ser conferida no site (http://flip.org.br/).

Flip 2017: Ruas de Paraty serão tomadas por literatura (Foto: ABr)

Flip 2017: Ruas de Paraty serão tomadas por literatura

 

Um Casarão para Ruth Guimarães

A escritora Ruth Guimarães é a homenageada do Instituto Silo Cultural. Falecida em 2014, a autora ocupou a cadeira número 22 da Academia Paulista de Letras. Produziu romances celebrados pela crítica, pesquisas folclóricas e traduções do francês e do latim. Foi aluna de Mário de Andrade e amiga de grandes escritores como Guimarães Rosa, Jorge Amado, Antonio Candido e muitos outros. Durante a Flip, a sede do Silo receberá a denominação de “Casa Ruth Guimarães”.

Os idealizadores do evento são Luís Perequê, compositor, cantor e produtor cultural nascido em Paraty, e sua mulher, a coreógrafa Vanda Mota. O casal criou o Instituto Silo Cultural em 2001 e lá realiza atividades de resgate e de incentivo à preservação da cultura caiçara. Ambos tiveram acesso a um texto de Ruth Guimarães e a paixão foi instantânea.

A Casa Ruth Guimarães será aberta no dia 27 de julho, com entrada livre. Na programação, além de exposição da coleção completa dos 45 livros publicados pela autora, serão exibidos vídeos, áudios, fotos e trechos de alguns de seus trabalhos. Uma roda de conversa, com a presença do ator Lázaro Ramos, está programada para o dia 28 de julho. Para compor a mesa, foram convidados o sociólogo José de Souza Martins e o educador Severino Antonio. A mediação ficará a cargo de Joaquim Maria Botelho, jornalista, escritor e filho da homenageada.

A homenagem faz parte do projeto do Instituto Silo Cultural “Assim na Serra como no Mar”, que reúne uma intelectual de alma caipira e elementos da cultura caiçara.

O caipira e o caiçara são portadores de traços culturais similares, que Ruth Guimarães, entre outros pesquisadores e folcloristas, observou e registrou em vários dos seus escritos.

Por isso, a casa que leva o nome da escritora exibirá manifestações tradicionais dessas duas culturas do Sudeste brasileiro. Representarão os caiçaras, na Casa Ruth Guimarães, artistas e escritores de Ubatuba.

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