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MIMO Festival Paraty será realizado de 6 a 8 de outubro

Matéria publicada em 11 de setembro de 2017, 17:41 horas

 


Com programação diversa, evento reúne line-up 100% feminino com representatividade trans; festival terá concertos, palestras, mostra de filmes, poesia e aulas do programa educativo

Paraty – Paraty mais uma vez será palco de um grande evento cultural. Dessa vez a cidade sediará mais uma edição do MIMO Festival Paraty, que esse ano traz muitas novidades. Um evento sempre aberto ao novo, em um trabalho de formação de plateia, e também dedicado à educação, com a participação de grandes nomes da música em cidades consideradas patrimônios históricos e carimbos no passaporte, marcado pelas passagens por Amarante (Portugal) e Glasgow (Escócia), o MIMO Festival será realizado de 6 a 8 de outubro.

Chegando ao 14º ano consecutivo, com uma programação cada vez mais livre e abrangente, o festival reunirá artistas de diversas nacionalidades em cidades históricas como Tiradentes (28 e 29 de setembro), Ouro Preto (29 e 30 de setembro), Paraty (6 a 8 de outubro), Rio de Janeiro (10 a 12 de novembro) e Olinda (17 a 19 de novembro).

Realizado por Lu Araújo Produções e Musickeria, o MIMO Festival é apresentado pelo Ministério da Cultura, Bradesco e Cielo, tem o patrocínio do BNDES e Hero – Serviço de Segurança Digital, promovido pela FS, e tem como parceira a Prefeitura de Paraty.

MIMO Paraty e a força feminina

Um diferencial da edição em Paraty é o line-up formado apenas por atrações musicais femininas. As headlines do MIMO acumulam predicados. Teresa Salgueiro, a eterna voz do grupo Madredeus e que se tornou a voz lusitana mais conhecida internacionalmente depois de Amália Rodrigues, está lançando seu novo álbum solo, “O horizonte”.

A malinesa Oumou Sangaré, diva da música africana, acaba de ser anunciada como vencedora do Womex Award (maior festival de world music) como artista do ano, tanto por sua obra quanto pelo empenho na luta pelos direitos das mulheres e nos esforços pela erradicação da fome no Mali e arredores. Embaixadora da FAO, agência das Nações Unidas, também foi indicada ao Grammy em 2010 pelo álbum “Seya” e pela colaboração com “The Imagine Project”, de Herbie Hancock.

Baby do Brasil apresentará seu novo concerto, desenhado a partir de sua apresentação em Glasgow (Escócia), no início do ano, através da seleção de artistas nacionais feita pelo MIMO para o Showcase Scotland 2017, do Celtic Connections. Neste concerto, além de sucessos de carreira e suas versões para clássicos da música brasileira e internacional, a artista mostrará inéditas.

Representando as novas tendências da música brasileira e internacional, foram convidadas as cantoras ALA.NI (Inglaterra), IZA, Liniker e os Caramelows, As Bahias e a Cozinha Mineira – que agregam talento e representatividade trans à programação – além das virtuosas instrumentistas Andréa Ernest Dias, Elodie Bouny e Joana Queiroz.

Educativa

Recebendo o MIMO pela quinta vez seguida, o festival oferece 30 atividades gratuitas, com artistas de cinco nacionalidades, ao longo de três dias. A Etapa Educativa se sustenta como forma de multiplicar conhecimentos de excelência musical, oferecendo gratuitamente e através de inscrições no site – até 25 de setembro – workshops e oficina, ministradas pelos artistas e convidados.

A programação contará com workshops de Elodie Bouny (“Violão latino-americano”), Andréa Ernest Dias (“Flauta brasileira, uma escola de interpretação”), ALA.NI (“Come to me, música e imagem: The cyanotype project”), Joana Queiroz (“Criação musical”) e Lu Araújo (“Gestão de festivais internacionais e o patrimônio histórico – Desafios e singularidades”), em parceria com o British Council. As palestras do Fórum de Ideias serão proferidas por Teresa Salgueiro (“Amália Rodrigues”), Oumou Sangaré (“A mulher africana na sociedade atual”) e Liniker (“Deixa eu bagunçar você – um bate-papo com Liniker Barros”).

Poesia

Este ano, a Chuva de Poesia, que já virou uma tradição no festival, dedica-se a poetas mulheres de diversas partes do mundo, como as brasileiras Ana Cristina Cesar, Hilda Hilst, a portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, a russa Marina Tsvietáieva, a americana Emily Dickinson, as japonesas Chiyo-ni e Sono-jo e a Instapoeta indiana radicada no Canadá Rupi Kaur.

– Todas as atividades convidam à reflexão sobre a diversidade da produção artística mundial. Os concertos, o Festival MIMO de Cinema, a Etapa Educativa e todas as outras ações se complementam, para que a música seja a protagonista – afirma a diretora e idealizadora do MIMO Festival, Lu Araújo.

Dossiê

O MIMO Festival servirá como plataforma de lançamento do “Dossiê de candidatura de Paraty como cidade criativa da Unesco”, na categoria Gastronomia, pela prefeitura. A cerimônia se realizará durante o festival, dia 7 de outubro (sábado), às 17h, na Casa da Cultura.

 

Serviço

Veja mais detalhes e a programação completa do festival no site (http://www.mimofestival.com/).

 

Público se transforma em curador do festival

Os vencedores do Prêmio MIMO Instrumental de Música, que se inscreveram no site oficial do festival e foram pré-selecionados por um júri especializado, farão concertos nos mesmos palcos dos artistas convidados, nas cidades de Tiradentes e Ouro Preto (MG), Paraty e Rio de Janeiro (RJ) e Olinda (PE).

Eles serão eleitos pelo voto popular e seus nomes, anunciados no dia 15 de setembro, através do portal do MIMO (mimofestival.com). Pelo portal, o público já pode escolher o seu artista preferido, para que ele faça parte da grade oficial.

IMG_2149 ALA.NI (c) IRA ROKKA

 

Filmes inéditos ligados à música em sessões gratuitas

O Festival MIMO de Cinema ocorre paralelamente à programação musical e é inteiramente dedicado a produções inéditas que tenham a música como fio condutor. São obras de diferentes gêneros, que cativam a plateia desde 2004, com projeções ao ar livre, em telões, tendas, cineclubes e salas de exibição.

Seguindo a proposta do line-up formado apenas por atrações musicais femininas, o Festival MIMO de Cinema também homenageia as mulheres. Na abertura em Paraty, será exibida, em primeira mão, “Clara Estrela” (de Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir), documentário que conta na primeira pessoa, a trajetória de Clara Nunes. O longa-metragem é construído sem entrevistas, apenas com depoimentos da cantora na mídia impressa, na voz da atriz Dira Paes, e se destaca pelo ineditismo do arquivo de imagens e pela minuciosa seleção musical. Na mesma sessão, será exibido o mais recente trabalho do cineasta Beto Brant “Ilú Obá de Min – Homenagem à Elza Soares, a Pérola Negra” – que acompanha o desfile do coletivo de tambores e corpo de baile formado exclusivamente por mulheres, pelas ruas de São Paulo no Carnaval de 2016, exaltando a cultura afro-brasileira.

Outros filmes narram a trajetória de ícones da música popular brasileira. É o caso de “Torquato Neto – todas as horas do fim”, sobre a vida e obra do poeta em diversas manifestações artísticas, a começar  pela música, e o seu protagonismo na revolução cultural brasileira nas décadas de 1960 e 1970. Ele ficou conhecido como “o anjo torto da Tropicália”.

Já “Fevereiros” percorre uma viagem entre Rio e Bahia,seguindo os passos de Maria Bethânia no Carnaval de 2016, quando foi homenageada pelo vitorioso enredo da Mangueira, “Maria Bethânia: A menina dos olhos de Oyá”. O filme acompanha a cantora no universo familiar, festivo e religioso que inspirou o enredo.

“Sobre Noiz” perscruta o universo do elogiado disco “Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa”, de Emicida, gravado em Angola, Cabo Verde e no Brasil. E “A Plebe é rude” revela o surgimento da banda brasiliense Plebe Rude, no início da década de 1980.

Premiado no Festival do Rio 2016, nas categorias “Melhor direção de documentário” e “Melhor fotografia”, o longa-metragem “Super orquestra arcoverdense de ritmos africanos” traz, em tom de fábula, um recorte do sertão contemporâneo, onde convivem festas de debutantes riquíssimas e pessoas e animais em paisagens áridas. Outra produção premiada é “O piano que conversa”, vencedor do júri popular no In-Edit de 2017, que acompanha encontros do pianista Benjamim Taubkin com diferentes formações e tradições musicais no Brasil, Bolívia e Coreia do Sul.

Os rituais religiosos Brasil afora e toda a musicalidade que emerge desses fenômenos sociais são tema do documentário “Híbridos, os espíritos do Brasil”. O longa de Vincent Moon e Priscilla Telmon será apresentado em sessão de pré-estreia no Festival MIMO de Cinema. A guitarra brasileira, que remonta à viola machete no Recôncavo Baiano, tem a sua história narrada em “Sotaque elétrico”. E “O Som do Tempo” conta 20 anos de história do rap carioca, através de imagens de arquivo, rimas e muitas conversas.

Completando a programação, uma rica seleção de curtas-metragens, onde a música é protagonista.

 

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